Alvo da PF, cunhado de Vorcaro doou milhões para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio
As conexões de Daniel Vorcaro e do Banco Master na política e na Justiça
Crédito, Reuters Legenda da foto, Caso do Banco Master está tendo grandes repercussões no sistema financeiro e também no mundo político brasileiro
Author, Daniel Gallas Role, Da BBC News Brasil em Londres
14 janeiro 2026, 13:03 -03 Atualizado Há 13 minutos
Tempo de leitura: 11 min
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e a sua liquidação pelo Banco Central brasileiro colocaram em evidência um personagem do mundo do setor financeiro brasileiro com grandes ligações na política brasileira e também no mundo jurídico: Daniel Vorcaro, fundador e CEO da instituição.

A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele, Fabiano Campos Zettel.
O empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos das buscas.
Foram cumpridos mandados mandados de busca e apreensão em 42 endereços por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Toffoli também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência".
Já José Luis Oliveira Lima, advogado de João Carlos Mansur, disse que "a defesa não teve acesso à investigação, mas registra que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos devidos".
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Clique para se inscrever Fim do Whatsapp! No ano passado, o Master figurava apenas como 22º na lista de maiores bancos brasileiros, segundo um ranking do jornal Valor Econômico.
Com R$ 63 bilhões em ativos financeiros, o Master — que já não existe mais como banco desde que foi liquidado pelo Banco Central em novembro — representava 2% do tamanho do Itaú Unibanco, o maior banco do país, segundo o mesmo ranking.
A liquidação do Master ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do banco para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões — em revelações feitas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, em novembro.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse esta semana que esta pode ser a "maior fraude bancária" do país.
Um dos focos de preocupação nesse sentido seria o impacto da crise no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguradora para quem tinha dinheiro a receber do banco.
A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC.
Os 1,6 milhão de investidores do banco, que detém R$ 41 bilhões em depósitos bancários (CDBs), ainda esperam para ser ressarcidos e o montante representa um terço do caixa do fundo.
Outra medida da importância do banco, que surpreendeu muitos analistas, são as diversas conexões que existem entre Daniel Vorcaro e figuras da política e do judiciário do Brasil.
"O que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e institucional e contaminar isso.
É isso que me assusta", disse Cleveland Prates Teixeira, economista e professor de regula