Depois de conseguir o envio da investigação sobre o Master para o Supremo Tribunal Federal e a decretação de sigilo absoluto no caso, a próxima etapa da estratégia de defesa do banco já está em andamento.
O objetivo é minar a credibilidade do Banco Central e desmontar o trabalho que levou à liquidação do Master para revertê-la e, no limite, quem sabe até receber algum tipo de ressarcimento.
O plano já foi desenhado pelos advogados do Master nas manifestações feitas tanto ao próprio Supremo como ao Tribunal de Contas da União, no processo em que o ministro Jhonatan de Jesus pediu esclarecimentos ao BC sobre a “decisão extrema” de liquidar o banco de Vorcaro.
Para que o estratagema dê certo, porém, é preciso criar fatos para justificar uma decisão de Toffoli contra os diretores e técnicos do BC.
O histórico do ministro autoriza supor que ele tem chance de prosperar.
Desde que embarcou no jatinho de um amigo empresário junto com o advogado de um dos investigados no caso para ir a Lima assistir a final da Libertadores, Toffoli vem seguindo à risca o script da defesa.
Nos últimos dias, ele já negou tanto o pedido da Procuradoria-Geral da República como o do próprio BC para suspender a acareação entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton Aquino.

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Disse, ainda, que Aquino não é investigado.
Mas colocou os três em pé de igualdade em um procedimento que em tese deveria servir para confrontar versões, mas que se configura esdrúxulo, uma vez que não existe ainda versão alguma, já que ninguém prestou depoimento ainda.
PF: O mistério do envelope citado por amiga de Lulinha em diálogo com Careca do INSS Decisão unânime
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Supondo que Toffoli esteja de fato interessado em saber como o Banco Central atuou nesse caso, seria conveniente tentar entender pelo menos como se chegou à decisão de liquidar o Master.
Primeira informação útil: a liquidação foi decidida com a aprovação unânime da diretoria colegiada do BC, incluindo o voto sim do presidente, Gabriel Galipolo, que em princípio não precisava se manifestar, já que os outros oito diretores eram a favor.
A responsabilidade, portanto, é de toda a cúpula da autarquia.
E ainda: de todos, quem mais resistiu à ideia da liquidação foi o próprio Ailton Aquino, da fiscalização.
Internamente no BC e no sistema financeiro, Aquino era visto como um aliado do Master.
Registros do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sustentado por recursos dos próprios bancos, mostram que houve 38 comunicados oficiais sobre os riscos de liquidez, furos no balanço do Master e outras questões que deveriam levar a uma ação mais contundente do órgão regulatório.
Quase todos os alertas eram dirigidos à área de Aquino, e muitos foram feitos em reuniões presenciais.
Duas pessoas que participaram desses encontros me relataram que a atitude do diretor era sempre a de minimizar os problemas – que foram só se agravando ao longo do tempo.
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A discussão em torno de uma atitude mais drástica em relação ao Master, como intervir ou liquidar, só começou a ganhar corpo a partir de março de 2025, quando o BRB anunciou que compraria 58% do banco de Daniel Volrcaro mas o deixaria comandando a instituição.
Era na prática um mero salvamento, já que a venda não garantiria o controle para o BRB.
Foi no processo de análise dessa operação que outra diretoria, a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, encontrou as fraudes nos contratos de crédito consignado que avalizaram o repasse de R$ 12, 2 bilhões do BRB para o Master pela venda da carteira, antes mesmo da fusão dos dois bancos.
A partir daí deu-se um racha interno, com a área de Renato Gomes propondo intervir no Master e a de Aquino tentando encontrar uma solução que permitisse ao banco seguir operando.
Portanto, o integrante do BC que mais conhece as fraudes e seu mecanismo não é Aquino, e sim Gomes, que até já terminou o mandato.
Os depoimentos ainda não foram marcados, mas há uma te