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As tensões aumentaram em algumas regiões da Bolívia neste sábado (20), quando as autoridades começaram a remover os bloqueios nas estradas após o presidente Rodrigo Paz ter declarado estado de emergência em meio a protestos que paralisaram a economia nos últimos 50 dias e deixaram pelo menos 14 mortos.
Dirigindo-se à nação na madrugada de sábado, Paz, de orientação centrista, afirmou que os bloqueios antigovernamentais não eram mais um protesto social, mas uma tentativa organizada de desestabilizar a democracia boliviana.
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“Chega um momento em que a ausência de ação deixa de ser prudência e se torna irresponsabilidade. E esse momento chegou”, disse Paz, prometendo que a medida, que permite um maior destacamento militar, protegeria os cidadãos e garantiria o fluxo de bens essenciais. Ele alertou que aqueles que continuassem com as interrupções enfrentariam consequências legais.
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Estradas bloquedas
Grupos de manifestantes, muitos deles aliados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, bloquearam estradas importantes, deixando caminhões retidos e interrompendo o abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos em muitas áreas, afetando particularmente a capital administrativa da Bolívia, La Paz, e a cidade vizinha de El Alto.
Pelo menos duas dúzias de veículos e caminhões, várias motocicletas e diversos tratores partiram da sede da polícia em El Alto, no sábado, rumo a uma rodovia principal que tem sido bloqueada rotineiramente por grupos de manifestantes. Leia também: Mega-Sena hoje, concurso 3021: confira o resultado sorteado neste sábado (20)
“Sofremos muito e queremos que tudo isso seja resolvido. É bom; todos nós, vizinhos, estamos de acordo”, disse Elvira de Mamani, de 65 anos, enquanto observava um enorme trator remover os detritos que bloqueavam a rodovia em frente ao seu bairro em El Alto.
Em outro bloqueio mais adiante, um grupo de caminhoneiros que dormia na fila desde sexta-feira gritava: “Queremos gasolina!”, enquanto o bloqueio era removido.
Dezenas de pessoas se alinharam ao longo de uma rodovia em uma área de El Alto onde moram migrantes de comunidades camponesas das terras altas, gritando palavras de apoio aos protestos.
Poderes de emergência
Tanto aliados do governo quanto políticos da oposição apoiaram o estado de emergência decretado por Paz. O Congresso abriu caminho para a declaração em maio, quando revogou uma lei que impunha limites ao uso de decretos de emergência pelo Poder Executivo e era vista como favorável aos sindicatos e às organizações sociais.
“Vimos que, após 50 dias de bloqueio, isso era necessário. Consideramos que foi um pouco tarde, porque, infelizmente, já houve perda de vidas”, disse Lissa Claros, deputada do partido de oposição de direita Alianza Libre. “Esperamos que, com isso, a ordem e a paz possam ser restauradas em todo o território nacional.” Mais de economia
Tensões elevadas na Bolívia
Alguns deputados da oposição alertaram que o estado de emergência poderia aumentar ainda mais as tensões, enquanto analistas e especialistas jurídicos também afirmaram que os poderes de emergência poderiam agravar a agitação se não contassem com apoio público e não conseguissem resolver as causas subjacentes aos protestos.
O governo afirmou que a medida é necessária para pôr fim à crise.
“Este não é um estado de emergência para restringir a vida das pessoas… É um estado de emergência para devolver a liberdade ao povo, para libertar a Bolívia daqueles que usam o conflito político para bloquear estradas e prejudicar a população”, disse Paz. Leia também: Governo planeja entregar 4 editais de leilão de ferrovias ao TCU, diz ministro
Medidas extraordinárias
Em comunicado, o Ministério da Defesa informou que não há toque de recolher, mas que o governo está avaliando “medidas extraordinárias” para regiões “sensíveis” do país, o que incluiria restrições temporárias à circulação e limitações a aglomerações.
O Ministério de Mineração da Bolívia informou em comunicado que as minas do país estavam operando normalmente.
Paz fez o anúncio horas depois de revelar um acordo firmado na sexta-feira com o principal sindicato, a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB), que visava amenizar a tensão.
No entanto, muitas estradas que ligam o principal centro de produção do país sul-americano estão sob o controle de associações rurais alinhadas com Morales, que não participaram das negociações e continuam protestando principalmente na região de Cochabamba.
Embora a ordem entre em vigor imediatamente, o presidente deve notificar o Congresso sobre o estado de emergência dentro de 24 horas após a emissão do decreto. O Congresso tem então até 72 horas para aprovar ou rejeitar a medida.
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