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'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl

'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl Crédito, GETTY IMAGES, NAS Legenda da foto, Anatolii Doroshenko é

'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl
'Trabalho mais perigoso do mundo': o cientista que percorre o labirinto radioativo de Chernobyl
Composição mostrando, em primeiro plano, um retrato do cientista Anatolii Doroshenko e, no fundo, as ruínas da sala de controle do reator 4 da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia

Crédito, GETTY IMAGES, NAS

Legenda da foto, Anatolii Doroshenko é pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, na Ucrânia
Article Information
    • Author, Carlos Serrano
    • Role, BBC News Mundo
      e
    • Author, Diana Kuryshko
    • Role, BBC News Ucrânia
  • Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

Mas, a cerca de 10 metros de profundidade, permanecem os centros de controle e monitoramento, que sobreviveram ao desastre.

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"É como um grande labirinto embaixo do reator", explica à BBC o pesquisador Anatolii Doroshenko, de 38 anos, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP, na sigla em inglês).

Naquela rede de salas e corredores subterrâneos, tudo está contaminado pela radiação: o piso, os equipamentos, as paredes e até o ar.

Ali, Doroshenko se encarrega de revisar os equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível nuclear.

Em algumas salas, a radiação é tão alta que o pesquisador precisa completar suas tarefas em menos de quatro minutos e sair imediatamente. Em outras, os níveis de radiação não permitem nem mesmo que ele se detenha por ali.

Seu trabalho é fundamental para garantir que as condições do reator se mantenham estáveis.

Doroshenko reconhece que seu trabalho gera medo, mas ele usa esse receio como seu aliado.

"O medo ajuda a manter o controle e seguir as orientações para garantir baixas doses de radiação", explica ele. Mais de mundo

"Aqui, o maior risco é se acostumar às condições do lugar. Se você se acostumar ao medo, começa a ignorar que está rodeado de radiação. Qualquer coisa, uma luva, uma peça metálica, pode estar contaminada, mesmo que não se observe."

Doroshenko de pé, ao lado de um companheiro de trabalho, dentro do domo que protege o reator 4 da usina nuclear de Chernobyl

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto, Doroshenko (esq.) trabalha na usina nuclear de Chernobyl há 12 anos

Sob as ruínas

O local é escuro. Alguns corredores têm iluminação, mas o pesquisador e seus colegas sempre levam lanternas. Leia também: Por que a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep é importante

Algumas passagens são tão estreitas que eles precisam caminhar agachados. Todas as salas e corredores estão sinalizados, mas é preciso conhecer bem o caminho para não se perder entre as passagens.

Eles também contam com mapas de contaminação, que indicam quais são as áreas com maior radioatividade.

"Aqui, todos os cientistas sabem onde podemos trabalhar e onde não", explica Doroshenko.

Visitante da central nuclear de Chernobyl grava na sala de controle do bloco 4 destruído da usina

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Visitante da central nuclear de Chernobyl grava na sala de controle do bloco 4 destruído da usina

O local está repleto de tubos com água radioativa e perigosas formações de cório, uma substância produzida quando o combustível nuclear, sob temperaturas de milhares de graus Celsius, se misturou com a estrutura do núcleo do reator.

Pesquisador agachado tirando foto da 'pata de elefante', uma formação de cório sob o reator 4 de Chernobyl
Legenda da foto, A 'pata de elefante' é uma formação de cório altamente radioativa

Locais inatingíveis

Corredor dentro da central nuclear de Chernobyl
Legenda da foto, Corredor dentro da central nuclear de Chernobyl
Corredor no lado interno da usina nuclear de Chernobyl
Legenda da foto, Tudo no interior do reator 4 de Chernobyl está contaminado pela radiação.

'Quase eufórico'

Doroshenko utilizando indumentária protetora no interior do domo que protege o reator 4 de Chernobyl
Legenda da foto, Doroshenko afirma que, para manter a segurança no reator, é preciso não entrar em pânico
Foto do reator 4 da usina nuclear de Chernobyl.
O Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para cobrir o reator 4 durante 100 anos
Legenda da foto, O reator 4 está coberto pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço projetado para durar 100 anos

Contra o esquecimento

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