Celular resistente à água: entenda por que a proteção não dura para sempre
Fabricantes alertam que vedação contra líquidos e poeira diminui com o tempo e o uso. Quedas, mesmo sem quebra, podem acelerar o desgaste.
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A certificação IP de resistência à água e poeira em celulares não é duradoura, perdendo eficácia com o uso cotidiano.
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Fabricantes devem detalhar as condições e limites da proteção, pois a falta de clareza pode violar o Código de Defesa do Consumidor.
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Danos por líquidos nem sempre são cobertos pela garantia, levando a recusas de reparo e multas a empresas, como já ocorreu com a Apple em 2020.
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A resistência é testada apenas em água doce e laboratório, não garantindo proteção em ambientes como praia ou piscina.
Celular resistente à água: entenda por que a proteção não dura para sempre
Seu celular caiu na água e sobreviveu? Isso provavelmente aconteceu porque o aparelho tem alguma certificação de resistência a líquidos e poeira, como a IP67 ou a IP68.
E se eu comprar um telefone usado que tem esse tipo de proteção, em bom estado de conservação, a vedação segue valendo? Essa foi uma das dúvidas de um dos leitores do g1 na reportagem sobre o que fazer se o celular cair na água.
O que muita gente não sabe é que essa proteção IP não é permanente.
Ela se desgasta com o uso diário, quedas e até mesmo com pequenos respingos, um fato confirmado pelas fabricantes consultadas pelo Guia de Compras: Apple, Jovi, Motorola, Oppo, Samsung e Xiaomi.
A proteção IP não é para sempre. Mesmo que o celular seja usado com cuidado e não tenha danos visíveis, a vedação perde eficiência com o tempo devido ao desgaste natural dos componentes.
Não dá para dizer quanto tempo essa proteção vai durar – cada pessoa usa o celular de um jeito diferente.
Quedas, mesmo aquelas que não quebram a tela ou amassam a carcaça, também contribuem para a diminuição da resistência.
E se o aparelho pegar chuva? Se não houver outros danos, basta secá-lo (não use arroz). É comum que a água entre em aberturas como as dos microfones, alto-falantes e portas de conexão, o que pode causar falhas temporárias.
É importante ressaltar que a resistência dos celulares é testada apenas em água doce e em condições controladas de laboratório.
Algumas marcas, como a Samsung, especificam que o aparelho não deve ser usado na praia ou na piscina.
Segundo Igor Marchetti, advogado do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), quando uma fabricante anuncia que seu produto é resistente à água, "ela precisa trazer todas as condições e limites dessa resistência de forma clara e objetiva".
"As informações de exceções à garantia dos produtos devem ser visíveis ao consumidor", explica o advogado. Caso contrário, a prática pode violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC), principalmente o direito à informação.
O que as empresas geralmente fazem é divulgar essas condições em notas de rodapé ou em páginas de suporte em seus sites, quase sempre com letras pequenas.
Se o celular apresentar um defeito durante o período da garantia, a assistência técnica consegue verificar se entrou água no aparelho. Caso isso seja detectado, o reparo em garantia é negado.
Isso gerou uma notificação contra a Apple em 2020, quando 21 clientes acionaram o Procon-SP. O órgão pediu que a empresa explicasse a recusa de conserto para iPhones danificados por água, mesmo dentro da garantia.
Em 2021, o Procon-SP multou a Apple em R$ 10 milhões pela venda de iPhones sem carregador e citou a publicidade sobre a resistência à água como "enganosa".
Em seu site oficial, a Apple afirma que "danos por líquido não são cobertos pela garantia", mas reconhece que o cliente "talvez tenha direitos conforme o Código de Defesa do Consumidor”.
Marchetti, do Idec, recomenda que o consumidor observe atentamente as especificações de uso e os limites de resistência do celular antes da compra.
Segundo ele, a ausência dessa informação de forma clara pode ser considerada um "defeito do produto, passível de responsabilização caso o consumidor seja frustrado”.
Qual o nível de proteção do seu aparelho?
Os fabricantes de smartphones certificam seus os equipamentos pela classificação IP (ingress protection). Essa informação está presente nos sites dos fabricantes e no manual dos celulares.
Esse é um código criado pela IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional, em inglês) que ajuda a identificar a proteção e a resistência dos aparelhos contra poeira, impacto e líquidos.
O primeiro dígito da classificação informa a proteção contra objetos sólidos. O segundo dígito, a proteção contra água:
O que significam os números na proteção IP?
Veja a seguir uma lista de aparelhos com proteção IP67 e IP68 à venda nas lojas on-line. Os preços, consultados no meio de fevereiro, iam de R$ 2.200 a R$ 7.200.
Samsung Galaxy A56
Xiaomi Redmi Note 15 Pro
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