Cais das Artes: última obra de Paulo Mendes da Rocha é inaugurada 4 anos após morte do arquiteto
O Cais das Artes, em Vitória, começou a ser inaugurado nesta quinta-feira (2), quatro anos após a morte do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, responsável pelo projeto. A abertura do museu marca a primeira etapa de funcionamento do complexo cultural, que já custou R$ 315 milhões e ainda não está concluído.
A previsão do governo do Espírito Santo é que toda a estrutura esteja pronta até dezembro de 2026. Dados do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) indicam que a obra está com 69,87% de execução.
Antes mesmo da abertura oficial, cerca de 180 trabalhadores que atuam na obra (que continua em andamento) tiveram acesso antecipado ao espaço, nesta quarta-feira (1º). Eles visitaram, em primeira mão, a exposição "Amazônia", do fotógrafo Sebastião Salgado, que inaugura o museu. O espaço também já pode ser visitado pelo público geral.
Antes mesmo de sair do papel, o Cais das Artes já chamava atenção pela grandiosidade e prometia ser um complexo de cultura de referência internacional, a começar pela assinatura do projeto arquitetônico.
Cais das Artes, em Vitória, no Espírito Santo, na inauguração do museu — Foto: Viviane Machado/ g1
Projeto começou em 2007 e previa estrutura de grande porte
O Cais das Artes foi idealizado em 2007 como um dos principais projetos culturais do estado, ainda na gestão do ex-governador Paulo Hartung.
O plano original previa um complexo com teatro para cerca de 1,3 mil pessoas, museu, biblioteca, auditório, café, livraria e uma praça pública, com proposta de inserir o Espírito Santo no circuito internacional das artes.
O arquiteto e urbanista brasileiro Paulo Mendes da Rocha na mesa 'Paraty, Veneza no Atlântico Sul'. — Foto: Flavio Moraes/G1
Em entrevista em 2020 ao jornal A Gazeta, Paulo Mendes da Rocha destacou que o teatro foi pensado para receber grandes espetáculos, como óperas, com estrutura técnica completa, incluindo fosso de orquestra.
Sobre o museu, o arquiteto afirmou que o espaço deveria ir além de grandes exposições e também ter foco educativo, citando como exemplo o MoMA, em Nova York.
O Cais das Artes é a última obra do arquiteto a entrar em operação.
Exposição Amazônia, de Sebastião Salgado, no Cais das Artes, no Espírito Santo — Foto: Viviane Machado/g1
Obra enfrentou atrasos e paralisações
As obras começaram em 2010, mas passaram por sucessivas paralisações ao longo dos anos, com suspeitas de irregularidades, problemas contratuais e aumento de custos.
O projeto ficou mais de uma década sem avanço significativo e chegou a ter partes da estrutura deterioradas.
Obra do Cais das Artes começou em 2010, em Vitória, no Espírito Santo. — Foto: TV Gazeta
A retomada das obras aconteceu apenas em 2023, já no governo de Renato Casagrande. Segundo o governador, foi necessário um acordo envolvendo órgãos de controle para viabilizar a continuidade do projeto.
“Assumimos uma obra totalmente paralisada em 2019, conseguimos fazer um acordo envolvendo o Tribunal de Contas e o Judiciário, e agora estamos realizando esse sonho da população capixaba”, disse Casagrande.
Funcionamento parcial
Apesar da inauguração do museu, o Cais das Artes ainda funciona de forma parcial.
A expectativa é que novos espaços sejam liberados gradualmente, como auditório, café e áreas externas. O teatro, considerado uma das principais estruturas do complexo, deve ser entregue apenas no fim de 2026.
Obra do teatro do Cais das Artes, em Vitória, no Espírito Santo, no dia da inauguração do museu — Foto: Viviane Machado/ g1
O secretário de Cultura do estado, Fabrício Noronha, destacou a experiência do público no espaço e rebateu críticas ao projeto.
“Para quem acha que é um ‘caixote’ tampando a vista, o convite é vir aqui e ter a experiência. O prédio se integra com a paisagem. É uma experiência única”, afirmou.
Segundo ele, a abertura do museu é apenas o início da ocupação do espaço, que deve receber exposições, shows, teatro e outras atividades culturais nos próximos meses.
A gestão do espaço é feita em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).
De acordo com o diretor da instituição, Rodrigo Rossi, a proposta é transformar o Cais das Artes em um equipamento conectado a uma rede internacional de cultura.
“A gente enxerga um potencial enorme nesse espaço. A ideia é trazer projetos, exposições e colocar o Espírito Santo em diálogo com o que é produzido no Brasil e no mundo”, disse.
Vista do Cais das Artes, em Vitória, no Espírito Santo — Foto: Viviane Machado/g1