Trump desacelera após otimismo sobre acordo com o Irã
O presidente Donald Trump, após manifestar otimismo na noite anterior sobre um acordo iminente com o Irã, recuou em suas declarações no domingo (25), em meio a forte pressão e críticas de aliados republicanos no Congresso. O recuo ocorreu após alertas de que as negociações poderiam resultar em concessões excessivas ao regime iraniano, levantando temores de que o acordo poderia, a longo prazo, fortalecer o Irã. O presidente americano chegou a pedir que países árabes assinassem os Acordos de Abraão como condição para a resolução com o Irã. Leia também: Anvisa aprova terapia inovadora para Parkinson avançado após 15 anos
Aliados expressam receio de um acordo desfavorável
Senadores republicanos influentes, como Lindsey Graham e Ted Cruz, demonstraram preocupação com os rumos das negociações. A principal apreensão é que um eventual acordo, mesmo que ponha fim ao conflito e garanta a proteção do Estreito de Ormuz, possa ser interpretado como uma percepção de que o Irã se tornou uma força dominante, necessitando de solução diplomática. Graham, conhecido por sua postura firme em relação ao Irã, alertou que tal cenário poderia legitimar o regime iraniano, que ainda profere discursos anti-americanos. A expectativa de que o Irã fizesse uma "rendição incondicional" e abandonasse seu programa nuclear, prometida inicialmente por Trump como justificativa para a campanha militar, não se concretizou, segundo análise de senadores e de colunistas como Stephen Collinson, da CNN.
Detalhes vazados e a reação de "falcões republicanos"
Informações vazadas sobre as negociações, mediadas pelo Paquistão, indicam que o esboço do acordo incluiria a extensão do cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, o que aliviaria o impacto das sanções sobre os EUA e a economia global. Em contrapartida, haveria o descongelamento de ativos iranianos e um alívio nas sanções, proporcional às medidas que o Irã tomar para restringir seu programa nuclear. Essa proposta desagrada aos republicanos mais radicais, como o senador Ted Cruz, que expressou no X (antigo Twitter) sua forte oposição a um acordo que resulte no recebimento de bilhões de dólares pelo regime iraniano, sua capacidade de enriquecer urânio e desenvolver armas nucleares, e o controle efetivo sobre o Estreito de Ormuz, qualificando tal desfecho como um "erro desastroso".
Pressão e cautela nos bastidores da diplomacia
Diante da intensa oposição de seus aliados, Trump parece ter ajustado sua posição, aconselhando seus negociadores a não buscarem um acordo precipitado e ressaltando que ele não costuma realizar "maus negócios". A rejeição pública e veemente à guerra no Irã, mesmo entre os americanos, também contribui para a incerteza sobre a firmeza da posição do presidente. A situação levanta dúvidas sobre os reais progressos nas conversações, especialmente porque o Irã já havia alertado que não há um acordo iminente, apesar dos avanços relatados nas negociações. Leia também: Homem embriagado é preso Mais de noticia
O que se sabe até agora
- Donald Trump recuou em declarações otimistas sobre um acordo iminente com o Irã.
- Aliados republicanos no Congresso expressaram forte oposição, temendo concessões excessivas ao regime iraniano.
- Senadores como Lindsey Graham e Ted Cruz alertam que um acordo pode fortalecer o Irã e legitimar o regime.
- O esboço vazado do acordo envolveria cessar-fogo, reabertura do Estreito de Ormuz e alívio de sanções em troca de restrições ao programa nuclear iraniano.
- Trump pediu que países árabes assinassem Acordos de Abraão como condição para o acordo com o Irã.
- O Irã já havia advertido que um acordo não é iminente, apesar de avanços nas negociações.
A instabilidade nas declarações e a pressão interna indicam um cenário diplomático complexo, onde os objetivos de curto prazo de um acordo pacífico podem colidir com as ambições de longo prazo de segurança regional e controle de programas nucleares. A posição do presidente Trump, sujeita a influências de seus aliados, pode determinar os próximos passos na resolução de um conflito que já dura 87 dias e impacta a economia global.
