Apenas 52 dias após a última rodada do campeonato de 2025, na quarta-feira começa o Brasileirão de 2026.
Curiosamente, o intervalo é idêntico ao que haverá entre a 18ª e a 19ª rodadas do torneio deste ano, que será interrompido pela versão ampliada da Copa do Mundo.
Se há algo familiar na nova edição do Brasileiro é que Flamengo e Palmeiras largam com a expectativa de uma nova disputa direta: têm as maiores receitas e os melhores elencos do país.
O que muda é o olhar sobre o Cruzeiro: a contratação de Gérson por valores que podem chegar a R$ 185 milhões parece consolidar a inclusão do clube mineiro no grupo dos favoritos.
No mais, tudo é uma imensa novidade no primeiro Campeonato Brasileiro após a maior revolução do calendário nacional desde 2003, quando o país adotou os pontos corridos.
Há avanços, mas imperfeições mantidas pela estrutura política que ainda conserva o poder das federações estaduais.
Um dos resultados é uma curiosa e inédita interferência na largada do torneio nacional.

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As quatro primeiras rodadas do Brasileirão serão intercaladas com os Estaduais.
Na quarta-feira, três dias após um fim de semana de clássicos pelo país, teremos respostas importantes.
Primeiro, saber se a percepção de que o Campeonato Brasileiro é a disputa mais nobre do país vai se impor à pressão das rivalidades locais.
E mais: quando os Estaduais chegarem às finais, teremos clubes obrigados a administrar o peso dos resultados, o barulho momentâneo de uma final ganha ou perdida para um rival.
Será a hora de lembrar que títulos locais geram uma paz que é passageira.
Façamos um exercício.
Campeão gaúcho sobre o Grêmio, o Internacional encerrou 2025 com uma imagem ruim, um balanço claramente negativo porque foi mal no Brasileiro e na Libertadores.
O Palmeiras, mesmo tendo competido bem nos torneios nacional e continental, acabou o ano sob cobranças.
Ocorre que o Paulistão só foi incluído na conta porque a derrota para o Corinthians servia para engrossar a lista de títulos não vencidos.
Mesmo se tivesse sido campeão estadual, a conta permaneceria no débito aos olhos da arquibancada.
Já o Flamengo será lembrado como o melhor time do país em 2026 muito mais pela dobradinha de Brasileiro e Libertadores do que pelo título carioca.
Estaduais não sustentam mais um balanço positivo de uma temporada.
Por vezes, joga-se mais pela dor de cabeça que se evita ao perder, do que pela glória do troféu erguido.
É uma alegria com prazo de validade curto.
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Há outras interrogações neste novo formato do Brasileirão.
Os favoritos estarão prontos para competir desde 28 de janeiro? O Flamengo, diante das ciladas do regulamento do Carioca, teve que apressar processos.
Outra questão é o caráter peculiar desta curta pré-temporada.
O habitual é construir uma base física para competir até dezembro, mas uma interrupção de 52 dias cria algo diferente: não se trata de uma maratona de janeiro a dezembro, mas de duas temporadas distintas de cinco meses.
A paralisação permitirá repaginar times, recuperar pernas de quem não for à Copa do Mundo, ganhar novo fôlego.
No fim, o que está posto é um alerta sobre planejamento.
A atual janela de transferências ganhou importância.
Em 2025, os elencos construídos no início do ano disputaram entre 11 e 12 rodadas do Brasileiro, quando o torneio parou para a Copa do Mundo de Clubes.
Em 2026, serão 18 rodadas até a parada da Copa do Mundo, ou seja, quase metade do campeonato.
Quando a janela reabrir, 54 pontos já terão sido disputados.

O Brasileirão 2026 seguirá com a mesma participação de clubes no modelo Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
No ano passado, a competição teve seis representantes entre os 20 times sob o modelo de gestão empresarial, o que representa 30% do total, percentual mantido na atual edição do torneio.
Entretanto, o campeonato ganha um novo clube SAF, promovido da Série B na temporada passada.

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