Protesto contra acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, em Paris, na França, em 08/01/2026 Acordo pode diversificar mercados, aumentar exportações de alto valor e modernizar a produção, em meio a restrições da China e exigências europeias; mas há críticos Entenda em três pontos o acordo Mercosul-UE e por que gera controvérsias Os países da União Europeia deram aprovação provisória nesta sexta-feira (9) a um acordo de livre comércio com o Mercosul.
Este é o maior acordo comercial já firmado pela UE.
O Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das exportações da UE, incluindo automóveis, dos atuais 35%, ao longo de um período de 15 anos.
A UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos.
O Mercosul também eliminará as tarifas sobre produtos agrícolas da UE, como os 27% sobre vinhos e os 35% sobre destilados.

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Para produtos agrícolas mais sensíveis, a UE oferecerá cotas maiores, incluindo mais 99.
000 toneladas métricas de carne bovina, enquanto o Mercosul concederá à UE uma cota isenta de impostos de 30.
000 toneladas para queijos.
Existem também cotas da UE para aves, carne de porco, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e milho doce, e para o Mercosul, para leite em pó e fórmulas infantis.
As importações adicionais representam 1,6% do consumo de carne bovina na UE e 1,4% do consumo de aves.
Os defensores do acordo apontam para as importações existentes como prova de que o Mercosul cumpre os padrões da UE.
O acordo reconhece cerca de 350 indicações geográficas para impedir a imitação de certos produtos alimentares tradicionais da UE, de modo que, por exemplo, o termo "Parmigiano Reggiano" seria reservado para queijos específicos da Itália.
O que dizem os apoiadores
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A Comissão Europeia e seus apoiadores, como a Alemanha e a Espanha, afirmam que o acordo oferece uma alternativa à dependência da China, especialmente no que diz respeito a minerais críticos como o lítio, metal essencial para baterias.
Ele garantirá a isenção de impostos sobre a exportação da maioria desses materiais.
Os defensores também alegam que a medida oferece alívio do impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A Comissão Europeia destaca que o acordo de livre comércio é o maior que já firmou em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões) em impostos sobre as exportações da UE anualmente.
Além disso, é uma parte necessária do esforço da UE para diversificar as relações comerciais.
O texto acrescenta que, dado o conjunto modesto de acordos comerciais do Mercosul, a UE teria uma vantagem inicial.
Ele observa ainda que as empresas da UE poderão concorrer a contratos públicos no Mercosul nos mesmos termos que os fornecedores locais - algo que o Mercosul não ofereceu anteriormente em acordos comerciais.
Existem também potenciais medidas de salvaguarda para lidar com possíveis perturbações de mercado.
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O que dizem os críticos Os agricultores europeus protestam, alegando que um acordo levaria à importação barata de produtos sul-americanos, principalmente carne bovina, que não atendem aos padrões ambientais e de segurança alimentar da UE.
A Comissão Europeia declara que os padrões da UE não serão flexibilizados.
O acordo inclui compromissos ambientais, incluindo a prevenção de novos desmatamentos após 2030.
No entanto, grupos ambientalistas afirmam que ele carece de medidas que possam ser aplicadas.
A organização "Amigos da Terra" classificou o acordo como "devastador para o clima" e afirma que ele levará ao aumento do desmatamento, já que os países do Mercosul venderão mais produtos agrícolas e matérias-primas, muitas vezes provenientes de áreas florestais, incluindo a Amazônia.
A França, maior produtora de carne bovina da UE, havia afirmado que assinaria o acordo de livre comércio somente se este "salvaguardasse os interesses" da agricultura francesa e da UE.
Agora, o país rejeita o acordo.