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Ler matéria →Torcer para o Brasil está mais caro? A alta do preço da carne, da cerveja e de outros itens para assistir aos jogos da Copa

- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 58 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
O churrasco pode ficar mais salgado para a torcida brasileira este ano— e não apenas por causa da carne. Itens comuns em reuniões para torcer pelo Brasil em jogos da seleção acumulam um aumento superior ao da inflação, de cerca de 12%, registrada desde a última Copa do Mundo, em 2022.
Para encher a grelha, só a linguiça não ficou mais cara. O frango teve alta de 18%, o pão de alho, de 15%, e a carne bovina, de 9%.
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As bebidas também acompanham essa tendência: o preço da cerveja subiu 19% desde 2022, enquanto refrigerantes e sucos registraram aumentos ainda maiores, de 30% e 32%, respectivamente.
As estimativas foram feitas, a pedido da BBC News Brasil, pela Scanntech, empresa referência no setor varejista para compilar e analisar cupons fiscais emitidos por mercados de pequeno, médio e grande porte em todo o país.
Os valores podem variar por diversos fatores, desde a localização e a rede de supermercado escolhida pelo consumidor até a marca dos produtos e, no caso da carne bovina, o corte adquirido. Por isso, a empresa prefere não divulgar os preços médios de cada item. Leia também: Brasil estreia na Copa do Mundo com jogo nos Estados Unidos; veja todos
Os aumentos percentuais são valores aproximados, calculados a partir de uma base de cupons fiscais que, segundo a Scanntech, contempla as emissões de três em cada quatro estabelecimentos do setor.

Consumo não deve cair, mas cesta de compras deve mudar
Porta-voz e diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani diz não acreditar que o consumo voltado para a Copa vá cair por causa da alta dos preços. Pelo contrário: desta vez, a maioria dos jogos acontece, para os brasileiros, à noite, o que pode até intensificar os encontros e facilitar a participação de quem normalmente não consegue deixar o trabalho para acompanhar uma partida realizada no meio da tarde, por exemplo.
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Mas a cesta média de compras para uma reunião diante da televisão deve mudar, acrescenta ela. Segundo as estimativas da Scanntech, que fornece aos supermercados dados de inteligência para impulsionar o faturamento, a expectativa do setor é que, nesta Copa, as churrasqueiras tenham mais frango do que carne bovina. Mais de mundo
Isso se deve a vários fatores. O primeiro, afirma a executiva, é que, embora o frango tenha registrado uma alta média de preços superior à da carne bovina, ele ainda custa muito menos e, diante do endividamento e da perda do poder de compra das famílias, tende a ter maior procura.
Mas há também razões que vão além do preço. Entre elas está o fato de o frango ser menos gorduroso. A característica, diz Ariani, agrada tanto quem busca fontes de proteína consideradas mais saudáveis quanto pessoas em tratamento com canetas emagrecedoras, conhecidas por provocar enjoos quando o paciente consome cortes gordurosos— em geral bovinos, mesmo os nobres, devido à gordura intramuscular.
"O consumo mudou muito ao longo desses quatro anos, a gente teve crescimentos exponenciais da vertente de saúde. A proteína é a vedete da vez, né? Só se fala em proteína", ela diz. Leia também: Como conquistar a Gen Z? As campanhas presidenciais testam suas armas
Essa preocupação com hábitos saudáveis pode parecer paradoxal quando se fala de uma cesta de compras voltada à socialização, reconhece a executiva. Ainda assim, ela afirma que é possível manter produtos associados à celebração sem abandonar os cuidados com a alimentação.
O que explica a alta dos preços
Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em política monetária e inflação, é difícil explicar de forma generalizada o aumento dos valores desses produtos.
Diversos fatores influenciam a formação dos preços, explica ele. O primeiro é a própria demanda. Quando a procura aumenta, como costuma ocorrer às vésperas e durante grandes torneios esportivos, os valores tendem a subir.
O diagnóstico é reforçado por um estudo da Scanntech, que registrou vendas, em média, 24% maiores nos dias que antecederam jogos da Copa de 2022 e de competições disputadas no ano passado, como o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Libertadores.
Mas há fatores que vão além da demanda, especialmente no mercado de carne bovina, que enfrenta uma restrição de oferta ao mesmo tempo em que as exportações seguem aquecidas, diz o economista.
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