Como um gaúcho abriu 15 lanchonetes na Bolívia para servir xis, sanduíche típico do RS, a 2 mil km de distância de casa

Omar Schirmer saiu de Santa Maria, a "cidade do xis", para Santa Cruz de la Sierra, onde começou com uma barraquinha em 1990.


  • Omar Bordin Schirmer, natural de Santa Maria (RS), mudou-se para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após se casar.

  • Ele começou o negócio em 1990 com uma barraquinha, mesmo sem experiência prévia em fazer o lanche, e expandiu para 15 unidades.

  • O sucesso do xis na Bolívia se deve, em parte, ao horário de funcionamento estendido e à manutenção da receita original gaúcha.

  • Omar também é proprietário de uma fábrica artesanal de bacon, ingrediente essencial para os lanches, e destaca que "o que não pode faltar são os molhos".

Omar Bordin Schirmer, fundador do Santa María Fast Food, com a irmã, Elisabeth — Foto: Arquivo pessoal

O xis de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, é considerado por muitos gaúchos o melhor do estado. Em fevereiro, a prefeitura lançou o Programa Xis, iniciativa que busca consolidar o lanche como patrimônio gastronômico identitário da cidade, tornando-a a Capital do Xis.

🍔 Xis é um sanduíche feito com: pão, bife, ovo, queijo, salada e molhos. Os "sabores" podem variar (xis galinha, xis coração, xis filé…). Ele é prensado na chapa, o que deixa o pão redondo levemente crocante.

Nascido e criado no município, Omar Bordin Schirmer sempre foi um apaixonado pelo lanche. Aos 24 anos, quando se casou com uma boliviana e se mudou para o país, decidiu vender xis em Santa Cruz de la Sierra, cidade mais populosa da Bolívia, com quase 2 milhões de habitantes.

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A ideia veio da irmã, Elisabeth Schirmer, que havia se mudado para a Bolívia. Como ele perdeu o emprego em um hotel, decidiu também se mudar e abrir o negócio. "Nunca tinha feito xis na vida. Só ia comer", brinca.

Assim como no RS, o xis faz sucesso por lá. Um dos diferenciais foi que a lanchonete ficava aberta até a madrugada, o que não era costume dos demais restaurantes da cidade na época.

A atividade, que começou em 1990 com uma barraquinha, se consolidou. Atualmente, Schirmer é dono de 15 lanchonetes. "Eu trabalhei três anos dentro de um quiosque fazendo xis. Depois de três anos eu abri a primeira loja e aí foi indo, aí não parou mais. Agora tenho meu filho que me ajuda", conta.

O desafio do início foi conseguir reproduzir a receita do pão de xis. "Não tinha esse pão aqui. Nós tínhamos que ir falar com os padeiros e aí voltava. Até que engrenou. A única diferença do xis daqui é o pão. Porque o que a gente faz aqui é um pouquinho mais leve. Não é tão ‘massudo’ e pesado. Eu tenho duas padarias que me atendem", explica.

Schirmer também é dono de uma fábrica artesanal de bacon, ingrediente usado na maioria dos lanches servidos.

O empresário destaca que o xis servido na Bolívia é igual ao do RS: "O que não pode faltar são os molhos, 'salsa' que dizem aqui, ketchup, maionese, mostarda. O que mais sai aqui é o filé, o coração e o hambúrguer", conclui.

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