Defesa de Bolsonaro reclama ao STF que restrição de visitas é silenciamento
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Carolina Linhares
Augusto Tenório
Isadora Albernaz
Brasília
Após quase um mês de rompimento público, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) fizeram gestos de reconciliação após um acordo articulado pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para estancar uma das crises que atingem a pré-campanha do presidenciável.
Depois de Flávio publicar um novo pedido de desculpas em suas redes nesta quinta-feira (23), Michelle respondeu com um vídeo em que diz aceitar as desculpas. A ex-primeira-dama indicou ainda que vai trabalhar pela eleição do enteado à Presidência da República.
Leia no AINotícia: Michelle Bolsonaro aceita desculpas de Flávio e sinaliza união para pré-campanha
"Eu te desculpo. [.] Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e, juntos, vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o Brasil. [.] Deus está no controle de tudo e ele nos dará a vitória final", disse Michelle.
"Existe um Brasil esperando para ser reconstruído e tenho certeza de que todos nós podemos unir forças para levarmos isso adiante. Vamos fazer isso pelo meu marido e seu pai, e por cada um dos brasileiros que querem um Brasil melhor para seus filhos e netos", completou.
Horas antes, em sua mensagem à mulher de Jair Bolsonaro (PL), Flávio disse que "não é perfeito". "Mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores", declarou o pré-candidato do PL. Leia também: Michelle Bolsonaro aceita desculpas de Flávio e sinaliza união para pré-campanha
Michelle curtiu o vídeo de Flávio no Instagram poucos minutos após a publicação e postou sua própria mensagem.
"Flávio, eu assisti o seu vídeo e recebi as suas palavras com muita paz. Quero te agradecer por sua sinceridade. [.] Todos nós cometemos erros. Isso é humano. O seu gesto de vir a público para pedir desculpas tem muito valor, e poucos homens teriam coragem de fazer isso", respondeu ela.
Ainda na noite de quinta, porém, mesmo após a reaproximação, Flávio fez uma live em que não mencionou Michelle. Apenas disse ser necessária "união" para derrotar o presidente Lula (PT). A transmissão foi uma reedição das tradicionais lives feitas por Bolsonaro quando ele era presidente, com muitas reclamações sobre o que considera "perseguição" pela imprensa.
A reconciliação entre Flávio e Michelle vinha sendo articulada há semanas por Valdemar e por duas amigas da ex-primeira-dama —a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (PP-DF), a quem ela agradece na gravação.
Segundo Valdemar afirmou à Folha, a briga entre Flávio e Michelle "está atrapalhando muito a campanha". A expectativa dele é que a reconciliação ajude o PL na busca de coligações com siglas aliadas. O dirigente disse que, com a direita desunida, "o pessoal fica sem confiança" para apoiar Flávio, que até agora segue isolado. Mais de politica
Na quarta-feira (22), o presidente do PP, Ciro Nogueira, informou ao senador que a federação União Brasil-PP vai ficar neutra na eleição presidencial. Flávio ainda mantém a expectativa de atrair o Republicanos formalmente.
O presidenciável publicou o vídeo para Michelle a dois dias da convenção do PL que vai oficializar seu nome na disputa presidencial, marcada para sábado (25), em São Paulo. Mesmo com a reconciliação, Michelle não irá ao evento.
Segundo aliados, ela não pode se ausentar de Brasília porque é responsável pelos cuidados de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe. De qualquer forma, há a expectativa de que um vídeo dela seja exibido na convenção. Leia também: Caso de mensagens pró-Bolsonaro no PR ainda não foi julgado, a menos de 3 meses
Depois de a crise entre Flávio e Michelle eclodir, a ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher e colocou em dúvida a possibilidade de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal, como quer Bolsonaro.
Agora que há uma trégua, de acordo com aliados da ex-primeira-dama, Michelle deve ser convencida a disputar o Senado no DF sob o argumento de que é preciso aumentar a bancada voltada à defesa de crianças e pessoas com deficiência. Além disso, eles esperam que os ataques da direita a ela sejam interrompidos.
Na gravação, Flávio afirmou que o momento "é difícil para todo mundo", pregou união na direita e disse que nunca foi sua intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa de seu pai, que está em prisão domiciliar sob cuidados de Michelle e impedido de receber visitas do filho.
Ao se dirigir diretamente a Michelle, disse reconhecer o trabalho dela à frente do PL Mulher e renovou o convite para que eles caminhem juntos. Também fez um apelo para evitar que a briga pública seja transformada "em mais motivos de ataques que podem e serão explorados" contra eles.
No vídeo divulgado no mês passado, Michelle disse que Flávio a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela em sua campanha.
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