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Tarifaço de Trump na imprensa internacional: 'Instrumento para impor novas

Crédito, Reuters Legenda da foto, A proposta do governo Trump de adotar tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros repercutiu na imprensa internacional

Tarifaço de Trump na imprensa internacional: 'Instrumento para impor novas
Donald Trump

Crédito, Reuters

Legenda da foto, A proposta do governo Trump de adotar tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros repercutiu na imprensa internacional
Published 3 junho 2026, 05:49 -03
Tempo de leitura: 4 min

A proposta do governo dos Estados Unidos de adotar tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros após a conclusão de uma grande investigação comercial contra o Brasil repercutiu na imprensa internacional.

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O governo americano concluiu que certas práticas do governo brasileiro — que envolvem diversas áreas, como o sistema de pagamentos Pix, a comercialização de etanol, o combate a corrupção, o respeito a propriedade intelectual e o desmatamento na Amazônia, entre outros — são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".

O jornal britânico The Guardian destacou que os EUA estão propondo tarifas contra o Brasil "apesar do superávit comercial dos EUA". O Guardian afirma que "a China tem sido o maior parceiro comercial do Brasil por cerca de uma década".

"Documentos divulgados pelo representante comercial dos EUA mostram que, no ano passado, as exportações americanas para o Brasil aumentaram quase 11%, atingindo US$ 54,4 bilhões. As exportações brasileiras para os EUA caíram 5,7%, para US$ 39,9 bilhões, o que significa que os EUA tiveram um superávit comercial de mais de US$ 14 bilhões", afirma o jornal britânico. Leia também: 'O Pix não sofre nenhuma ameaça', diz ex-diretor da OMC sobre relatório dos EUA

"O desequilíbrio comercial no setor de serviços é ainda mais favorável aos EUA, com as exportações de serviços previstas para 2024 atingindo US$ 29,6 bilhões, quatro vezes o valor das exportações brasileiras de serviços para os EUA."

O jornal destacou também as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — tanto ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, como ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à eleição presidencial.

O Guardian destacou que, em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil.

Mas afirma que a legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resiste a contestações judiciais, e "é provável que o governo use essa autoridade para impor outras tarifas e recuperar parte da receita tributária perdida quando a Suprema Corte rejeitou as tarifas da IEEPA".

"O governo Trump tem trabalhado para estabelecer um sistema tarifário global mais duradouro até o verão (do hemisfério norte), mas a Seção 301 exige que o governo realize investigações específicas para cada país e promova consultas e audiências antes que os novos impostos de importação entrem em vigor", afirma o jornal americano. Leia também: 'Tinha me esquecido da sensação de estar ao ar livre': como é a primeira UTI

O New York Times também destacou que as tarifas propostas pelos EUA "isentariam alguns produtos, incluindo carne bovina, café, metais de terras raras, equipamentos aeronáuticos e certas frutas e vegetais".

A rede Al Jazeera, do Catar, destacou que outros países, como a China e o Vietnã, também estão sob investigação. E disse que "as mudanças [propostas pelos EUA] ocorrem apesar da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington no mês passado, em um momento em que as relações se deterioraram nos últimos meses".

O jornal argentino Clarín destacou em seu título as críticas de Lula a Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo Bolsonaro: "Os EUA estão considerando impor tarifas de 25% sobre o Brasil, e Lula acusa os filhos de Bolsonaro de serem 'traidores'".

"Embora os mercados tenham reagido com relativa indiferença à notícia, o presidente Lula da Silva, em tom eleitoral, acusou os filhos de Jair Bolsonaro de estarem por trás da imposição da tarifa", disse o jornal argentino. "Ainda assim, Bolsonaro negou ter solicitado a imposição de tarifas."

O Clarín afirma também que "do ponto de vista comercial, os analistas minimizaram o impacto das tarifas, considerando que muitos produtos são isentos".

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