Empresas de fachada, apoio de servidores e acesso a informações sigilosas: como era a estrutura do CV voltada ao tráfico no AM
Uma complexa rede montada pelo Comando Vermelho contava com a colaboração de agentes ligados ao executivo, legislativo e judiciário. Operação da polícia nesta sexta (20) tenta desarticular o esquema criminoso.
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O Comando Vermelho montou um esquema de tráfico no Amazonas, com colaboração de agentes públicos do executivo, legislativo e judiciário.
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A facção utilizava empresas de fachada e obtinha informações sigilosas para ocultar valores e antecipar ações policiais.
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A Polícia Civil estima que o esquema criminoso movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018 no estado.
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A investigação começou após a apreensão de 500 tabletes de skunk e prendeu nesta sexta (20) 14 pessoas, incluindo agentes públicos.
Polícia Civil faz operação contra núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas
Um esquema estruturado pelo Comando Vermelho (CV), que tinha a colaboração de agentes públicos, atuava de forma organizada para trazer drogas da Colômbia e distribuir a partir do Amazonas. A rede montada pela facção contava ainda com empresas de fachada e acesso a informações sigilosas sobre investigações da polícia.
As informações são da Polícia Civil do Amazonas, que deflagrou nesta sexta-feira, uma operação com 23 mandados de prisão em seis Estados. Catorze pessoas haviam sido presas até a última atualização desta reportagem, entre elas a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, três ex-assessores de vereadores e um servidor do Tribunal de Justiça. (veja a lista completa abaixo)
A investigação teve início após uma apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante. Na ocorrência, a polícia identificou uma estrutura de transporte da droga que contava com um carro utilitário para o transporte da droga, duas embarcações e sete fuzis. Celulares também foram apreendidos na ocasião.
Durante o inquérito, a polícia descobriu uma cadeia de comando com operadores logísticos, financiadores e colaboradores que facilitavam o esquema criminoso. Eles eram divididos de maneira organizada, com tarefas delimitadas e núcleos operacionais.
💰A estimativa da polícia é que a quadrilha movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018.
A facção tinha ainda rotas definidas para trazer a droga da Colômbia e distribuir os entorpecentes pelo país a partir do Amazonas. Para isso, empresas de fachada, nos ramos de transporte e locação, foram criadas. Elas eram usadas para ocultar a movimentação dos valores oriundos do tráfico, segundo a polícia - análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado capacidade econômica declarada pelos envolvidos.
Além disso, a cobertura logística dessas empresas 'fantasma' maquiava o transporte das drogas, dando suporte logístico ao Comando Vermelho. Carros também eram alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Operação apura organização criminosa do Comando Vermelho com núcleo político no Amazonas — Foto: Lucas Macedo/g1 AM
Veja a lista dos presos pela polícia no AM
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara
Até a última atualização desta reportagem a polícia não havia detalhado a participação de cada um dos alvos no esquema. O g1 procura a defesa dos presos na operação.