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Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação, diz

Crédito, Anadolu via Getty Images Article Information Author, Julia Braun Role, BBC News Brasil Published 2 junho 2026, 13:25 -03 Atualizado Há 1 hora Tempo de leitura

Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação, diz
Contêineres no Porto do Rio de Janeiro aguardando navios para exportar mercadorias

Crédito, Anadolu via Getty Images

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    • Author, Julia Braun
    • Role, BBC News Brasil
  • Published 2 junho 2026, 13:25 -03
    Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 4 min

A publicação do resultado da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e a ameaça da implementação de uma tarifa retaliatória adicional de 25% a determinados produtos pode ter um efeito imediato entre os exportadores brasileiros, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ.

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Segundo o especialista em comércio exterior, a recomendação publicada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na segunda-feira (1/6) ainda não é uma ação definitiva e deve ser submetida a um período de consulta pública e negociações.

Ainda assim, a simples ameaça de aplicação de novas tarifas já afeta o mercado de exportações.

Isso porque produtores brasileiros podem preferir esperar uma definição para evitar perdas quando as tarifas entrarem em vigor. Leia também: Lula critica Rubio; Trump nomeia aliado inexperiente na inteligência

"Vários exportadores temem que cheguem lá com a tarifa mais alta e vão restringir até que se tenha uma definição", disse Barral à BBC News Brasil.

Em seu relatório, o USTR recomenda a aplicação de tarifas de 25% sobre alguns produtos brasileiros, mas lista uma série de exceções.

Ainda assim, aponta Welber Barral, se a taxação for eventualmente adotada, alguns bens exportados pelo Brasil poderiam passar a enfrentar uma tarifa de 35%, tornando-os muito mais caros do que os de outros concorrentes.

Lula e Trump se reuniram na Casa Branca em maio

Crédito, RICARDO STUCKERT

Legenda da foto, Lula e Trump se reuniram na Casa Branca em maio

A visão sobre um possível impacto impediato do anúncio foi reforçada pelo economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em entrevista à BBC Brasil. Mais de mundo

Segundo Martins, o fato da divulgação das conclusões da investigação comercial coincidir com a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas aumenta a incerteza para investidores multinacionais.

"O momento da declaração que classifica grupos como organizações terroristas coincide com essas tensões, o que pode levar empresas a segurarem investimentos no curto prazo enquanto aguardam desdobramentos", afirmou.

'Conclusões superficiais'

A investigação comercial foi aberta pelos EUA em julho do ano passado, com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

No documento publicado pelo USTR, o governo americano disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e, por isso, tarifas retaliatórias de 25% deveriam ser instauradas contra produtos brasileiros.

Um dos alvos da investigação americana é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o relatório.

Segundo Welber Barral, a investigação americana dedicou atenção limitada aos argumentos brasileiros, apresentados após a abertura da sindicância.

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