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Verde: IPCA+8% em título público ainda é pouco prêmio para risco eleitoral

Publicidade Os títulos de inflação do governo (NTN-Bs) estão com as maiores taxas da década, ao redor de IPCA+8% ao ano, mas ainda não remuneram o suficiente para

Verde: IPCA+8% em título público ainda é pouco prêmio para risco eleitoral

Os títulos de inflação do governo (NTN-Bs) estão com as maiores taxas da década, ao redor de IPCA+8% ao ano, mas ainda não remuneram o suficiente para convencer a Verde Asset, que segue segue sem posição direcional em renda fixa no Brasil. “Para a gente é uma combinação de muito risco e pouco prêmio”, explica o gestor de multimercados da casa, Luiz Parreiras, em conversa com o InfoMoney durante a Expert XP 2026. “Por mais louco que seja eu falar isso, nos parece que ainda tem pouco prêmio dada a incerteza”, avalia.

Parreiras dá dois motivos. A curva de juros já embute altas depois da próxima reunião do Copom, movimento que a Verde acha pouco provável. E o câmbio segue comportado. Se houver piora cambial numa reeleição do atual governo, avalia, o juro tende a sofrer, e ele não vê prêmio na curva que pague esse risco. Para a casa, o ativo já reflete o ambiente fiscal, mas há espaço para piora.

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“O pano de fundo fundamental sem dúvida é o tamanho do acelerador fiscal e parafiscal que o governo está impondo na economia”, diz Parreiras, que não vê disposição do atual governo, se reeleito, para encampar uma agenda fiscal partir de 2027. “Não vejo esse incumbente e esse governo fazendo ajuste fiscal crível. Não acho que está no DNA do Lula”, falou. Leia também: Lula chega mais forte ao 2º semestre, mas disputa tem interrogação, dizem

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As taxas do Tesouro Direto rodam em patamares elevados há meses, impulsionadas, para além do fiscal, pelas tensões no Oriente Médio, que deterioraram as expectativas de inflação e ajudaram a elevar curvas de juros em todo mundo. Somaram-se à baixa demanda por NTN-Bs, com fundos de pensão muito alocados. Mas Parreiras lembra de outro elemento: o ativo isento de Imposto de Renda.

Para ele, o próprio governo criou competição para o Tesouro ao permitir um estoque tão grande de isentos: sem muitas vezes pesar o risco de crédito, o investidor compra uma debênture de infraestrutura longa que ocupa no portfólio o lugar que seria da NTN-B. “Criou uma distorção maluca onde o rabo passou a abanar o cachorro”, falou.

Diante dessa dinâmica, a Verde se posiciona com cautela antes das eleições. Na bolsa, vê mais assimetria positiva e se posiciona com opções com objetivo de perder pouco se o atual presidente se reeleger, e ganhar bastante se a direita vencer. Mais de economia

No câmbio, a Verde desmontou posição há cerca de dois meses por não ver assimetria no momento. Com muito tempo (e volatilidade) até as eleições, além do custo do carrego, prefere aguardar pelo melhor momento para se posicionar, mas acha que a janela pode se abrir à medida que o cenário político fique mais concreto. “Acho que podemos ter estresse no câmbio. É o ativo que pode corrigir mais.”

Em um 2026 que segue desafiador para os fundos multimercados, o fundo da casa foi um dos poucos do mercado a bater o CDI no primeiro semestre: 7,81% de retorno, o equivalente a 114,11% do índice de referência da classe. Em 12 meses até junho, o retorno acumulado foi de 17,58%. Leia também: Expert XP 2026 termina com premiação, João Fonseca, CEOs e influencers

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Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos

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