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Terceira Guerra Mundial? Por que a ideia de que o mundo já enfrenta um conflito

Crédito, Divulgação/x.com/IsraeliPM Article Information Author, João Caminoto Role, De Paris para a BBC News Brasil Published 28 julho 2026, 13:50 -03 Atualizado Há 1

Terceira Guerra Mundial? Por que a ideia de que o mundo já enfrenta um conflito
Trump e Netanyahu durante encontro na Casa Branca

Crédito, Divulgação/x.com/IsraeliPM

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    • Author, João Caminoto
    • Role, De Paris para a BBC News Brasil
  • Published 28 julho 2026, 13:50 -03
    Atualizado Há 1 hora
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Trinta mil soldados norte-coreanos a caminho da linha de frente russa.

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Drones Shahed, fabricados no Irã, caindo sobre Kiev havia meses— agora sendo abatidos por especialistas ucranianos enviados ao Golfo Pérsico para ajudar a proteger aliados americanos de outros drones Shahed, disparados por outro país.

Há dois anos, cada um desses fatos seria tratado como episódio isolado, próprio de uma guerra regional específica. Hoje, cada vez mais gente enxerga neles a mesma coisa: pedaços de um único conflito, que se espalha.

A sensação de que o mundo já vive— ou está a poucos passos de viver— uma guerra mundial deixou de ser provocação acadêmica e virou tema corrente entre analistas de segurança internacional, colunistas e formuladores de política externa. Leia também: 'Passei a acreditar que meus parentes eram assassinos': como conversas com IA

Não é consenso, e ninguém está dizendo que o mundo caminha para uma repetição das duas guerras do século 20.

Mas a percepção de que os conflitos da Ucrânia e do Irã pararam de correr em paralelo e passaram a se tocar diretamente veio ganhando corpo nas últimas semanas— e os encontros do presidente americano, Donald Trump, nesta terça-feira (28/7), em Washington, com o ucraniano Volodymir Zelensky e com o israelense Benjamin Netanyahu, ajudaram a reavivar essa sensação, ao reunir na mesma sala, no mesmo dia, os líderes dos dois lados de guerras que já deixaram de correr em paralelo: de um lado, Rússia e Irã, que trocam armas e inteligência entre si; do outro, Ucrânia, que agora troca tiros diretamente com o Irã.

Mísseis em exibição no Irã

Crédito, EPA

A tese de Paul Poast

"Os EUA continuam equipando, treinando e fornecendo inteligência à Ucrânia— fazem tudo menos puxar o gatilho. E a Rússia está fazendo o mesmo pelo Irã: fornecendo armas, informações de alvejamento e assistência de planejamento."

A frase é do professor de Relações Internacionais e Ciência Política da Universidade de Chicago, Paul Poast, em entrevista à BBC News Brasil em maio— um dos primeiros a dar nome e substância a essa sensação.

Para ele, dois elementos bastam para justificar o conceito de guerra mundial: duas grandes guerras simultâneas em continentes diferentes, a da Ucrânia e a do Irã, e o envolvimento direto de grandes potências em ambas, cada uma apoiando o adversário da outra no conflito oposto. Leia também: Teoria do apego: por que ela virou febre nas redes sociais e o que revela

Poast reconhece que a escala dos conflitos atuais está longe da devastação das duas guerras do século 20, mas recorre a um paralelo histórico menos óbvio: a Guerra dos Sete Anos, no século 18, que também reuniu múltiplas potências em múltiplos teatros sem alcançar aquele patamar de destruição.

"Essa é uma analogia muito melhor para pensar o conceito de guerra mundial", disse. Já em maio, via na China o fator mais imprevisível da equação— o risco de Pequim interpretar o desgaste americano na Ucrânia e no Irã como uma janela de oportunidade sobre Taiwan. "Esse seria o grande ponto de inflexão", afirmou.

Nesta terça-feira, Poast atualizou sua avaliação à BBC News Brasil: "Os acontecimentos recentes e as informações mais atuais reforçam como aquilo que talvez parecesse, em maio, uma afirmação provocativa— a de que vivemos uma guerra mundial— hoje é visto como plausível, talvez até amplamente aceito. Os dois conflitos estão atraindo mais países, e nenhum dos dois parece perto do fim."

O professor repetiu, ainda, a ressalva que fizera antes: "Isso não significa que os conflitos vão atingir o nível de violência da Primeira ou da Segunda Guerra Mundial, mas isso não é necessário para que um conflito se integre a uma guerra mundial."

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