Análise: situação caótica da Aston Martin mostra que apenas dinheiro não compra vitórias na F1

Jornalista Rodrigo França avalia cenário de crise da equipe de Adrian Newey antes do início do campeonato de 2026


Rodrigo França analisa cenário caótico da Aston Martin antes da estreia da F1 2026

Rodrigo França analisa cenário caótico da Aston Martin antes da estreia da F1 2026

A contratação de Adrian Newey pela Aston Martin foi considerada a grande cartada de Lawrence Stroll para transformar a equipe em uma potencial campeã da F1, mas a estreia do novo carro neste domingo no GP da Austrália tem sido alvo de muitas especulações e até piadas no paddock.

Nesta quinta-feira, no circuito de Albert Park, o dia de mídia e imprensa foi dominado pelas conversas em torno da Aston Martin. Os problemas na pré-temporada foram visíveis e a falta de ritmo da equipe foi explicitada pelos próprios pilotos: Lance Stroll chegou a dizer que estavam mais de três segundos fora do ritmo dos ponteiros no Bahrein.

Fernando Alonso olha seu Aston Martin parado na pista durante os testes da F1 no Bahrein — Foto: Reprodução

Mas a situação ficou ainda mais surreal hoje com uma entrevista de Newey admitindo que as vibrações do carro impedem os pilotos de darem stints longos, superiores a 25 voltas. Falou-se até em dano permanente nos nervos das mãos de Alonso e Stroll caso ficassem expostos a tamanha vibração.

Conversando com os jornalistas logo depois, o espanhol tentou minimizar a declaração, dizendo que, se o carro tivesse condições de brigar por uma vitória, ele estaria disposto a qualquer sacrifício físico neste sentido. No começo da semana, rumores apontavam que a Aston Martin viria para Melbourne apenas para "largar e parar" o carro em poucas voltas – uma tática na Nascar típica de equipes pequenas (chamado de "start and park"), que fazem isso para ganhar apenas o prêmio de largada.

Uma situação como esta na F1, entretanto, é bastante incomum, para não dizer inédita na história recente da categoria. É tão surreal este cenário que rendeu piadas de Valtteri Bottas e Lando Norris quando foram perguntado sobre quem são os favoritos para vencer o GP deste domingo: "Alonso e Stroll", cravou o bem humorado finlandês da Cadillac na entrevista oficial da FIA.

Fernando Alonso retorna aos boxes após quebra na Aston Martin, em testes da F1 2026 — Foto: Sona Maleterova/Getty Images

É curioso pensar que mais uma vez Fernando Alonso começa o ano de forma turbulenta com a Honda – que teve recentemente passagem vitoriosa com Max Verstappen sendo campeão da F1 com os japoneses e a Red Bull.

A situação de Melbourne deve ser bem diferente do que a Aston Martin mostrará nas corridas finais do ano. Ninguém duvida da alta capacidade do verdadeiro "dream team" reunido pela equipe em seu time técnico, liderado pelo multicampeão Adrian Newey. Mas o caso não deixa de refletir que na F1, um esporte onde o investimento é de centenas de milhões de dólares para todas as equipes, e, principalmente, um título mundial.