Propostas de reforma da Previdência defendem aumento da idade mínima, mudança
Ler matéria →Acabo de chegar de três semanas e meia de viagem: cinco dias em Istambul —quatro na ida e um na volta— e 19 dias no Japão. Minha mulher organizou diligentemente, ao longo de meses, um roteiro especial. A assistência do escritório nacional de turismo do Japão, JNTO, foi fundamental. Fica aqui nosso agradecimento.
Chegamos ao Japão em Tóquio e terminamos em Kyoto. Entrementes, três cidades bem pequenas e lindíssimas para trilhas na rota Nakasendo: restos preservados da estrada que ligava Edo (antiga Tóquio) a Kyoto, a capital do período medieval, conhecido por período Edo.
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O roteiro passava também por uma cidade média, a lindíssima Takayama, com 80 mil habitantes, e uma cidade litorânea maior, Kanasawa, com 470 mil habitantes. Evidentemente, o que descrevo abaixo é a experiência superficial de turista.
O país é lindíssimo. Tudo funciona perfeitamente. Com exceção do trecho entre Takayama e Kanasawa, que fizemos de ônibus, todos os outros trajetos foram feitos de trem. Os trechos mais longos de trem-bala, que trafega à velocidade de 250 quilômetros por hora, e os trechos mais curtos por trem convencional. Leia também: Como novas regras tributárias vão reformar Construção Civil
Dois aspectos chamam a atenção na paisagem: a maior parte do país tem matas preservadas. E, onde não há mata preservada ou habitações, há um campo de arroz.
O povo japonês é extremamente educado, e nós, brasileiros, temos de passar por um processo civilizatório. Nada que não se aprenda rapidamente. No metrô se fala em voz bem baixa; em elevador não se fala. Não se alimenta andando pela rua.
Ao comprar algo para uma refeição rápida em trânsito, escolhe-se um local discreto e consome-se ali parado. O ideal é que o local discreto seja próximo de quem lhe vendeu o produto. O lixo é um problema individual, privado. Nas ruas das cidades, não há lixeiras. É obrigação de quem vende produtos para consumo na rua oferecer local para o descarte.
Usa-se muito o dinheiro. Todos têm troco e é necessário ter um moedário. Elas se acumulam. Não há dificuldade. Os caixas em geral têm equipamento que contam e organizam quantidades grandes de moeda. Apesar de haver muitos fumantes, é proibido fumar em locais públicos, inclusive nas ruas. Fumante tem vida bem difícil no Japão. Mais de economia
Os táxis são um capítulo à parte. Nas pequenas cidades do interior, encontramos motoristas geralmente acima dos 70 anos. Frequentemente dirige um velho Toyota. Impecavelmente vestidos, luvas brancas, com o carro como se fosse novo. Totalmente preservado e original. Não sei como o fabricante faz para ter as peças de reposição de modelos tão antigos.
Para quem assistiu ao belíssimo filme de Wim Wenders "Dias Perfeitos", que apresenta o cotidiano de um funcionário da empresa responsável pela limpeza dos banheiros públicos no Japão, nossa experiência confirmou a excelência de cada serviço. Em particular, há muitos banheiros públicos: gratuitos e excelentes. Leia também: Startups: Metade das empresas que demitiram por IA vai recontratar até 2027
É uma sociedade, como no filme, em que cada habitante, desde que acorda até o momento em que se deita, executa qualquer tarefa, não importa qual seja, com excelência. Todos, o tempo todo, são a melhor versão de si mesmos.
Como um pesquisador que passou a vida pensando no tema do desenvolvimento econômico, eu experimento a enorme idiotice de achar que desenvolvimento econômico é juro e câmbio. Sente-se na pele que desenvolvimento econômico é um tema microeconômico e que parcela grande dele está embutida nas pessoas.
Sinto uma mistura de tristeza e alívio. Vivencio que não há saída fácil. Alívio, pois, o que somos tem mais elementos de escolha nossa do que sentia. Racionalmente já sabia. E escolhas, com o amadurecimento, podem mudar.
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