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Tubarão-da-Groenlândia pode esconder segredo genético contra envelhecimento e

Considerado o vertebrado mais longevo do planeta , o animal pode viver cerca de 400 anos , segundo estimativas baseadas em datação por radiocarbono

Tubarão-da-Groenlândia pode esconder segredo genético contra envelhecimento e
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Tubarão-da-Groenlândia pode esconder segredo genético contra envelhecimento e câncer
Tuabarão-da-Groenlândia nadando
Cientistas mapearam quase todo o genoma do tubarão-da-Groenlândia, considerado o vertebrado mais longevo do planeta, com até 400 anos - Imagem: Dotted Yeti/Shutterstock

O tubarão-da-Groenlândia chamou novamente a atenção da ciência após pesquisadores identificarem dois mecanismos genéticos inéditos que podem ajudar a explicar sua longevidade extrema. Considerado o vertebrado mais longevo do planeta, o animal pode viver cerca de 400 anos, segundo estimativas baseadas em datação por radiocarbono.

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Mesmo vivendo por séculos, os tubarões parecem apresentar resistência incomum ao câncer e ao desgaste celular. O estudo analisou o gigantesco genoma da espécie, que possui cerca de 6,5 bilhões de pares de bases, aproximadamente o dobro do genoma humano, segundo informações do portal IFLScience.

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Para quem tem pressa:

  • Tubarão-da-Groenlândia pode viver cerca de 400 anos;
  • Cientistas mapearam 96,7% do genoma da espécie;
  • DNA possui mecanismos ligados à proteção celular;
  • Proteína pode ajudar a preservar o genoma por séculos;
  • Animal tem forte controle de ferro nas células;
  • Descobertas podem ajudar pesquisas sobre envelhecimento.

Além do tamanho, o DNA contém muitas sequências repetidas, o que dificulta bastante o trabalho dos cientistas. Agora, pesquisadores da Universidade de Tóquio (Japão) conseguiram montar a versão mais completa já feita do genoma do animal, cobrindo 96,7% do DNA. Leia também: Treino de força com cardio atrapalha o ganho de músculo? Estudo brasileiro

Proteína pode proteger o DNA por séculos

Uma das descobertas envolve a proteína histona H1.0, responsável por organizar e compactar o DNA dentro das células. Os pesquisadores identificaram alterações específicas nessa proteína, incluindo a substituição do aminoácido lisina por arginina. Embora ambos possam manter ligação com o DNA, a arginina preserva sua carga positiva de forma mais estável, o que pode ajudar a manter o material genético mais protegido ao longo do tempo.

Segundo os autores, essa estabilidade adicional pode impedir a desorganização do genoma, fenômeno frequentemente associado ao envelhecimento em outros vertebrados. O líder do estudo, Shigeharu Kinoshita, afirmou que a manutenção da estrutura da cromatina pode ser especialmente importante para espécies extremamente longevas, ajudando a reduzir danos celulares acumulados durante séculos de vida.

Controle de ferro também pode ser decisivo

A segunda descoberta envolve um processo chamado ferroptose, um tipo de morte celular ligado ao excesso de ferro dentro das células. Os pesquisadores descobriram que o tubarão possui 59 cópias do gene FTH1b, associado à ferritina, proteína responsável por armazenar ferro de forma segura.

Representação de um DNA
Pesquisadores também encontraram dezenas de cópias de um gene ligado ao controle de ferro e à proteção contra danos celulares – Imagem: Billion Photos/Shutterstock

Nenhum outro tubarão analisado apresentou quantidade semelhante desse gene. Os cientistas acreditam que esse mecanismo pode dar ao animal uma capacidade incomum de controlar danos celulares, protegendo tecidos saudáveis enquanto elimina células defeituosas ou potencialmente cancerígenas. Mais de tecnologia

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Como o estresse oxidativo e a ferroptose estão associados ao envelhecimento, o controle rigoroso do ferro pode ser uma peça importante para explicar a longevidade extrema da espécie. Apesar disso, os autores ressaltam que as funções desses genes ainda precisam ser confirmadas em experimentos com células vivas.

Matheus Labourdette
Matheus Labourdette

Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.

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Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Tags: câncer dna tubarão-da-groenlândia

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