Corpo do autor Manoel Carlos é velado no Rio
Informação foi confirmada pela produtora da família, a Boa Palavra; causa da morte não foi divulgada
ALAOR FILHO/ESTADÃO CONTEÚDO Um dos pioneiros da televisão brasileira, Manoel Carlos iniciou sua carreira como ator na década de 1950
Manoel Carlos, um dos mais conhecidos autores de novela do Brasil, morreu neste sábado (10), aos 92 anos de idade.
A informação foi confirmada pela produtora da família, a Boa Palavra.
“O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos.
A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, consta em comunicado.

Além de atuar, Maneco, como era chamado pela família e amigos, adaptava peças de teatro para a televisão, os chamados teleteatros.
Certa vez, em entrevista a Jô Soares, Maneco afirmou que não era um ator “brilhante”, mas que também não chegava a ser “péssimo”.
“Como eu que adaptava (as obras), sempre escrevia um papel para mim”, disse.

Em seguida, na TV Record, formou, ao lado de Nilton Travesso, Tuta de Carvalho e Raul Duarte, a Equipe A.
Eles eram responsáveis por produzir e dirigir programas que entraram para história da televisão brasileira, como o humorístico A Família Trapo, a competição musical Esta Noite se Improvisa e musical O Fino da Bossa, com Elis Regina e Jair Rodrigues no comando.
Trabalhou ainda com Jô Soares, Hebe Camargo e Ronnie Von.
Com o declínio da TV Record e o esvaziamento dos festivais de música brasileira, Maneco se transferiu para a TV Globo e a participou da criação do semanal Fantástico, ao lado de profissionais como Nilton Travesso, Armando Nogueira, Daniel Filho e Alice-Maria.
Em 1978, Manoel Carlos deu início ao ofício que o consagraria.
Passou a ser autor de telenovelas diárias.
A estreia foi com Maria, Maria, baseada no romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha.
Com ares de superprodução, a trama fez sucesso no horário das seis da tarde.
Quatro meses após o término de Maria, Maria, outra adaptação de Maneco entrou no ar, também no horário das seis.
A Sucessora, uma adaptação do romance homônimo de Carolina Nabuco.
A protagonista foi a atriz Susana Vieira, que interpretou Marina, uma moça simples que se casa com o milionário Roberto Steen, personagem de Rubens de Falco.
No fim dos anos 1970, Maneco fez parte da equipe de roteiristas do seriado Malu Mulher, um marco na teledramaturgia brasileira ao abordar questões como feminismo, divórcio, aborto, violência doméstica, orgasmo, entre outros.
A série foi estrelada pela atriz Regina Duarte, que, posteriormente, protagonizou três novelas do autor, História de Amor (1995), Por Amor (1997) e Páginas da Vida (2006).

Foi a primeira novela solo do autor no cobiçado horário das oito.
Segundo o autor, a preferência pelo nome Helena não era por causa de nenhuma mulher em especial, mas sim pela admiração que ele tinha pela história mitológica de Helena de Troia, pela força e independência da personagem.
A primeira Helena coube à atriz Lilian Lemmertz.
Uma mulher comum e batalhadora, que vivia presa em uma mentira que sustentou por anos a fio.
O ponto alto da novela foi quando os gêmeos Quinzinho e João Vitor, filhos de Helena, interpretados por Tony Ramos, mas criados separados, finalmente se enc