Surto de ebola: com 80 mortes, OMS declara emergência internacional Cepa viral envolvida em casos no Congo em Uganda é menos conhecida e não tem tratamento específico aprovado A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, no final de semana, que o surto de ebola em andamento na República Democrática do Congo já deve ser enquadrado como uma emergência de saúde internacional, devido às características “extraordinárias” do caso. Já há 80 mortes suspeitas.
Paralelamente, também há registros de dois casos e uma morte na vizinha Uganda. É importante destacar: o risco global perante a doença continua sendo considerado baixo pela OMS. No entanto, o alerta internacional é justificado pela necessidade de coordenação de ações entre os países da região.
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A vigilância epidemiológica é especialmente recomendada para outros países que fazem divisa simultaneamente com Congo e Uganda, casos de Sudão do Sul e de Ruanda, onde ainda não há casos detectados. O que se sabe sobre o surto A maior parte dos casos observados até aqui está concentrada na República Democrática do Congo. Leia também: Corrida ganha destaque após novo desdobramento em corrida: você pode (e deve!)
O foco está na província de Ituri. Ao todo, no país, há 246 casos suspeitos (com 8 confirmados em laboratório) e 80 mortes suspeitas. A preocupação é acentuada devido ao registro de quatro mortes suspeitas entre profissionais de saúde, o que pode indicar um cenário de transmissão em hospitais.
O tipo de ebola envolvido é o chamado vírus Bundibugyo, que impõe desafios extras às autoridades sanitárias: apesar de já ter sido identificado em surtos anteriores, em 2007 e 2012, ele ainda é menos conhecido do que outras variantes do ebola. Ele não conta com vacina nem tratamento aprovado e, nos episódios vistos anteriormente, a letalidade conhecida ficou em 30% dos pacientes identificados. Além do foco principal no Congo, já há casos também na vizinha Uganda.
Eles são bem menos numerosos, mas a detecção de pacientes com o Bundibugyo com pouco intervalo de tempo entre si sugere a possibilidade de uma rápida disseminação internacional. Até aqui, foram identificados dois casos na capital Kampala, com menos de 24 horas de diferença (confirmados nos dias 15 e 16 de maio). Os doentes não tinham ligação aparente entre si.
Um deles morreu. Por que o surto atual é “extraordinário”, segundo a OMS A OMS acendeu o alerta para o surto atual em função das características do vírus envolvido e da aparente disseminação veloz dos contágios. Mais de saude
Como a doença já foi identificada até mesmo em um grande centro urbano como Kampala – uma cidade de 1,6 milhão de habitantes – e em pacientes que não pareciam ter relação entre si, há grande chance de subnotificação, com o número de casos reais sendo muito maior do que o identificado até o momento. Ainda que a maioria dos casos seja tratada como “suspeita” em função da falta de recursos para testes laboratoriais mais rápidos, também há uma alta positividade nas amostras que já foram efetivamente testadas: 8 casos confirmados em 13 amostras coletadas em várias áreas, o equivalente a 61,5%. O fato de o surto estar relacionado ao vírus Bundibugyo também torna mais difícil o manejo da doença, já que não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados, diferente do que ocorre com a cepa Zaire do ebola.
Segundo a OMS, o risco para os países imediatamente ao redor do Congo é acentuado devido ao contexto permanente de crise humanitária na região, que dificulta a vigilância epidemiológica e o acesso ao tratamento médico, além de provocar deslocamentos populacionais sem o devido controle fronteiriço, que podem levar a um espalhamento maior da doença. O que é o ebola O ebola é uma doença viral que pode ser contraída pelo contato com carne, órgãos ou sangue de animais infectados, mas também pode ser transmitido de pessoa para pessoa a partir do contato com fluidos corporais de um indivíduo infectado. Leia também: Tomar bicarbonato como suplemento para melhorar desempenho faz sentido?
Na natureza, seus principais hospedeiros são morcegos, mas outros animais também podem carregar os vírus causadores do ebola, como macacos e gorilas. Nos estágios iniciais, os sintomas podem ser confundidos com aqueles de uma virose mais comum, como uma gripe. No entanto, a chance de agravamento é elevada, especialmente nas áreas endêmicas da África onde o acesso a serviços de saúde é mais difícil.
Em alguns surtos anteriores, a letalidade conhecida chegou a 90% dos casos identificados. Quando progride até ameaçar a vida, a doença geralmente leva a uma febre hemorrágica. Alguns tratamentos com anticorpos monoclonais estão disponíveis para o ebola causado pelo vírus Zaire.
No entanto, a cepa envolvida no surto atual, a Bundibugyo, não conta com qualquer tipo de abordagem específica aprovada até o momento. Também não há vacina. Nessas situações, o tratamento busca conter os sintomas (por exemplo, com reposição de fluidos e suplementação de oxigênio, além de analgésicos), na esperança de que o corpo vença a infecção com o tempo.
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