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Ler matéria →Angela Davis na Flip: relembre a trajetória que fez da autora um ícone do feminismo negro Do ativismo à prisão que mobilizou os Estados Unidos, a filósofa se tornou um símbolo da luta antirracista e uma das vozes mais influentes na contemporaneidade Em, um jovem militante negro entrou armado no tribunal do condado de Marin, na Califórnia, em uma tentativa de libertar três homens negros que estavam presos. Naquele momento, os Estados Unidos viviam um período de intensa efervescência política.
O movimento pelos direitos civis seguia mobilizando o país, a Guerra do Vietnã despertava críticas crescentes, e comunidades negras e grupos de esquerda denunciavam a violência do Estado e defendiam transformações profundas na sociedade. A ação terminou em tragédia. Jonathan Jackson acabou morto, assim como o juiz Harold Haley e os presos James McClain e William Christmas.
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Muito antes de se tornar uma das autoras mais consagradas do pensamento feminista, Angela Davis foi acusada de envolvimento no episódio. Mais de 50 anos depois, Angela Davis chega à Festa Literária de Paraty (Flip) como uma das principais vozes do pensamento feminista, antirracista e abolicionista penal. Embora hoje seja amplamente lembrada por Mulheres, Raça e Classe, obra publicada em 1981 e considerada um marco do feminismo interseccional, a experiência da prisão e da perseguição política foi decisiva para a construção de sua produção intelectual. Leia também: Entretenimento em Destaque: De Michael J. Fox a Xuxa e Festa das Cerejeiras
Davis foi tratada como criminosa pelas autoridades da época, e sua trajetória política passou a ser usada como parte central da acusação. Influenciada pela teoria marxista e engajada na luta por justiça racial, ela era ligada ao Partido Comunista e próxima ao movimento dos Panteras Negras, grupos fortemente reprimidos pela polícia e pelo FBI naquele período. Após saber que estava sendo procurada, Davis temeu por sua vida e decidiu fugir.
Em resposta, o FBI incluiu seu nome na lista dos dez criminosos mais procurados. Cartazes com seu rosto foram espalhados pelo país durante dois meses, até que ela foi localizada em Nova York e presa antes do julgamento. Enquanto esteve sob custódia, uma mobilização internacional se formou em torno de sua libertação.
Comitês, associações civis e apoiadores organizaram reuniões, arrecadaram fundos e pressionaram o sistema judicial. A campanha Libertem Angela Davis buscava enfrentar a narrativa oficial que a retratava como criminosa e transformou a filósofa em símbolo de resistência. Seus olhos cheios de determinação e seu grande afro começaram a surgir em broches, bandeiras e posters pedindo sua libertação, tornando-a um ícone da mobilização pela igualdade racial. Mais de entretenimento
Cerca de um ano e meio após sua prisão, Davis foi solta sob fiança. Depois, acabou inocentada por um júri totalmente branco, em um julgamento que se tornaria um dos processos legais mais emblemáticos do século 20. O período que passou presa e as mulheres negras que conheceu durante seus anos de ativismo motivaram Angela Davis a criticar o feminismo branco e analisar desigualdades de gênero incorporando influências do pensamento marxista.
Essa trajetória culminaria em Mulheres, Raça e Classe, publicado em 1981, obra que, ao lado de Mulheres, Cultura e Política e A Liberdade é uma Luta Constante, tornou a autora uma das mais aclamadas teóricas feministas. Desde então, Davis permaneceu politicamente engajada, defendendo o abolicionismo penal e ampliando o debate sobre justiça racial, gênero e direitos humanos. Por duas vezes, concorreu à vice-presidência dos Estados Unidos pelo Partido Comunista. Leia também: Entretenimento: O que movimentou a semana na música, TV e esportes
Em 1994, retornou à Universidade da Califórnia como especialista em teoria crítica e feminismo negro, recebendo posteriormente o título de professora emérita. Por suas palavras, sua trajetória e a força de sua imagem pública, Angela Davis cujo discurso ultrapassa fronteiras e continua reverberando na literatura. Seu pensamento ultrapassou fronteiras, chegou à literatura, às universidades, aos movimentos sociais e segue mobilizando novas gerações.
Neste sábado (25), a autora, filósofa e ativista participa da Flip, às 18h, no Sesc Caborê, em Paraty, dentro da programação da Casa Sesc na Flip. A mesa, intitulada América e África: uma conversa Atlântica, terá mediação da jornalista Flávia Oliveira e discutirá democracia, direitos humanos, racismo e justiça social.
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