Morreu neste domingo (28/12), aos 91 anos, a atriz francesa Brigitte Bardot.
Mundialmente famosa desde a década de 1950, ela encarnou durante anos um ideal de sensualidade feminina, antes de deixar o cinema e se engajar na defesa dos animais.
Estrela de uma época, a artista viveu por um tempo no Brasil e ajudou a tornar célebre a praia de Búzios no mundo.
Ela voltou a ser destaque recentemente por seus polêmicos posicionamentos políticos.
Ícone de uma geração, o fenômeno Bardot explodiu em 1956, quando a atriz tinha 22 anos.
Diante das câmeras de seu então marido, o cineasta Roger Vadim, ela interpretou a protagonista do filme “E Deus Criou a Mulher”, que a tornou uma das mulheres mais cobiçadas e imitadas do mundo.
Apesar de uma carreira relativamente curta no cinema, que durou entre 1952 e 1972, a musa francesa, conhecida na juventude por sua cara de criança caprichosa, marcou uma época.
Nos anos 60, BB, como é apelidada pelos franceses, estrelou dois grandes clássicos: “A Verdade”, de Henri-Georges Clouzot (1960), e “O Desprezo”, de Jean-Luc Godard (1963).
O restante de sua carreira foi marcado por filmes que tiveram menos sucesso, como “Amar é minha profissão”, de Claude Autant-Lara, “Viva Maria!”, de Louis Malle (1965), no qual contracenou – e cantou – com Jeanne Moreau, “O Repouso do Guerreiro”, dirigido novamente por Vadim (1964), ou ainda o pitoresco western “As Petroleiras”, de Christian-Jaque (1971), em que dividiu a tela com Claudia Cardinale.

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Em 1967, ela se reinventou como cantora, com um relativo sucesso.
Colaborou com Serge Gainsbourg, interpretando músicas marcantes como Harley Davidson e Bonnie and Clyde, que fazem dançar os franceses até hoje.
BB: Bardot e o Brasil
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Brigitte Bardot parecia ser tão livre na vida real quanto os personagens que interpretava nas telas.
Se chamou a atenção ao aparecer de biquini no Festival de Cannes em 1953, também surpreendeu ao comparecer a uma visita ao Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, para um evento oficial com o general De Gaulle, usando calças.
Uma provocação para os padrões da época, onde mulheres só participavam desse tipo de ocasião com saias ou vestidos.
Mas essa liberdade também se exprimiu com uma vida pontuada por muitos casos de amor, quase sempre com celebridades e amplamente cobertos pela imprensa.
Além de Vadim, ela se envolveu com os atores Jean-Louis Trintignant, Jacques Charrier e Sami Frey, os músicos Gilbert Bécaud, Serge Gainsbourg e Sacha Distel, e ainda com o fotógrafo Gunter Sachs, antes de se casar com o empresário Bernard d’Ormale.
Uma vida amorosa agitada, que também ajudou a torná-la um símbolo de liberdade feminina em plena revolução sexual.
“Ela faz o que lhe agrada, e é isso que perturba”, resumiu Simone de Beauvoir.
Em meio a todos esses amores, ela também teve outra paixão: o Brasil.
Acompanhada por seu namorado da época, o franco-marroquino Bob Zagury, a francesa desembarcou no aeroporto do Rio de Janeiro em janeiro de 1964.
Recebida por 200 jornalistas e fotógrafos, ela se trancou em um apartamento por três dias antes de conceder uma entrevista coletiva, em troca de alguns dias de tranquilidade.
Para surpresa de todos, boa parte da imprensa aceitou o acordo, e a atriz fugiu em seguida para Búzios.
Gostou tanto do que, na época, era praticamente uma aldeia, sem nenhuma infraestrutura, que morou lá por mais de três meses.
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Bardot ainda voltou a Búzios em dezembro do mesmo ano, onde passou o Natal e o Réveillon.
Mas desta vez os paparazzi não lhe deram paz, e a viagem durou apenas 10 dias.
Mesmo assim, nunca esqueceu a estadia no Brasil, onde conseguiu ter, por alguns meses, uma vida longe dos holofotes.
“Guardo recordações únicas.
Uma lembrança mágica, magnífica”, disse a atriz em entrevista à RFI em 2017, quando lançava o livro “Répliques et Piques” (“Respostas e Alfinetadas”, em tradução livre), uma coletânea de frases da estrela, reunidas por François Bagnaud.
“Na época era apenas uma aldeia de pescadores sem água en