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'Textor insulta a inteligência dos torcedores': como Lyon vê briga milionária com SAF do Botafogo

Na semana passada, a SAF do Botafogo informou que entrou com processos na Justiça para cobrar dívidas do Lyon, da França, que faz parte da rede multiclubes do grupo

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'Textor insulta a inteligência dos torcedores': como Lyon vê briga milionária com SAF do Botafogo

Na semana passada, a SAF do Botafogo informou que entrou com processos na Justiça para cobrar dívidas do Lyon, da França, que faz parte da rede multiclubes do grupo Eagle Football Holdings. A ESPN apresentou detalhes das ações na última terça-feira (7) e também procurou o time da Ligue 1 para ter uma posição sobre o tema. O resumo é que, na França, há total perplexidade sobre o caso.

Por sua vez, o empresário norte-americano John Textor, em contato com a reportagem, reforçou a posição apresentada nos processos e afirmou que a visão do Lyon "não condiz com a realidade" (leia o posicionamento completo abaixo). De maneira oficial, o clube francês informou à ESPN que, por ser uma companhia listada, não tem autorização e não irá se posicionar sobre a batalha jurídica. No entanto, a reportagem conversou com diversas fontes francesas com conhecimento das muitas disputas envolvendo o clube europeu, Textor e o grupo Eagle, que traçaram um panorama do tema.

De acordo com as fontes, apesar dos processos já estarem em curso (um corre na 2ª Vara Cível e o outro na 17ª Vara Cível do Rio de Janeiro), o Lyon ainda não recebeu qualquer notificação oficial sobre o tema até a última quinta-feira (9). O OL também entende que as ações não fazem qualquer sentido. A interpretação dos franceses, que se apoiam em declarações públicas do próprio Textor, é que o dinheiro que está sendo cobrado agora circulava no caixa do grupo Eagle, e não nas contas do time francês.

Portanto, o entendimento é que as transações, empréstimos e operações eram de " Textor para Textor" , e que o empresário agora estaria cobrando ele mesmo na Justiça.

Além disso, as fontes reforçam que, no dia 27 de março, e Eagle Bidco (holding que controla o Lyon) entrou em administração e foi assumida pela consultoria inglesa Cork Gully, especializada em reestruturações. As pessoas ouvidas pela ESPN salientam que, se alguém entende que tem dívidas a cobrar do OL, deve entrar em contato com a Cork Gully através dos canais oficiais para iniciar os procedimentos formais, e não na Justiça comum. Uma fonte com conhecimento do tema, aliás, enxerga os processos iniciados pela SAF do Botafogo como uma forma de Textor tentar "recuperar o amor" da torcida do Glorioso.

" O sentimento é que John (Textor) está em grande dificuldade no Brasil, e que essa ameaça através de um processo é uma maneira populista de reencontrar o amor dos torcedores do Botafogo. Mas o que parece, acima de tudo, é que é uma maneira de insultar a inteligência dos torcedores", opinou a pessoa, que foi ouvida pela ESPN em condição de anonimidade.

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Por fim, as pessoas consultadas pela reportagem na França ainda lembraram que o Lyon segue ligando com outros problemas gerados pelo sistema de caixa único do grupo Eagle, como as operações envolvendo atletas como Igor Jesus, Luiz Henrique, Thiago Almada, Savarino e Jair. Esses atletas foram chamados pelas fontes de "jogadores fantasmas", e a reclamação é que o OL está sendo cobrado por bancos e fundos de investimentos por jogadores que sequer foram registrados ou vestiram a camisa da equipe francesa. O dinheiro que circulou nessas negociações, por sua vez, também envolveu clubes como o Nottingham Forest, da Inglaterra, o que tornou ainda mais difícil "localizar" os fundos. Leia também: Palmeiras vê 'perseguição' a Abel Ferreira e usa exemplos de rivais para questionar STJD

Diego Garcia traz mais informações sobre a situação O Lyon existe no Brasil? Outro ponto importante nas ações da SAF do Botafogo contra o Lyon é que a equipe carioca pediu que à Justiça que o time francês seja citado no endereço de sua suposta subsidiária no Brasil: a OL BRESIL LTDA., cujo nome fantasia é OLYMPIQUE LYONNAIS SASU BRASIL.

A ESPN questionou o Lyon sobre o tema e perguntou se a empresa representa o time da Ligue 1 no Brasil. A resposta oficial foi que, pelo fato do clube francês ser uma companhia listada, não tem autorização e não vai se posicionar sobre sua suposta relação com a empresa. Fontes com conhecimento do tema, no entanto, afirmaram que a companhia "não está mais ativa".

Na França, inclusive, o sentimento é de espanto pela menção à OL BRESIL LTDA., já que "ninguém sabe para o que essa companhia foi criada ou para o que ela serviu". No sistema da Receita Federal do Brasil, a empresa aparece como criada em 19 de junho de 2024 e consta como "ativa", tendo como atividade econômica principal o "agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas". A companhia, inclusive, tem endereço físico em um complexo de escritórios na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Em seu quadro de sócios, constam apenas dois nomes: Thairo Arruda, ex-CEO da SAF do Glorioso, que deixou seu cargo no time carioca no início de fevereiro e é descrito pela Receita como "administrador"; e Emerson Leão dos Santos, descrito como "sócio pessoa jurídica domiciliado no exterior" (no caso, na França) na qualidade de "procurador" da empresa. Justamente por isso, a interpretação das fontes ouvidas na França é que a OL BRESIL LTDA.

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é uma "caixa vazia", que a empresa não tem dinheiro e que, mais uma vez, Textor estaria fazendo mais uma vez uma cobrança contra ele mesmo. Procurado na última quinta-feira (9) pela ESPN, Thairo Arruda não respondeu até a publicação desta reportagem. Caso o faça, a matéria será atualizada. Mais de esporte

Textor se posiciona Procurado pela ESPN, John Textor se posicionou sobre o novo capítulo da "guerra" entre Botafogo SAF e Lyon. Em nota oficial enviada à reportagem, ele assegurou que o OL é responsável pelos "problemas causados" ao Glorioso e exigiu que a equipe francesa envie seus posicionamentos à Justiça do Brasil. O empresário norte-americano também salientou que as ações da SAF são contra o Lyon em si, e não contra a OL BRESIL LTDA., que foi citada de forma meramente protocolar nos processos por, em teoria, ser subsidiária do time francês no Brasil.

Veja abaixo o comunicado na íntegra: Eu não compreendo as alegações do Lyon, já que elas não refletem a realidade. Primeiramente, nossas iniciativas não são dirigidas contra a OL BRESIL LTDA., apenas contra o Lyon SASU.

Eu repito: a OL BRESIL LTDA. não é parte de nenhum processo jurídico. Em resumo, de acordo com o que é permitido pelas leis do Brasil, nós apenas requisitamos que o Lyon SASU seja formalmente notificada da existência dos processos através de sua subsidiária no Brasil. Leia também: Arboleda quer 'rescisão amigável' com São Paulo, que pode economizar R$ 20 milhões com contrato

Os dois processos são públicos e podem ser consultados para confirmar essa informação. Em referência também aos nossos problemas no Brasil, que foram claramente causados pelo Lyon SASU, o que me parece é que o Lyon está tentando desviar a atenção do assunto principal, que são os valores devidos ao Botafogo SAF. Também quero aproveitar a oportunidade para enviar provas materias de uma das transferências que fizemos em favor do Lyon, que também foram anexadas aos processos judiciais mencionados acima.

Se esse documento existe e se as quantias foram de fato transferidas, não há como o Lyon alegar que a iniciativa do Botafogo SAF não tem base jurídica. Informamos que todas as nossas reivindicações baseiam-se em transferências eletrônicas efetivas de recursos financeiros, realizadas em conformidade com um contrato de mútuo intercompanhias aprovado pelo Lyon Sasu, no âmbito de uma iniciativa de cash pooling que contou com a plena aprovação do Conselho de Administração e da Assembleia Geral do Lyon. Por fim, como o Lyon parece ter ciência e inclusive de ter analisado os processos, eu gostaria de pedir a eles que tomem a iniciativa e enviem seus posicionamentos à Justiça, já que essa situação precisa ser resolvida com urgência, já que essas quantias são significantes e indispensáveis para o Botafogo SAF.

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Como dito no comunicado, Textor enviou também à ESPN um comprovante de transferência feito ao Lyon em 27 de dezembro de 2024. No documento, é mostrado que, através de uma operação realizada no Ebury Banco de Câmbio S.A., foi transferida a quantia de 18.441.444,08 euros (R$ 119.786.400,02, de acordo com a taxa cambial do banco) à entidade Olympique Lyonnais, que foi recebida através do banco Santander. No total, a SAF do Botafogo diz que as ações na Justiça são para cobrar mais de R$ 745 milhões da equipe francesa.

Lyon tem déficit monstruoso Na última quarta-feira (7), foi publicado o balanço financeiro do Lyon para a temporada 2024/25. O déficit apresentado foi assustador.

De acordo com o relatório da DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão), órgão que controla o fair play financeiro no Campeonato Francês, o OL fechou o ano no vermelho em 208,6 milhões de euros (R$ 1,246 bilhão). O número chamou bastante a atenção da imprensa local, já que, na temporada anterior (2023/24), o déficit da equipe havia sido de "apenas" 25,8 milhões de euros (R$ 154,12 milhões). O déficit do Lyon em 2024/25 foi disparado o maior de toda a Ligue 1.

O 2º colocado foi o Olympique de Marselha, com 104,8 milhões de euros (R$ 626,05 milhões) - ou seja, quase metade do OL. Dos 18 times da elite francesa, aliás, só sete fecharam a temporada com superávit. Nem mesmo o PSG escapou do vermelho, apresentando um balanço negativo de 40,2 milhões de euros (R$ 240,14 milhões).

Próximos jogos do Botafogo: Coritiba (C) - 12/04, 16h (de Brasília) - Campeonato Brasileiro Racing (F) - 15/04, 19h (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana Chapecoense (F) - 18/04, 18h30 (de Brasília) - Campeonato Brasileiro

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