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Ler matéria →Turismo de parto: vale a pena viajar para ter filhos nos Estados Unidos? Entenda a dinâmica do parto nos Estados Unidos, as diferenças do sistema de saúde e os fatores que levam brasileiras a escolher o país Em 2018, a empresária brasileira Taciana Klein Lossio, hoje com 39 anos, mudou-se para os Estados Unidos para expandir os negócios.
Desde então, teve dois filhos no país: Daniel, nascido em 2020, e Isabella, em 2024. Foi assim, ao longo das duas gestações, que ela passou a conhecer de perto o funcionamento do sistema de saúde e obstetrícia norte-americano.
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Segundo a empreendedora, a qualidade do serviço que recebeu não foi ruim, mas a dinâmica das consultas pode surpreender quem veio do Brasil. “São muito rápidas“, relata. “Você chega esperando uma consulta de meia hora, onde irão te explicar as coisas, mas isso não acontece.
A enfermeira checa os seus sinais vitais, pressão arterial, etc., e, em seguida, a médica examina você em cinco minutos. ” Ainda na primeira gravidez, ela teve de desenvolver uma estratégia para aproveitar esse tempo enxuto: para não esquecer nada, passou a registrar no celular todas as dúvidas que surgiam entre um atendimento e outro.
“Ela perguntava: ‘você tem alguma dúvida? ’. Leia também: Saúde: Panorama com câncer, dores, Ozempic e crises convulsivas
E eu tinha todas! Era a minha primeira gestação. Mas, se naqueles cinco minutos eu não me lembrasse do que queria saber, a médica ia embora e acabou”, diz.
“É um sistema muito objetivo. ” De fato, para além da objetividade, muitos outros choques culturais podem aparecer para quem decide ter um filho em solo de outro país.
Ainda assim, esse é o sonho de muitos brasileiros— e não apenas de quem, como Taciana, já vivia no território por outros motivos. Pois é. Todos os anos, gestantes atravessam fronteiras especificamente para dar à luz.
É o chamado “turismo de parto “ ou, em melhores termos, mobilidade gestacional, um tipo de viagem, pensada em família, que costuma ter os Estados Unidos como destino principal. O tema voltou a ter visibilidade após famosas como a cantora Ludmilla e a influenciadora Mari
Maria terem escolhido o país para o nascimento de seus filhos. Mas a escolha não está restrita às celebridades. Aliás, o interesse também movimenta um mercado especializado. Mais de saude
Por aqui, não faltam os chamados “programas de maternidade internacional“. Para ter ideia, somente a organização “Ser Mamãe em Miami“, que oferece suporte e atendimento médico a brasileiras interessadas em ter filhos no estado americano, afirma já ter acompanhado mais de dois mil partos internacionais. O ponto é que, embora muitas famílias associem essa escolha à qualidade da assistência médica, especialistas afirmam que o principal fator pode ser outro: bebês nascidos em território americano podem receber a cidadania do país.
Mas, pensando em saúde, será que vale mesmo a pena? E, afinal, como é dar à luz nos Estados Unidos? Descubra a seguir.
Como funciona o parto nos Estados Unidos Nos Estados Unidos, a gestante costuma ser acompanhada por um obstetra ou por uma enfermeira obstétrica, dependendo do perfil da gravidez e da preferência da paciente. O parto é realizado, em sua maioria, em hospitais, mas centros de parto independentes e até o domicílio são opções para gestações de baixo risco. Leia também: Barre ganha destaque após novo desdobramento em barre: a modalidade que parece
Além disso, um aspecto chamativo é que, no país, doulas certificadas participam de muitos partos de baixo risco, enquanto, no Brasil, o cuidado é mais centrado no médico obstetra. Existem, ainda, algumas outras diferenças importantes entre as duas nações. Uma das principais é a valorização do parto vaginal.
“ Aqui, eles [os americanos] priorizam o parto normal, a não ser que exista alguma indicação [clínica] para a cesárea. Acho que é o contrário do Brasil“, comenta Taciane.
De fato, a percepção da empresária encontra respaldo nas estatísticas. É que, há décadas, o Brasil figura entre os países com as maiores taxas de cesariana do mundo. Essa alta, por sua vez, é contrária às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que defende que as cesáreas correspondam apenas a 10% ou 15% de todos os partos realizados no planeta.
Pode parecer radical, mas, para a instituição, o parto cirúrgico deve ser adotado somente quando há necessidade, pois pode causar complicações significativas. Mesmo assim, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), o percentual de cesáreas no Brasil só cresce. Passou de 55,4% em 2016 para cerca de 57% em 2021, por exemplo.
Na rede privada sozinha, eles podem responder por 80% dos partos. Ao menos é o que já dizia um clássico estudo publicado em 2008. Nos Estados Unidos, os números estão bem abaixo das brasileiros.
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