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'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema

'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema de saúde do Paraguai leva pacientes a se endividarem Crédito, Plataforma pelo Direito à

'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema
'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema de saúde do Paraguai leva pacientes a se endividarem
Manifestantes se reúnem em frente ao Hospital de Santa Rosa del Aguaray para denunciar o abandono dos serviços públicos de saúde, em uma cidade localizada a 250 km de Assunção, no Paraguai.

Crédito, Plataforma pelo Direito à Saúde do Paraguai (PDS)

Legenda da foto, A falta de equipamentos e medicamentos está entre as principais reclamações de médicos, pacientes e ativistas no Paraguai
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    • Author, Ayelén Oliva
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 11 min

Quando sua filha María del Pilar foi internada às pressas, a artesã Daniela Benítez, 62 anos, não teve outra opção a não ser percorrer as ruas de Assunção, no Paraguai, em busca de um respirador, uma cânula e até mesmo o algodão que a equipe médica precisava para atendê-la.

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A compra desses insumos e de parte dos equipamentos médicos ultrapassou US$ 800 (cerca de R$ 4.000), um valor que a família teve que pagar do próprio bolso. Sem recursos suficientes, eles organizaram um rifa.

María del Pilar foi levada à emergência de um hospital público da capital paraguaia com sangramento pelo nariz e pela boca. Ela estava com pneumonia, provocada pela tuberculose— uma doença causada por uma bactéria que costuma afetar os pulmões.

"O sistema de saúde no Paraguai está cada vez pior", afirma Daniela. Leia também: Sem Michelle e com Milei, Flávio oficializa candidatura e promete que Bolsonaro

Os problemas no atendimento de sua filha, porém, não terminaram ali. À falta de insumos e equipamentos se somaram atrasos no atendimento e falhas administrativas.

"Os hospitais têm poucos médicos, e os médicos não têm os insumos necessários para oferecer o atendimento adequado. Além disso, estão sobrecarregados pela grande quantidade de horas de trabalho que enfrentam", diz Daniela.

Após passar um ano internada, María del Pilar morreu.

Hospital no Paraguai

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O Paraguai está entre os países que menos investem em saúde pública na América Latina

'Ele vendeu tudo'

A história de Daniela é uma das muitas que refletem a crise do sistema de saúde paraguaio. Mais de mundo

Um problema que não é novo no país, mas que voltou a chamar a atenção internacional após o caso envolvendo o goleiro da seleção do Paraguai, Orlando Gill, durante a última Copa do Mundo.

A mulher do jogador contou nas redes sociais que o marido precisou vender até mesmo o uniforme para pagar o tratamento médico do filho recém-nascido após um parto prematuro.

"Ele vendeu tudo. Vendeu a camisa da seleção sub-20, não conseguiu guardá-la de lembrança. Vendeu suas roupas, suas chuteiras. Literalmente: vendeu tudo", contou Melissa Ávalos em uma publicação no Instagram. Leia também: Tribunal dos EUA impede Trump de aplicar ordem que dificulta voto pelo correio

O investimento de 4% do PIB em saúde fica abaixo do mínimo de 6% recomendado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para garantir uma cobertura universal.

Pessoas aguardam em um ponto de ônibus durante uma greve de dois dias dos motoristas em Assunção, em 16 de dezembro de 2025.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, 7 de cada 10 pessoas não têm seguro de saúde no Paraguai

"O Paraguai tem um dos sistemas de saúde mais injustos de toda a América Latina", afirma Patricia Lima, que faz parte da Associação Latino-Americana de Medicina Social (Alames)— uma organização civil que atua em defesa do direito à saúde e tem sede no país sul-americano.

O goleiro Orlando Gill, do Paraguai, durante a partida contra a França pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no estádio da Filadélfia, em 4 de julho de 2026, na Filadélfia, Pensilvânia.
Legenda da foto, A esposa de Orlando Gill, goleiro do Paraguai, contou que ele precisou vender suas camisas para custear o tratamento médico do filho

O sistema de saúde do Paraguai

Corredor de uma unidade de saúde do Instituto de Previdência Social (IPS), em Assunção, onde colchões com lençóis foram improvisados no meio da passagem para acomodar pacientes e acompanhantes. Foto de 13 de julho de 2026.
Legenda da foto, Familiares de pacientes internados improvisam camas com colchões nos corredores de um hospital do Instituto de Previdência Social (IPS), em Assunção

Um sistema fragmentado

'Questão pendente'

O presidente do Paraguai, Santiago Peña.
Legenda da foto, Santiago Peña reconhece que a saúde continua sendo um dos principais desafios do país
Daniela Benítez.
Profissionais de saúde com máscaras nos rostos e faixas durante protesto
Legenda da foto, Profissionais do sistema de saúde paraguaio tem protestado nos últimos anos para reivindicar melhores condições de trabalho

Baixos impostos, baixo investimento

Pacientes com dengue recebem tratamento em um hospital de Ñemby, no Paraguai em janeiro de 2020.
Legenda da foto, Os problemas do sistema de saúde do Paraguai não são novos, mas voltaram a ganhar visibilidade

Venda de frangos, rifas e doações

Várias pessoas com crianças sentadas no chão, em uma área de mato
Legenda da foto, Nas áreas rurais do país, mais de 82% dos pacientes não possuem seguro de saúde
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