Entenda a treta entre ex-treinador e o próximo técnico do Botafogo
Olhando em retrospecto, o ano do Botafogo parece um reflexo de uma frase de Marcelo Bielsa, ídolo do novo técnico do Botafogo, Martín Anselmi : "O sucesso nos deforma".
Depois de um 2024 histórico, forjado no trauma de 2023, o Botafogo carregou durante 2025 o peso dos erros de planejamento cometidos em muito graças à soberba de John Textor no começo da temporada.
Mas a urgência mostrada na hora buscar Anselmi e o perfil do treinador argentino mostram que o dirigente americano parece ter aprendido mais uma vez com seus erros.
Torcedor fanático do Newell’s por influência do pai, Anselmi sempre foi obcecado por futebol.
Mas como nunca teve talento com a bola no pé, desde cedo sabia o que queria: ser treinador.
E sendo de Newell’s, Bielsa sempre foi sua grande inspiração.
Apesar de ter estudado jornalismo esportivo, Anselmi diz que nunca foi jornalista e não gosta muito de tocar nesse assunto.
Na Argentina, a idade mínima para entrar na escola de treinadores era 25 anos, e estudar jornalismo esportivo foi a maneira que ele encontrou para manter viva sua relação com o futebol até finalmente alcançar a idade para começar a formação acadêmica.
Quando terminou o curso, um ano depois, abandonou o negócio familiar (uma gráfica) para trabalhar de graça como assistente de um ex-professor na base do Independiente de Avellaneda.
Lá conheceu Gabriel Milito, que tinha trabalhado com Guardiola no Barcelona.
Adepto da escola do jogo posicional, aquela viagem à Espanha pra ver Bielsa contra Guardiola foi quase uma peregrinação à Terra Prometida.
Ver com os próprios olhos o que desde sempre mais o inspirou.
E trabalhar com Milito, observando em primeira mão alguém que vivenciou os conceitos do jogo posicional, gerou um "antes e um depois" para Anselmi.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/X/H/FDHgbDTBqp887sEKRbgw/site-pb-0014-fernando-kallas.jpg)
Times que cuidavam como poucos da posse de bola e controlavam as partidas com todas as posições participando da organização o jogo, de forma estruturada e coletiva.
Anselmi é um prodígio de apenas 40 anos, que viveu uma ascensão meteórica até chegar a um gigante europeu como o Porto, apenas três anos depois de assumir o primeiro time como treinador principal.
Não conheço história parecida, alguém tão jovem e sem nenhum passado como atleta ou ligação familiar com o mundo da bola chegar tão rápido à elite europeia.
Tudo graças ao trabalho brilhante realizado no Equador e no México.
Times que jogavam como música liderados por um comandante carismático e com fama de gênio.
Apesar de ter sido lançado aos leões ao chegar à um Porto em crise no meio da temporada passada, sua rápida passagem pelo Dragão diz mais sobre a gestão turbulenta e polêmica de André Villas-Boas do que sobre ele.
Foi uma saída traumática, mas que serviu para Anselmi dar um passo atrás, recarregar as baterias em um tempo aqui na Espanha, onde pôde trocar experiências com treinadores promissores como Marcelino, no Villarreal, e Iñigo Pérez, no Rayo Vallecano, enquanto escolhia bem seu próximo projeto.
Apesar de seu nome ter sido usado por vários candidatos na campanha eleitoral do Newell’s, treinar seu time de coração nunca foi uma possibilidade.
Empresariado pelo mesmo representante de Arthur Jorge, Abel Ferreira e Leonardo Jardim, o português Hugo Cajuda, Anselmi sempre viu com bons olhos uma ida pro Brasil.
Tanto que o clube que esteve mais próximo de fechar com ele foi o Atlético-MG, que ofereceu um salário muito mais alto do que o Botafogo.
Mas uma análise mais profunda no elenco fez o argentino achar que não era o projeto idea