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Ler matéria →Traumas nas mãos podem disparar durante Festas Juninas e Copa; entenda riscos Festividades impulsionam o uso de fogos de artifício; saiba como evitar acidentes Bandeirinhas, comidas típicas, quadrilhas, fogueiras e fogos de artifício fazem parte de uma das celebrações mais queridas do calendário brasileiro.
Mas, por trás da alegria das festas juninas, existe uma realidade que todos os anos se repete nos serviços de emergência do país: o aumento dos acidentes relacionados ao manuseio de fogos de artifício e outros elementos típicos dessas comemorações, que neste ano estão ainda associados com a realização da Copa do Mundo. Embora o Brasil ainda disponha de poucos levantamentos epidemiológicos recentes e abrangentes sobre o tema, os dados disponíveis ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2017 foram registradas 5.620 internações, 1.612 atendimentos ambulatoriais e 96 mortes relacionadas a acidentes com fogos de artifício no Sistema Único de Saúde (SUS).
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No período, a média foi de aproximadamente 500 internações por ano, evidenciando que se trata de um importante problema de saúde pública. Na prática clínica, a percepção de especialistas que atuam em pronto-socorros e centros de referência em cirurgia da mão é que esses números podem não refletir toda a dimensão do problema. Muitos acidentes de menor gravidade não entram nas estatísticas nacionais, e há uma concentração evidente de casos nos meses de junho e julho, quando as festas juninas e julinas mobilizam milhões. Leia também: fifa world cup 2026™: o que muda após brasileiros que vão à copa podem
Neste ano, um fator adicional merece atenção. A coincidência do período festivo com grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, tende a estimular ainda mais a utilização recreativa de fogos de artifício, ampliando a exposição da população aos riscos associados ao seu manuseio. Alguns exemplos regionais ajudam a compreender a magnitude do problema.
No estado de São Paulo, os atendimentos hospitalares por acidentes com fogos de artifício passaram de 44 casos em 2022 para 63 em 2023, um aumento de 43% em apenas um ano. Em Sergipe, dados divulgados por serviços de referência em queimaduras mostraram que apenas durante o mês de junho foram registradas dezenas de vítimas relacionadas a fogos de artifício, muitas delas crianças. Já no Distrito Federal, centros especializados relatam aumentos expressivos das internações por queimaduras entre junho e setembro, período marcado pelas festas juninas e pelo uso mais frequente de fogueiras e fogos.
Esses exemplos ilustram um fenômeno observado em diferentes regiões do país: a sazonalidade dos acidentes e a sobrecarga dos serviços de emergência durante esse período. Quando falamos em lesões provocadas por fogos de artifício, a mão ocupa posição de destaque entre as partes do corpo mais afetadas. Isso ocorre porque é ela que entra em contato direto com rojões, bombinhas, estalinhos, foguetes e demais artefatos explosivos.
As consequências podem variar desde queimaduras superficiais até traumas complexos envolvendo tendões, nervos, vasos sanguíneos e ossos. Não são raros os casos de fraturas, lacerações profundas, esmagamentos e amputações traumáticas de dedos ou segmentos da mão. Além do impacto funcional, essas lesões podem comprometer atividades básicas do dia a dia, o trabalho e a qualidade de vida dos pacientes. Mais de saude
Muitas vezes, mesmo após múltiplas cirurgias e longos períodos de reabilitação, a recuperação completa não é possível. Como evitar acidentes? A boa notícia é que a maior parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção.
A primeira recomendação é adquirir fogos apenas em estabelecimentos autorizados e respeitar rigorosamente as instruções do fabricante. Crianças jamais devem manusear fogos de artifício sem supervisão adequada. Também é fundamental manter distância segura de quem estiver realizando a queima e nunca tentar reacender artefatos que falharam. Leia também: Barroso declara ganha destaque após novo desdobramento em obsolescência
Em relação às fogueiras, é importante montá-las em locais abertos, afastados de residências, veículos e materiais inflamáveis. O uso de álcool ou combustíveis para acender ou reavivar o fogo deve ser evitado, pois aumenta significativamente o risco de explosões e queimaduras graves. Caso ocorra um acidente, a orientação inicial é lavar a área atingida com água corrente em abundância e procurar atendimento médico imediatamente.
Receitas caseiras, pomadas sem prescrição, manteiga, pasta de dente ou qualquer outra substância não devem ser aplicadas sobre a lesão. As festas juninas representam um patrimônio cultural importante do Brasil e devem continuar sendo celebradas. Mas tradição e segurança precisam caminhar juntas.
Quando o assunto é fogo e explosivos, a prevenção continua sendo a melhor forma de garantir que a comemoração termine apenas com boas lembranças, e não com sequelas permanentes nas mãos. * Roberto Sobania é presidente do Comitê de Mão da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Henrique Ayzemberg é integrante da Comissão de Campanhas Públicas da SBOT.
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