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Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA

Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, sendo escoltado ao descer de um helicóptero para ser levado ao tribunal federal em Manhattan, em janeiro

Soldado usou informação confidencial para apostar na queda de Maduro, dizem EUA
Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, sendo escoltado ao descer de um helicóptero para ser levado ao tribunal federal em Manhattan, em janeiro. Crédito: Vincent Alban/The New York Times
Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, sendo escoltado ao descer de um helicóptero para ser levado ao tribunal federal em Manhattan, em janeiro. Crédito: Vincent Alban/The New York Times

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Um soldado das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos que ajudou a capturar Nicolás Maduro, da Venezuela, foi acusado de usar informação confidencial para apostar na missão na Polymarket, uma plataforma de previsões, informaram autoridades federais na quinta-feira (24).

O militar, subtenente Gannon Ken Van Dyke, lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, lucrou mais de US$ 400 mil apostando em diferentes desfechos relacionados à Venezuela depois de tomar conhecimento da operação, segundo promotores federais e o FBI.

A denúncia apresentada no tribunal federal de Manhattan afirma que Van Dyke, de 38 anos, participou do “planejamento e execução” da captura de Maduro e vinha fazendo apostas até 2 de janeiro, um dia antes da prisão do líder venezuelano e de sua mulher, Cilia Flores, em um complexo em Caracas.

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De acordo com a acusação e com Jay Clayton, procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, o sargento fez 13 apostas em eventos relacionados a Maduro e à Venezuela, incluindo “apostas sobre o momento e o resultado” da operação para remover Maduro do poder. Leia também: Confiança do consumidor dos EUA cai a nível mais baixo em quase quatro anos em abril

A denúncia representa um dos casos de maior destaque envolvendo um funcionário do governo americano que teria usado informação confidencial para ganhar dinheiro em mercados de previsão — um risco à segurança nacional que levou a Casa Branca a alertar seu corpo funcional para evitar esse tipo de “insider trading”. O alerta veio em meio a um aumento de operações suspeitas relacionadas à guerra com o Irã.

Empresas que operam mercados de previsão vêm enfrentando maior escrutínio nos últimos meses. Senado e Câmara dos Deputados dos EUA analisam projetos de lei para limitar o uso de um desses sites, o Kalshi, por autoridades públicas, e estados também estudam regulações mais rigorosas.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, declarou: “Nossos homens e mulheres de farda recebem acesso a informações confidenciais para cumprir suas missões com a máxima segurança e eficiência possível, e lhes é proibido usar esse tipo de informação altamente sensível para ganho financeiro pessoal.”

Questionado na quinta-feira sobre o uso de mercados de previsões por funcionários do governo, o presidente Donald Trump afirmou: “Infelizmente, o mundo inteiro virou, em certa medida, um grande cassino.”

Ele acrescentou: “Nunca fui muito a favor disso. Não gosto conceitualmente. É o que é. Não fico feliz com nada disso.” Mais de economia

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Em comunicado na quinta-feira, a Polymarket disse ter publicado novas regras no mês passado para apertar o cerco ao uso de informação privilegiada. A plataforma afirmou ainda que, sempre que identifica um usuário operando com base em informação confidencial do governo, encaminha o caso ao Departamento de Justiça e coopera com as investigações. Leia também: Sabesp acerta a compra de 75% da PGE, geradora de energia em estações de tratamento

Horas antes de as tropas americanas capturarem Maduro, em 3 de janeiro, foi noticiado que um usuário da Polymarket havia feito uma aposta de US$ 32 mil de que Maduro estaria fora do poder até o fim de janeiro — operação que rendeu mais de US$ 400 mil em lucros. O comunicado da Polymarket e os valores descritos na denúncia sugerem que as acusações anunciadas na quinta-feira estão relacionadas a essa aposta.

Segundo a acusação, o sargento tentou esconder o dinheiro obtido movendo os recursos várias vezes: primeiro para um cofre de criptomoedas no exterior, depois para uma conta pessoal de criptoativos e, por fim, para uma conta recém-aberta em uma corretora. Depois que começaram a circular notícias sobre negociações suspeitas ligadas à captura de Maduro, Van Dyke tentou apagar sua conta na Polymarket, alegando falsamente que havia perdido o acesso ao e-mail associado ao cadastro.

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A denúncia acusa Van Dyke de cinco crimes: uso ilegal de informação confidencial do governo para ganho pessoal; furto de informação não pública do governo; fraude em commodities; fraude eletrônica (wire fraud); e realização de transação financeira com recursos provenientes de atividade ilegal específica.

Ainda na quinta-feira, Van Dyke deveria ser apresentado a um juiz federal na Carolina do Norte, no Distrito Leste, e a expectativa é que ele seja transferido para Manhattan para responder ao processo, informou o gabinete do procurador federal em Nova York. Não foi possível identificar um advogado do sargento para comentar o caso.

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