
Crédito, Reuters
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 14 min
"Reeduquei ele", acrescenta ela, reforçando um certo distanciamento entre o marido e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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O conteúdo, que apresenta brevemente a história do casal e a rotina familiar com as duas filhas, faz parte da principal estratégia de campanha do parlamentar para alcançar o Palácio do Planalto: herdar o eleitorado do pai, ao mesmo tempo que busca atrair aqueles que o rejeitam por seu estilo e posições extremas.
No mesmo vídeo, Flávio também diz ser "o Bolsonaro que tomou vacina", em contraponto à conduta do então presidente na pandemia de covid-19, quando levantou dúvidas sobre a eficácia da vacinação e se posicionou contra medidas preventivas, como uso de máscaras e o isolamento social.
Para muitos analistas políticos, a resposta do governo Bolsonaro à crise do coronavírus foi o principal motivo para ele ter perdido a tentativa de reeleição em 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, agora, deve enfrentar seu filho em outubro. Leia também: Ligação de Flávio Bolsonaro e Vorcaro abre crise na campanha bolsonarista
Ambos despontam como os candidatos mais fortes na corrida presidencial, após Flávio subir rapidamente nas intenções de voto, desde que anunciou, em dezembro, ter sido escolhido por seu pai para disputar a presidência pelo PL. Segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, os dois aparecem empatados em um eventual segundo turno.
Os planos de Flávio, porém, podem ter sofrido um abalo nesta quarta-feira (13/5), com a revelação de que manteve conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro cobrando aportes milionários em para a produção de um filme em homenagem ao seu pai.
Segundo o portal Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra no ano passado e Flávio teria feito contatos cobrando a liberação dos valores restantes do acordo de financiamento, que chegaria a R$ 134 milhões.
Fim do Promoção Agregador de pesquisas Mais de mundo
O senador nega qualquer ilegalidade, mas agora terá que responder na campanha pela proximidade com um dos nomes mais tóxicos da política brasileira — Vorcaro está preso negociando um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades.
"No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. (...) Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", disse em nota.
A conexão com Vorcaro se soma a denúncias antigas que assombram o concorrente presidencial, como suspeitas de rachadinha (desvio de verba parlamentar) e vínculo com o miliciano Adriano da Nóbrega, ambas da época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro — Flávio também nega as acusações. Leia também: 'Crise de proporções ainda incalculáveis': como a imprensa internacional
Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o desafio para sua campanha aumentou.
"Flávio precisa desconstruir a rejeição dele atrelada ao sobrenome e aos casos de corrupção. Ao mesmo tempo, ele tenta construir uma imagem de gestor diferente do pai, de um Bolsonaro moderado, que tomou vacina e alguém experiente, ainda que não tenha experiência de gestão", afirma.
"Esse caso [envolvendo Vorcaro] vem como um balde de água fria nesse processo de desconstrução que estava sendo feito", ressalta.
Bolsonarismo moderado?

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Enquanto Flávio tenta construir uma versão suave do seu mentor, o lado petista investe na ideia de que "não existe Bolsonaro moderado" e que Flávio defende as mesmas agendas do ex-presidente.
A estratégia nas redes

'Ele não é moderado, ele é fraco!'

A entrada na política aos 19 anos e o passado no Rio de Janeiro

As acusações de vínculos com milicianos
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