CEO discorda de Musk: “IA não vai eliminar o dinheiro — somos animais de status”
Ler matéria →
A cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 pode voltar a valer a partir de 9 de setembro caso o Congresso não aprove, até lá, a medida provisória que suspendeu a chamada “taxa das blusinhas”.
O prazo ganhou peso nesta quarta-feira (12), depois que a instalação da comissão mista responsável por analisar a MP foi adiada por falta de acordo entre os líderes do Congresso sobre quem comandará o colegiado.
Leia no AINotícia: Economia: Panorama dos Destaques Nacionais e Globais da Semana
A medida foi publicada em 12 de maio e permitiu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, reduzir a zero a alíquota do imposto de importação incidente sobre remessas internacionais de pequeno valor.
Baixe agora!
Como toda medida provisória, o texto entrou em vigor imediatamente, mas depende de aprovação da Câmara e do Senado para continuar valendo. Neste caso, o prazo termina em 8 de setembro.
Se não houver votação dentro desse prazo, Durigan perde a autorização concedida pela MP e a alíquota de 20% volta a ser aplicada às compras de até US$ 50, a menos que outra norma seja aprovada antes. Leia também: Economia: Panorama da semana com inflação nos EUA e restrições da Anvisa
Tramitação ainda está no começo
A proximidade do prazo preocupa o governo porque a proposta ainda precisa percorrer várias etapas no Congresso. A comissão mista de deputados e senadores terá de ser instalada, analisar o texto e aprovar um parecer. Depois disso, a MP segue para votação nos plenários da Câmara e do Senado.
Caso os senadores façam alterações no texto aprovado pelos deputados, a proposta precisa voltar à Câmara.
O calendário eleitoral reduz ainda mais o espaço para essa tramitação. Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, reservou dois períodos de esforço concentrado antes da eleição: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou na terça-feira que a análise precisa ocorrer nas próximas semanas para evitar o retorno da cobrança.
Antes do recesso, Alcolumbre se reuniu com representantes do varejo contrários à medida. Segundo relatos, o senador não indicou um calendário para votação nem antecipou como pretende se posicionar. Mais de economia
Governo vê risco político
A retirada do imposto ocorreu depois de o governo avaliar que a cobrança sobre compras de baixo valor poderia ampliar o desgaste de Lula em pleno ano eleitoral.
Dentro do Executivo, há receio de que adversários da medida retardem a tramitação e deixem a MP perder validade, fazendo a taxação retornar poucas semanas antes da eleição.
A relação entre Lula e Alcolumbre também passou por um período de afastamento. Os dois voltaram a se encontrar na semana passada, em um evento promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas não trataram das pendências legislativas. Leia também: CEO discorda de Musk: “IA não vai eliminar o dinheiro — somos animais de status”
ICMS continua sendo cobrado
O fim da alíquota federal não eliminou todos os tributos sobre as encomendas internacionais. Os estados continuam cobrando ICMS, com alíquotas entre 17% e 20%. Essa tributação não depende da validade da medida provisória e permanecerá mesmo se o Congresso confirmar o fim do imposto de importação.
Também está prevista uma nova cobrança federal a partir de 2027, dentro das regras da reforma tributária sobre o consumo.
A alíquota ainda não foi definida. Estimativa da consultoria Roit aponta que ela pode ficar em 9,43% no primeiro ano de vigência. Em junho, primeiro mês completo sem o imposto federal de 20%, o volume de encomendas internacionais aumentou.
Varejo pressiona pela volta da cobrança
A medida enfrentou resistência de consumidores porque aumentava o preço de produtos vendidos por plataformas internacionais. A oposição também explorou o tema politicamente e associou a cobrança ao aumento da carga tributária.
Empresas do varejo nacional defendem posição diferente. O setor argumenta que produtos importados de baixo valor enfrentam uma carga tributária menor que a aplicada às mercadorias comercializadas no Brasil e cobra regras tributárias semelhantes para concorrentes nacionais e estrangeiros.
Tópicos relacionados
- Política
- Congresso
- Eleições 2026
- Taxa das blusinhas
Marina Verenicz
Política
|
Brasil
|
Mundo
Leia também no AINotícia
- CEO discorda de Musk: “IA não vai eliminar o dinheiro — somos animais de status”Economia · agora
- Canetas emagrecedoras movimentam R$ 2,35 bi e viram alvo de fraudes onlineEconomia · agora
- MRV&CO: Prejuízo líquido consolidado é de R$ 626,3 mi no 2T, perda 22,7% menorEconomia · agora
- De guarda-costas a homem forte: como o neto de Raúl Castro ganhou poder em CubaEconomia · agora

