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Ler matéria →Amarílio Macêdo, 81, passou 50 anos trabalhando na empresa construída por seu pai, José Macêdo, a J.Macêdo —especialista em moagem de trigo que gerencia marcas como Dona Benta, Sol e Petybon—, metade deles no comando da companhia. Agora, ele usa sua fatia na fortuna acumulada para investir na estruturação de ZPE (Zona de Processamento de Exportação) perto de Quixeramobim, no sertão do Ceará, estado de origem dos Macêdo. ZPE é um distrito industrial planejado para empresas que produzem para exportar.
Quixeramobim recebe um porto seco e trecho da ferrovia Transnordestina, o que gera expectativa de novos negócios. Macêdo investe R$ 20 milhões no negócio em um primeiro momento, mas com a ideia de mais injeções e a procura por investidores no exterior. Por que uma ZPE?
Leia no AINotícia: Economia: Panorama de Mercado e Notícias Corporativas da Semana
Por que entrar nesse negócio agora, depois de tantos anos em um setor diferente? O Brasil está aprovando a reforma tributária, que prevê para as ZPEs 20 anos de isenção de imposto, desde a compra de equipamentos até tudo o que a fábrica precisa para produzir e exportar. Isso interessa a chineses, americanos, canadenses.
Interessa a todo mundo. Quem não quer ficar isento de imposto? Mas, para transformar isso em algo real, é preciso ter como trazer e escoar a produção, e é aí que entra a ZPE.
A relação da região com o governo foi importante para esse processo? No Brasil, existe uma queixa recorrente do Sudeste, que se sente prejudicado ao ver o Nordeste sendo beneficiado por políticas públicas. Mas paciência: o Sudeste cresceu nas costas do Nordeste por décadas; agora é a vez de o Nordeste crescer com as próprias pernas, menos dependente do mercado nacional e mais voltado à exportação. Leia também: ASSISTA AOS GOLS: Argentina vence Suíça na prorrogação e chega às semifinais
Há quem diga que o porto do Pecém [nos arredores de Fortaleza], em 30 anos, vai deixar o porto de Santos para trás por uma questão física simples: Santos não tem mais para onde crescer, enquanto Pecém tem dezenas de quilômetros de mar para se expandir. Projetos de ZPE não chegam à conclusão, ou ficam com menos relevância do que se esperava.
O que o sr. planeja para que a ZPE de Quixeramobim avance? É seguir o passo de quem já testou. Temos uma parceria com quem foi fundamental na construção da ZPE do Pecém.
Com 36 anos de experiência, aprendi a não escolher qualquer um. Você pode falar quem são esses parceiros? Posso dizer que temos interessados no setor agroindustrial, de mineração e de telefonia também.
Depender da conclusão da ferrovia Transnordestina não é um risco para o projeto? Esse risco é calculado. Mais de economia
Mas o governo já confirmou a conclusão da ferrovia em 2028, estamos seguros. A reforma tributária deve eliminar benefícios tributários que tornaram o Nordeste atrativo. Vai eliminar um fator de desigualdade histórico que é o incentivo fiscal.
O incentivo que não é voltado para viabilizar um novo investimento é o maior transferidor de riqueza de quem aporta para quem recebe. Mão de obra é um problema? Não é problema se você pagar decentemente.
O grande problema da mão de obra é que o Bolsa Família remunera melhor do que o empregador, que não quer pagar o imposto da carteira assinada. Então fica nesse "me engana que eu gosto" e, no final, todo mundo perde. Todo empregador tem como pagar decentemente, mas quem é insaciável faz qualquer coisa para ganhar mais. Leia também: ‘O momento do Brasil é ruim’, diz Ronaldo que minimiza perda de recorde em copas
Qual é a diferença entre ZPE, uma zona incentivada, e esse incentivo fiscal que não faria sentido? Incentivo fiscal se justifica quando gera riqueza real para a sociedade, não quando transfere renda de quem paga imposto para quem recebe o benefício. Vale empreender no Brasil?
Nós temos mania de reclamar. Ainda vale muito a pena investir no Brasil. E te digo que o chinês também acha.
Amarílio Macêdo, 81 1945, Fortaleza É acionista de referência do Grupo J.Macêdo, organização empresarial fundada por seu pai José Macêdo no Ceará. Trabalhou por 50 anos na empresa e deixou a liderança da holding em 2025.
Foi presidente do CIC (Centro Industrial do Ceará), membro do Conselho Estratégico da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), presidente do Uniemp (Instituto Universidade Empresa) e cofundador do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). Comentários
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