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'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo'

'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo', diz ex-diretor da Anvisa Crédito, Getty Images Legenda da foto, Vacina contra a dengue do

'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo'
'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo', diz ex-diretor da Anvisa
Mosquito da dengue

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Vacina contra a dengue do Butantan foi suspensa esta semana pela Anvisa
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    • Author, Iara Diniz
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 14 minutos
  • Tempo de leitura: 6 min

O médico sanitarista Gonzalo Vecina, que foi o primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse que a vacina do Instituto Butantan contra a dengue que foi suspensa esta semana seria, na sua visão, "aprovada em qualquer lugar do mundo".

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O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (08/06) a suspensão temporária da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e que estava sendo aplicada em profissionais de saúde e em moradores de alguns municípios brasileiros após 42 casos de reações severas— incluindo duas mortes suspeitas possivelmente ligadas ao imunizante e ainda sob investigação.

Vecina fez parte do conselho da Fundação Butantan na época em que a vacina contra a dengue entrou em fase de pesquisa clínica, na década passada.

"Dos quase 16 mil pacientes, algo em torno de 11 mil receberam a vacina e 5 mil receberam o placebo", disse Vecina à BBC News Brasil. Leia também: TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa: entenda o que está sendo julgado

"Desses que tomaram a vacina, nós tivemos zero internação. Nenhum teve internação e os efeitos colaterais apresentados eram os esperados de uma vacina tranquila. É um pouquinho de dor, uma coceirinha, nada além dessas condições bem tranquilas."

"Acredito que essa vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única, o que é uma grande vantagem frente à vacina da Takeda [Qdenga], que foi aprovada também com nenhuma contraindicação."

A vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, segue sendo oferecida no SUS a jovens entre 10 e 14 anos. Cerca de 8 milhões de doses desse imunizante já foram aplicadas no Brasil desde 2024.

Ele destaca a grande diferença entre a amostragem da pesquisa do Butantan— de 16 mil pessoas— e o número de pessoas que recebem a vacina agora.

"No mundo real, são 500 mil pessoas. É óbvio que com o aumento tão exponencial da amostra, eu posso ver coisas que eu não veria em uma amostra menor, apesar de ser uma amostra estatisticamente determinada." Mais de mundo

Vecina ressalta que os casos relatados de reações graves são incomuns, e que é importante investigar o que aconteceu com a vacina do Butantan.

"É óbvio que é inaceitável que uma vacina, nos tempos atuais, para uma doença que tenha a letalidade da dengue— que não é uma letalidade exagerada— tenha mortes. É inaceitável que tenha mortes numa vacina dessa", disse.

Ele acredita que a investigação deve durar entre 15 e 30 dias. Leia também: O que a história revela sobre as seleções que já conquistaram a Copa do Mundo

"É a busca de uma agulha no palheiro. O palheiro não é muito grande, o que ajuda, são só 42 pessoas, mas a investigação é complexa, você tem que entender o que esses 42 pacientes têm para justificar terem tido eventos adversos graves e mortes."

Gonzalo Vecina

Crédito, Reprodução/YouTube/Ministério da Saúde

Legenda da foto, Gonzalo Vecina acredita que vacina do Butantan contra a dengue seria "aprovada em qualquer lugar do mundo"

O Ministério da Saúde já havia vacinado 500 mil pessoas entre profissionais de saúde do país— e posteriormente vacinou parte da população nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) e na região de Araguaína, no Tocantins.

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