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Vila Mariana, em SP, vive boom imobiliário que parece não ter hora para acabar

Não deve existir nada tão emblemático, e certamente nada mais tocante, do que o filme "Amora", de Ana Petta, como documento visual a registrar as mudanças

Vila Mariana, em SP, vive boom imobiliário que parece não ter hora para acabar

Não deve existir nada tão emblemático, e certamente nada mais tocante, do que o filme "Amora", de Ana Petta, como documento visual a registrar as mudanças vertiginosas por que passa a cidade de São Paulo. Ana viveu com os filhos Maria e Pedro numa vilinha com casas quase centenárias na Vila Mariana, e é da iminente verticalização da vila, e da luta de sua família e de seus vizinhos para deter esse processo, de que fala a produção. O documentário foi lançado em 2025, bem antes da demolição dos imóveis, sem autorização da prefeitura, no último dia 13, sábado da estreia do Brasil na Copa, contra Marrocos.

O alvará de demolição havia caducado e, segundo os moradores, ainda caberia recurso à decisão do Conpresp pelo arquivamento da abertura do processo. Responsável pela conservação do patrimônio cultural, histórico e ambiental da cidade, o órgão considerou que os imóveis estavam descaracterizados e em mau estado de conservação. O processo levou 13 anos para começar a ser apreciado, em 2019.

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A Vila Mariana, lar de cerca de 130 mil pessoas, é um distrito em total transformação. Segundo o Secovi, 4.748 apartamentos novos foram lançados entre junho de 2025 e maio deste ano; considerados 24 meses até maio, foram quase 11 mil unidades lançadas, número apreciável para uma região já bastante valorizada, com metro quadrado cotado a R$ 14.759, 23% acima da média da capital, segundo números de junho do índice FipeZap. Leia também: Vila Mariana acessível, Saúde tem morador fiel, metrô e okonomiyaki

Se tomarmos como comparação distritos de perfis demográficos similares aos da Vila Mariana, o quadro fica ainda mais eloquente. Entre junho de 2025 e maio de 2026, Pinheiros teve 2.785 lançamentos; Perdizes, com metrô novo e tudo, 617; Moema, 3.020.

Grifes do mercado imobiliário levantam tapumes por ali: SKR, Vitacon, Trisul, Even, Helbor e outras têm projetos na região, servida por três linhas do metrô, possui equipamentos culturais importantes —duas unidades do Sesc, Cinemateca, Casa Modernista, Museu Lasar Segall, entre outros—, está na vizinhança dos parques Ibirapuera e da Aclimação e ainda engloba áreas ditas nobres como a Vila Clementino e a Chácara Klabin. São da SKR dois projetos distintos na "cotê

" Clementino da Mariana, o Casa Ibirapuera, em "joint" com a Cyrela, com vista desimpedida para o parque Ibirapuera, wellness club, quadra de tênis, spa e lounge bar; e o Leaf, na rua Loefgren, um vistoso empreendimento misto, com lajes corporativas, estúdios e apartamentos de 125 m² a 165 m². O Casa Ibirapuera, segundo Rodrigo Putinato, CEO da SKR, já foi totalmente vendido; o Leaf tem 25% de suas unidades ainda disponíveis. Mais de economia

O executivo destaca que a região tem "metrô, faculdades e hospitais" e pede produtos "super diferenciados". " O Leaf tem vista incrível, lazer em andar alto, é um produto arquitetônico premiado", diz, aludindo ao reconhecimento em 2022 do Urban Design and Architecture Design Awards ao projeto com andares assimétricos e pilares ostensivamente expostos do escritório transnacional Perkins & Will.

A Vitacon também tem diversos empreendimentos no distrito, somando mais de 2.500 unidades com valor geral de vendas (VGV) de cerca de R$ 1,3 bilhão. Para João Henrique Firmino, diretor de Marketing da Vitacon, os produtos na região "têm o DNA dos demais da empresa na cidade", ou seja, são voltados para a locação de curta permanência e para atender especialmente às demandas dos millennials, público prioritário da Vitacon, que pede "mobilidade, vida comunitária e a integração das pessoas". Na Vila Mariana, contudo, a vizinhança de universidades como Unifesp, ESPM e Belas Artes radicaliza a tese, com um morador ainda mais jovem a reclamar "ativações" e ambientes customizados —como um estúdio de produção de podcasts. Leia também: 'Minha Casa, Minha Vida é tão bem estruturado que está acima de qualquer

Firmino diz que a Vitacon mantém "parcerias " regulares com universidades (como a FGV e o Insper) para fomentar inovações tecnológicas e para, por meio de pesquisas, entender melhor as demandas de seu público. Aprimorar a vedação acústica dos apartamentos e a digitalização, com todos os serviços em um mesmo aplicativo, foram alguns dos ganhos daí advindos, segundo o executivo.

No mais recente Mapa da Desigualdade, produzido pela Rede Nossa São Paulo, a Vila Mariana reafirmou alguns de seus bons ativos, especialmente em saúde e transporte. Vale destacar a longevidade de seu morador, cuja idade média ao morrer é de 79 anos —o que deixa o distrito no "Top 5" da categoria, atrás dos distritos de Alto de Pinheiros, Moema, Saúde e Perdizes. Comentários

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