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Ler matéria →Trump e eleições no Brasil: Celso Amorim diz que tentativa de intervenção pode ter efeito contrário

Crédito, Tomaz Silva /Agência Brasil
- Author, Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published 25 junho 2026, 08:54 -03Atualizado Há 48 minutos
- Tempo de leitura: 17 min
A decisão do governo dos Estados Unidos de designar as facções criminosas PCC e CV como entidades terroristas e a ameaça de imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros logo após a visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente Donald Trump acendeu o alerta de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A quatro meses das eleições presidenciais, assessores próximos a Lula avaliam que as medidas já seriam uma tentativa de os EUA interferirem no processo eleitoral brasileiro.
As suspeitas ficaram ainda mais fortes após a divulgação de uma entrevista de Trump ao site Axios, divulgada no dia 19 de junho. Na entrevista, Trump afirmou que o presidente Lula é uma pessoa "volátil" e que o Brasil teria se tornado um lugar "perigoso".
Para o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, apesar de todos esses fatores, o governo Trump não deverá tentar interferir diretamente nas eleições do Brasil. Amorim é um dos principais conselheiros de Lula no tema. Leia também: Como terremotos na Venezuela foram sentidos no Brasil
"Tentar interferir pode ter um efeito contrário, mas eu não creio que vá haver uma interferência tão direta. Mas temos que ficar alertas porque não é só o presidente (que pode fazer isso). Há outros interesses econômicos que se movem. A gente sabe disso e já ocorreu no passado. Então, temos que ficar alertas, sem ficar apavorados", disse Amorim em entrevista à BBC News Brasil concedida na terça-feira (23/6), em seu gabinete, no Palácio do Planalto.
A avaliação de Amorim é feita em meio a uma nova mudança no clima entre Lula e Trump. Os dois governos haviam iniciado em setembro de 2025 um movimento de reaproximação, depois de meses de tensão entre Brasília e Washington. Mas as decisões recentes da Casa Branca voltaram a alimentar atritos.
Ao classificar PCC e CV como entidades terroristas e ameaçar o Brasil com novas tarifas, Washington pressiona o governo do presidente Lula, que enfrenta críticas sobre a condução da segurança pública e que vem sendo acusado pela oposição de não fazer o suficiente para evitar novas tarifas.
Aos 84 anos, Amorim ocupa uma posição singular no entorno de Lula. Ministro das Relações Exteriores nos dois primeiros mandatos do petista e ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff, Amorim voltou ao centro do poder em 2023.
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Embora não comande o Ministério das Relações Exteriores, o embaixador é uma das vozes mais influentes na formulação da política externa do governo Lula. É ouvido pelo presidente em temas como a relação com Estados Unidos e China, a guerra na Ucrânia, a integração sul-americana, a regulação das big techs e a disputa global por minerais críticos.
À BBC News Brasil, Amorim minimizou o fato de Trump ter chamado Lula de "volátil". A frase foi dita pelo americano em entrevista ao site Axios, durante uma resposta sobre líderes estrangeiros e depois de comentar sua passagem pela reunião de líderes do G7, grupo de sete das maiores economias do mundo, na qual Lula participou como convidado. Leia também: Quem são os torcedores que vão receber US$ 50 mil para assistir a todos
"As palavras o vento leva. São voláteis elas próprias. Não é uma afirmação política. Nós todos sabemos que o presidente Trump fala muito assim, espontaneamente. Já falou outras coisas. Não vou dramatizar isso", acrescentou.
Apesar de minimizar os rumores de que os Estados Unidos estariam tentando influenciar o processo eleitoral brasileiro, Amorim se mostrou preocupado com os possíveis efeitos da designação do PCC e do CV como organizações terroristas.
"O que a gente não quer é que essa designação sirva de pretexto para uma intervenção, seja econômica, seja financeira, ou até militar", diz o embaixador.
Para Amorim, o Brasil deve se portar de forma "pragmática" em meio ao crescimento dos governos de direita na América do Sul. Nas duas últimas semanas, Peru e Colômbia elegeram presidentes de direita. Além deles, Argentina, Paraguai e Equador são governados por presidentes deste espectro político.
"Nós queremos que respeitem a nossa soberania e nós também respeitamos a soberania deles, mesmo quando não concordamos com certas medidas", diz.



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