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Ler matéria →Tati Machado está grávida: o que esperar de uma nova gravidez após perda gestacional? Histórico de óbito fetal exige atenção redobrada na gestação seguinte, mas acompanhamento especializado pode aumentar a segurança da mãe e do bebê Tati Machado, de 34 anos, anunciou, nesta quinta-feira, 11, que está grávida novamente. A informação foi divulgada nas redes sociais da apresentadora, em um vídeo gravado junto ao marido, Bruno Monteiro.
“ O amor encontrou mais um jeito de florescer“, escreveu ela na publicação. Em maio de 2025, a jornalista passou por uma perda gestacional aos oito meses de gravidez.
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Na época, Tati relatou que a gestação transcorria de forma saudável e que foi à maternidade após notar a ausência de movimentos do bebê. No hospital, a família descobriu que o neném havia enfrentado uma parada cardíaca. Segundo a apresentadora, a causa da ocorrência nunca foi explicada.
O que pode levar à uma perda gestacional? Pode-se dizer que existem dois tipos de perda gestacional: o aborto espontâneo, quando a gravidez é interrompida até 20 semanas, e o óbito fetal (ou perda gestacional), quando o falecimento do bebê acontece a partir das 22 semanas de gravidez ou com o feto pesando, pelo menos, 500 gramas. Além disso, casos em que o óbito acontece a partir de 28ª semana recebem o nome de “perda gestacional tardia”.
Estima-se que abortos espontâneos ocorram entre 10% e 15% das gestações confirmadas, embora uma quantidade muito maior não seja reconhecida porque acontece antes de a mulher descobrir que estava grávida. Já os óbitos fetais são mais raros. Ainda assim, a estimativa é de que, mundialmente, sejam notificados 2,6 milhões de casos por ano. Leia também: O que é a pleurite? Conheça os principais sintomas e tratamentos
Diversos fatores podem explicar uma perda gestacional tardia. Entre eles, estão características do próprio bebê, como baixo peso– condição chamada de restrição do crescimento fetal –, doenças autoimunes ou, ainda, infecções. A saúde da mãe também tem forte interferência.
Nesse sentido, chamam a atenção hipertensão crônica (quando a mulher já engravida com pressão alta), doenças renais crônicas, doenças autoimunes, como lúpus, e diabetes. Há, ainda, riscos menos comuns associados a traumas, como acidentes automobilísticos. Nesses casos, pode ocorrer descolamento da placenta, levando o bebê a óbito.
Nessa lista também estão alterações genéticas e cromossômicas dos pais ou do neném, embora elas geralmente estejam associadas a abortamentos precoces (antes de 12 semanas). Em caso de perdas inexplicáveis, como a de Tati, deve ser considerada a possibilidade de a mãe ter trombofilia, condição ligada a maiores chances de trombose (formação de coágulos que obstruem os vasos sanguíneos) devido a alterações hereditárias ou adquiridas. Esse tipo de evento pode ocorrer, também, na circulação da placenta, impedindo a passagem de oxigênio e nutrientes essenciais para o feto.
Quanto tempo é preciso esperar até uma nova gestação? Nos casos em que há uma perda gestacional acima das 20 ou 28 semanas– situações nas quais o parto é realizado– o ideal é que haja um intervalo de ao menos dois anos até a nova gravidez, segundo Débora Farias Leite, membro da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Mas isso vai depender muito da avaliação individualizada da paciente”, pondera.
De acordo com a médica, não há um período exato ou universal estabelecido pela ciência. Por isso, a decisão sobre quando tentar engravidar novamente leva em conta diferentes aspectos. Em primeiro lugar, é preciso considerar o tempo requerido para identificar, se for possível, a causa da perda gestacional. Mais de saude
Essa informação será fundamental para garantir a segurança da próxima gravidez. “Existem algumas situações, como as trombofilias, que precisam de uma investigação feita fora do período de gestação, com alguns exames precisando ser repetidos dentro de algumas semanas”, exemplifica a médica. Além disso, é preciso considerar o período de recuperação do corpo após o evento.
Algumas situações, como descolamento prematuro de placenta, estão relacionadas a um sangramento importante e podem trazer sequelas como anemia e alterações renais que precisam de cuidados prolongados. Por isso, considerando que entre 45 e 60 dias depois da perda gestacional a mulher já volta a ovular, é indicada a utilização de métodos contraceptivos durante o período de recuperação e investigação. Por último, mas ainda mais importante, também é importante levar em conta o tempo para restauração emocional e psicológica da mãe.
“Não existe um filho que substitua outro. Então, é necessário prestar atenção aos aspectos emocionais também, isto é, no quanto a mulher se sente recuperada emocionalmente e preparada psicologicamente para passar por uma nova gestação”, considera a médica. Perda gestacional pode ocorrer novamente? Leia também: Medo do câncer ganha destaque após novo desdobramento em medo do câncer
Segundo Leite, na área da obstetrícia, eventos que acontecem em uma gestação sempre são vistos como fatores de risco para uma gravidez futura. Por isso, ela alerta: “o principal fator de risco para uma perda fetal é a mãe já ter tido uma perda fetal anterior, especialmente quando ocorreu acima das 28 semanas”, diz.
Isso não significa, porém, que uma nova gravidez terá necessariamente o mesmo desfecho, mas alerta para a importância de uma investigação cuidadosa das possíveis causas da perda e um acompanhamento individualizado antes e durante a gestação. É o que explica Leonardo Coelho, Médico Obstetra especialista em Gestação de Alto Risco e Coordenador da Emergência da Maternidade Brasília, da Rede Américas. “Quando a perda gestacional ocorre de forma isolada, sem intercorrências e com os exames iniciais já concluídos, não existe contraindicação para uma nova tentativa de gravidez, caso a mulher se sinta preparada física e emocionalmente”, diz.
Mas o acompanhamento é fundamental– e varia de acordo com a causa identificada para a perda anterior. “Não é uma gestação considerada de baixo risco ou de risco habitual. Por isso, todos os fatores devem ser acompanhados de perto.
Ainda assim, ela pode ser tranquila em função do tanto que a mulher aprendeu e experienciou”, considera Leite. Quais cuidados são necessários? Após uma perda gestacional tardia, os especialistas recomendam que a mulher passe por uma avaliação médica detalhada antes de tentar engravidar novamente.
O objetivo é investigar as possíveis causas do evento e corrigir fatores que possam aumentar os riscos em uma futura gestação. Sempre que possível, essa investigação inclui a análise da placenta e, em alguns casos, exames complementares, como autópsia ou biópsia fetal, que podem ajudar a esclarecer o que levou à perda. Além da busca por respostas, como já visto, é importante garantir que o organismo esteja plenamente recuperado.
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