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Tiros no Senado das Filipinas: Tensão em tentativa de prender senador

Um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) a humanidade contra Ronald dela Rosa deflagra confronto e fuga no parlamento filipino, com o presidente negando envolvimento

Tiros no Senado das Filipinas: Tensão em tentativa de prender senador

Tiros foram disparados dentro do Senado das Filipinas nesta quarta-feira durante uma operação para tentar prender o senador Ronald dela Rosa, alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). O incidente, que eleva a tensão política no país asiático, ocorre dias após o parlamentar, acusado de crimes contra a humanidade por sua atuação na "guerra às drogas" do ex-presidente Rodrigo Duterte, ter protagonizado uma "fuga" cinematográfica para evitar a custódia, buscando refúgio e proteção dentro do próprio Senado.

Confronto e Alerta em Tempo Real

A tentativa de prisão do senador Ronald dela Rosa, que está sob custódia protetiva do Senado desde a última segunda-feira (11), levou a momentos de caos nesta quarta-feira. Testemunhas relataram à agência Reuters, a presença de policiais e cerca de dez militares armados com rifles no local. Quando os disparos começaram, as pessoas foram orientadas a buscar abrigo. Mais cedo, em uma transmissão ao vivo no Facebook, o próprio Dela Rosa havia alertado sobre a iminente chegada de agentes e conclamou o público a protestar e impedir sua remoção, pedindo que "não permitam que outro filipino seja levado a Haia". Leia também: 'Hospitais totalmente lotados': como o terremoto pressiona ainda mais o já

A Fuga e a Custódia Protetiva

A tensão em torno de Ronald dela Rosa não é recente. Na segunda-feira, ao ser surpreendido por agentes com a intenção de prendê-lo, o senador protagonizou uma cena digna de filme, sendo perseguido por corredores e escadas do prédio até conseguir se refugiar em seu gabinete. Desde então, ele permanece sob a proteção da casa legislativa. O presidente do Senado, Alan Cayetano, defendeu a situação de Dela Rosa, afirmando que há um acordo de que o Senado não será "violado" e que não o "abandonarão até que esgote todos os recursos legais".

Versões Oficiais Contraditórias

Após o incidente com os tiros, as reações das autoridades filipinas apresentaram diferentes narrativas. O presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., divulgou uma mensagem de vídeo negando qualquer envolvimento de seu governo na ação, afirmando que não havia ordem para prender o senador e prometendo "chegar ao fundo disso". Contraditoriamente, o ministro do Interior, que chegou ao local após os disparos, declarou que o objetivo de sua visita era proteger Dela Rosa e que o senador estava seguro em seu gabinete, com a garantia de que "nenhum mandado de prisão será cumprido". O secretário da casa, Mark Llandro Mendoza, garantiu que todos no prédio estavam vivos e em segurança.

O Contexto: Crimes contra a Humanidade e a "Guerra às Drogas"

Ronald dela Rosa é uma figura central na controversa "guerra às drogas" promovida pelo ex-presidente Rodrigo Duterte, tendo sido o principal executor da campanha. O Tribunal Penal Internacional (TPI) confirmou, em 23 de abril, que Rodrigo Duterte será julgado por crimes contra a humanidade, e Dela Rosa também foi condenado pelo tribunal. Um painel de três juízes do TPI concluiu haver "fundamentação suficiente" para acreditar que Duterte teve papel central nos assassinatos de 76 pessoas e tentativas de assassinato de outras duas, em uma campanha que, segundo promotores, resultou na morte de milhares de civis (informações do G1). Leia também: Número de mortos nos terremotos na Venezuela passa de 1.400; equipes de resgate Mais de mundo

O que se sabe até agora

  • Tiros foram disparados no Senado das Filipinas em 13 de maio durante uma operação para prender o senador Ronald dela Rosa.
  • Dela Rosa é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade, relacionados à "guerra às drogas" de Rodrigo Duterte.
  • Desde 11 de maio, o senador está sob custódia protetiva do Senado, após uma tentativa inicial de prisão na qual ele fugiu.
  • O presidente do Senado, Alan Cayetano, defende Dela Rosa e garante que a instituição não permitirá a violação de seus espaços.
  • O presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., negou qualquer envolvimento do governo na operação e afirmou não haver ordens de prisão.
  • O ministro do Interior, presente no local, alegou que seu objetivo era proteger o senador e garantir que nenhum mandado fosse cumprido.

Este impasse entre a justiça internacional, a soberania nacional e a política interna das Filipinas levanta questões cruciais sobre a aplicação da lei e o respeito aos direitos humanos. A recusa em entregar Dela Rosa ao TPI pode ter implicações significativas para as relações diplomáticas do país e para a credibilidade das instituições nacionais perante a comunidade internacional.

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