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Existe uma mudança silenciosa acontecendo dentro das empresas.
Antes, a ideia de crescimento profissional seguia uma lógica quase automática: quem entregava bons resultados acabava promovido a cargos de gestão.
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A ascensão na carreira era medida pela quantidade de pessoas lideradas, pelo tamanho da equipe ou pelo cargo estampado no cartão de visitas.
Essa lógica não desapareceu, mas deixou de ser a única forma de definir sucesso.
Uma série de estudos divulgados nos últimos meses mostra que os profissionais continuam interessados em crescer, ganhar mais e conquistar reconhecimento. O que mudou foi a maneira como pretendem alcançar esses objetivos. Leia também: Junho marca 2º mês de saída de estrangeiro da Bolsa, mas saldo segue acima
Cada vez mais trabalhadores buscam aprofundar conhecimentos, desenvolver competências específicas e construir autoridade técnica, sem necessariamente assumir equipes ou migrar para a gestão.
Em outras palavras, o especialista deixou de ser um estágio intermediário na carreira. Em muitos casos, passou a ser o destino.
Especialistas ganharam protagonismo
Uma pesquisa do Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios) ilustra essa transformação.
Questionados sobre onde gostariam de estar profissionalmente nos próximos cinco anos, 39,07% dos entrevistados afirmaram que pretendem atuar como especialistas técnicos em suas áreas de conhecimento. É, de longe, o caminho mais citado.
Na sequência aparecem o empreendedorismo, com 13,94%, os cargos de liderança corporativa, com 12,76%, o serviço público, com 12,06%, e a carreira internacional, com 11,1%. Outros 11,07% disseram que ainda estão explorando possibilidades antes de definir um rumo profissional. Mais de economia
Os números mostram que a liderança continua sendo um objetivo importante, mas já não ocupa sozinha o imaginário de sucesso das novas gerações.
“Os jovens estão percebendo diversas formas de construir uma trajetória de sucesso”, diz Renata Blumtritt, analista de Treinamento e Desenvolvimento do Nube.
“Em muitos segmentos, especialmente nas áreas ligadas à tecnologia, inovação, finanças, engenharia e análise de dados, profissionais especialistas alcançam grande relevância estratégica sem necessariamente exercer gestão de equipes.” Leia também: Trump diz que EUA vivem “nova era de ouro” ao proclamar 250 anos
Crescimento continua sendo prioridade
A mudança de trajetória não significa redução de ambição. Pelo contrário.
Os profissionais continuam dispostos a mudar de emprego para acelerar o desenvolvimento da carreira.
O estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, mostra que 94% dos profissionais da área financeira estão abertos a novas oportunidades, enquanto 78% pretendem trocar de empresa nos próximos três anos.
O levantamento também revela que os critérios para escolher um empregador se tornaram mais amplos.
Cultura organizacional, oportunidades de desenvolvimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e aprendizado passaram a disputar espaço com a remuneração entre os fatores mais valorizados.
A carreira deixou de ser uma escada
Aprender tornou-se vantagem competitiva
O novo retrato do sucesso
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