Edson Fachin defende atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master
As polêmicas de Toffoli no STF, da indicação por Lula às críticas no caso do Banco Master
Crédito, Getty Images
Author, Iara Diniz Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
Há 7 horas
Tempo de leitura: 15 min
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2009, José Dias Toffoli coleciona uma série de decisões e julgamentos que causaram controvérsia em sua carreira.
Indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu nome esteve cercado de críticas na época, especialmente pela sua ligação com o Partido dos Trabalhadores.

O mais recente foi protocolado por um grupo de senadores que o acusam de crime de responsabilidade por sua atuação no caso do Banco Master.
O Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 e é investigado por um suposto esquema de fraudes financeiras.
Em dezembro, Toffoli passou a ser responsável pelo inquérito, após aceitar um pedido da defesa para que o caso subisse para o STF.
A condução da investigação sobre o Banco Master pelo ministro acumula uma série de questionamentos sobre suas relações pessoais e tem causado desconforto dentro do STF.
O episódio mais recente envolve um resort em Ribeirão Claro, no Paraná, que liga pessoas investigadas no caso a familiares de Toffoli.
Segundo o jornal O Estado de São Paulo, dois irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio, foram sócios do empreendimento, o resort Tayayá, entre dezembro 2020 e fevereiro de 2025, por meio da Maridt Participações, uma empresa registrada no nome dos dois.
Clique para se inscrever Fim do Whatsapp! Em 2021, uma fatia da participação foi vendida a um fundo de investimentos que, segundo apuração do Estadão, tinha como dono o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
Em resposta à reportagem, ele confirmou que foi cotista do fundo, dizendo ter deixado o investimento em 2022 e destacando que ele foi liquidado em 2025.
Vorcaro e Zettel chegaram a ser presos durante a Operação Compliance Zero, que investiga as possíveis fraudes envolvendo o banco.
Zettel foi detido temporariamente durante a deflagração da segunda fase da operação, segundo a Polícia Federal, para preservar seu sigilo.
Vorcaro está atualmente em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Sua defesa tem afirmado que ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência".
A empresa dos irmãos de Toffoli, que não tem mais participação na gestão do resort desde 2025, tem o endereço registrado em uma casa em Marília, em São Paulo, ainda de acordo com o jornal.
Uma equipe da publicação esteve no local e encontrou a esposa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro.
Ela disse que mora no local e negou que o marido tenha sido dono do empreendimento.

Uma reportagem do Metrópoles mostrou que Toffoli passou pelo menos 168 dias no Tayayá desde dezembro de 2022.
As diárias dos seguranças do ministro nessas viagens teriam consumido R$ 548,9 mil dos cofres públicos, segundo apuração da publicação.
O resort também é usado pelo ministro para receber políticos e empresários.
Um vídeo divulgado pelo Metrópoles nesta quinta-feira (22/1) mostra o ministro recebendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o empresário Luiz Pastore.
O encontro teria ocorrido em 25 de janeiro de 2023.
Pastore é o dono de um jatinho no qual Toffoli viajou em novembro para ir a um jogo da Libertadores em Lima, no Peru.
No avião também estava