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Crédito, EPA
- Author, Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published Há 4 horas
- Tempo de leitura: 10 min
Às vésperas do fim do prazo de consultas públicas da investigação que pode levar os Estados Unidos a impor novas tarifas contra produtos brasileiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ainda tenta costurar um acordo de última hora com o Washington ao mesmo tempo em que volta sua artilharia contra o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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Na semana que vem, Flávio é esperado na capital norte-americana para participar de uma audiência pública sobre uma das investigações pela seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais irregulares adotadas pelo Brasil e que recomendou a aplicação de tarifas de pelo menos 25% a produtos exportados aos EUA.
Rosa diz que Flávio, assim como seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o empresário Paulo Figueiredo, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seriam responsáveis por um eventual novo tarifaço. E por isso, a ida de Flávio a Washington seria uma tentativa do pré-candidato evitar o impacto negativo da medida.
"Do ponto de vista da negociação, é ineficaz porque ele vai falar sobre o que não sabe e não conhece. Do ponto de vista eleitoral, ele está indo buscar um salvo-conduto para poder concorrer sem o risco de ser acusado pelo tarifaço", disse Rosa em entrevista à BBC News Brasil concedida na tarde de sexta-feira (3/7). Leia também: Argentina leva susto de Cabo Verde, mas vence na prorrogação e avança
O ministro disse ainda ter dúvidas sobre a sinceridade da mudança de posição do senador em relação às tarifas.
"Ele não me parece sincero com a mudança de opinião porque, se fosse 100% sincero, primeiro ele pediria desculpas por aquilo que eles estão patrocinando há mais de um ano contra a economia brasileira", disse. "Por isso é que eu acho que, do ponto de vista da negociação, é ineficaz e, do ponto de vista político, é pouco sincero."
As críticas de Rosa a Flávio Bolsonaro acontecem em meio à tentativa do governo Lula de associar o clã Bolsonaro ao risco de novas sanções comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil.
O Brasil é alvo de duas investigações baseadas na seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento que permite a Washington apurar práticas de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais a empresas americanas.
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A investigação em curso foi iniciada em julho de 2025, na esteira do tarifaço de 50% imposto pelo governo dos EUA a produtos brasileiros.
Em junho, o USTR indicou que o Brasil adotaria práticas "irrazoáveis" em diferentes áreas. Leia também: Viagem de Flávio aos EUA é tentativa de se livrar de responsabilidade
Entre os pontos citados pelos americanos estão críticas ao Pix, que, segundo a investigação, prejudicaria empresas americanas de pagamentos eletrônicos; decisões judiciais que afetariam o funcionamento de plataformas digitais; e a alegação de que o desmatamento na Amazônia favoreceria produtores brasileiros de carne, prejudicando a competitividade do setor nos Estados Unidos.
O governo brasileiro nega as acusações. Nesta semana, enviou aos americanos uma proposta descrita por interlocutores como uma espécie de "mapa do caminho" para as negociações caso Washington desista de impor novas tarifas ao país.
O teor do documento não foi divulgado, mas uma fonte do governo que participou das discussões disse à BBC News Brasil, em caráter reservado, que alguns pontos seguem fora da negociação, entre eles mudanças no funcionamento do Pix.
Rosa afirmou que um acordo amplo até o fim do prazo é improvável, mas disse que o governo também já trabalha com a possibilidade de que novas tarifas sejam, mesmo, aplicadas.
"O Brasil trabalha com todas as possibilidades", disse Rosa à BBC News Brasil. "Não podemos descartar a hipótese de celebrar um acordo que evite a imposição das tarifas porque a gente acredita muito na nossa tese de que a investigação não tem fundamento em nenhum dos aspectos levantados. Estamos trabalhando, também, com a hipótese de conseguir postergar a decisão final. Mas é óbvio que a gente também trabalha com a ideia de que venham a ser impostas as tarifas."

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