Como Casares foi de presidente com amplo apoio até perder prestígio no São Paulo 1:34 Crédito: Leonardo Catto/Estadão O Conselho Deliberativo do São Paulo votará na sexta-feira (16) o pedido de impeachment de Julio Casares.
São necessários 75% dos votos — 171 dos 254 conselheiros aptos a votar — para que o presidente seja destituído do cargo.
PUBLICIDADE O resultado da votação ainda é difícil de prever.
Nas últimas semanas, a coalizão que dava apoio político para o cartola se desmanchou, com a saída de grupos.
Entre os motivos para a debandada, está a crise de imagem da administração de Casares.
Em cerca de um mês, foram reveladas suspeitas de corrupção na gestão do clube.
A Polícia Civil conduz inquéritos, o Ministério Público acaba de se juntar à força-tarefa, e a imprensa tem publicado tanto resultados da investigação quanto outras acusações.
Diante da quantidade de casos em andamento, não necessariamente relacionados, o Sport Insider faz a compilação das informações trazidas à tona, para facilitar a compreensão do torcedor e do mercado sobre o que pode derrubar o mandatário.
O caso do camarote

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A primeira denúncia foi revelada em 15 de dezembro, pelo ge, com base em áudios incluídos em disputa judicial que envolve Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária da exploração de um camarote no Morumbi; Douglas Schwartzmann, diretor adjunto da base do São Paulo e aliado de Julio Casares; e Mara Casares, ex-esposa do presidente e até então diretora feminina, cultural e de eventos do clube.
Publicidade O camarote 3A, no setor leste do estádio, foi repassado para que Adriana vendesse a terceiros ingressos para o show da cantora colombiana Shakira.
A intermediária alega que foi lesada por uma empresa de eventos, que teria comprado as entradas por R$ 132 mil e pagado somente R$ 100 mil.
Ela entrou na Justiça para receber o valor.
Quando o caso foi judicializado, Douglas e Mara passaram a fazer pressão sobre a intermediária, para que ela abandonasse a cobrança.
Em áudio, o diretor do São Paulo admite que o repasse do camarote era feito de maneira “clandestina”.
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“Nós três sabemos como foi feito.
Você não é boba, nem eu nem ninguém.
Isso foi feito de forma indevida.
Foi feito um favor.
E você está gastando um favor, queimando as pessoas que te ajudaram.
O erro seu lá atrás deu um prejuízo, acabou.
Não tem recuperação, querida.
Não tem”, disse Douglas em conversa com Adriana.
Mara e Douglas afirmaram, em notas separadas, que não receberam dinheiro pela cessão do camarote.
Mara admitiu que a cessão do camarote para Adriana fora viabilizada por sua diretoria no clube, mas alegou que não havia dado autorização para a revenda dos ingressos.
Já Douglas disse que tentara sanar a disputa, a fim de evitar desgastes para o São Paulo, e se eximiu de participar da operação comercial.
A entrada da Polícia Civil e do MP-SP
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A Polícia Civil passou a investigar o São Paulo depois de ter recebido, pelos Correios, uma denúncia anônima.
Tiago Correia é o delegado responsável pelo caso.
Ele disse que o autor da denúncia afirma haver desvios “estruturados e sistemáticos” no clube.
O inquérito é a base da reportagem veiculada pelo Fantástico, no domingo (11).
Publicidade A polícia revelou ter tido acesso às contas são-paulinas.
O relatório produzido por ela aponta para 35 saques em espécie, entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.
PUBLICIDADE Os primeiros dois saques foram feitos por um ex-funcionário da associação.
Todos os outros ocorreram com o apoio de uma empresa de carros-fortes, na boca do caixa.
Segundo o delegado, a escolha por esse meio dificulta o rastreio do dinheiro.
A investigação também identificou uma série de depósitos feitos em conta bancária conjunta de Julio e Mara Casares.
Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, foi depositado R$ 1,5 milhão em espécie na conta do casal.
O ponto que os investigadores tentam desvendar neste momento é se há ligação entre os saques, no caixa do São Paulo, e os depósitos, na conta dos dirigent