Em plena Páscoa, deparei-me com uma pergunta apropriada —será que Donald Trump vai para o céu? O próprio Donald, em declarações ou entrevistas, já lidou com ela, lembra a revista New York. Céu, inferno, reencarnação —o homem não acreditava nesses mitos. Leia também: Casagrande conta histórias sobre Sócrates, Rita Lee e Baby do Brasil no teatro
Detalhes do Caso

A pergunta não é absurda. Eu, se fosse Trump, aproveitava a Páscoa e preparava um plano B. Aos 42 anos, era uma pergunta abstrata, distante, que não inquietava o presidente.

E o homem que só admite ganhar, mesmo quando perde, já admite perder, mesmo quando ganha. Donald passou a esperar que o céu existisse; caso contrário, a vida terrena perderia o sentido. Caso contrário, os alvos podem acabar sendo outros nas aventuras militares do Oriente Médio.
É um pensamento perturbador: uma vida inteira de riqueza acumulada, impunidade judicial e política, bajulação alheia —e, no momento decisivo, um animal do deserto tem direito a viajar em classe executiva? Podemos dizer que Trump aplicava o raciocínio do jogador de cassino à teologia cristã —jogamos aqui embaixo porque esperamos ganhar o prêmio final lá em cima. A primeira eleição, em 2016, introduziu uma mudança na relação de Trump com a eternidade —a presidência seria o caminho para garantir a passagem para um Mar-a-Lago celestial. Leia também: U2 lança o EP surpresa 'Easter Lily', com título em homenagem a Patti Smith Mais de entretenimento
O desmedido apego ao dinheiro, que só aumentou com a presidência —mais US$ 1 bilhão em lucros—, põe o nosso Donald na posição vexatória de perder para um dromedário. "É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus?"