Nem tudo o que você ouve sobre proteína é verdade, segundo novo estudo
Ler matéria →Só 4% das pessoas se mantêm na academia por um ano. Saiba como entrar nesse grupo Especialistas dão dicas para deixar o sedentarismo de lado e ser mais assíduo com os exercícios “Quantos por cento das pessoas que se inscrevem nas academias no início do ano vocês acham que continuam indo até o final?
”, perguntou a educadora física Andrea Camaz Deslandes, coordenadora do Laboratório de Neurociência do Exercício (Lanex) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a uma sala cheia no Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções (Brain Congress), realizado em Porto Alegre*. “
Leia no AINotícia: Saúde: Panorama Semanal - Alertas, Tendências e Cuidados Familiares
Sessenta”, “quarenta”, “trinta”, chutaram os participantes. Na tela, uma resposta chocante: menos de 4%. O dado é de uma pesquisa brasileira publicada em 2016 no periódico Journal of Science and Medicine in Sport.
Ao avaliar os registros de mais de 5,2 mil pessoas inscritas em uma academia no Rio de Janeiro ao longo de uma década, os autores observaram que 63% dos novos membros abandonam a atividade física em menos de três meses. Os que continuaram firmes e fortes por mais de 12 meses representavam 3,7% dos inscritos. Outro estudo, publicado em 2021 por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acompanhou quase 4 mil inscritos em duas academias e a taxa de aderência variou entre 11 e 19%.
É claro que o índice irá mudar em cada estabelecimento e também ao longo dos anos. Hoje, mais pessoas já adotaram uma vida fitness— mas o desafio continua o mesmo: a maioria ainda tem hábitos sedentários e encontra diversos obstáculos para incluir exercícios na rotina, como a falta de tempo e de aparatos públicos para atividades (como parques, ruas iluminadas e equipamentos em praças). No congresso, os palestrantes mostraram o que pode ajudar você a mudar o jogo. Leia também: Não é só obesidade: saiba quais outras doenças as canetas emagrecedoras tratam
Veja as dicas: 1. Não seja tão duro consigo mesmo Uma das mensagens mais repetidas no evento foi a de que criar novos hábitos é uma das tarefas mais difíceis para o nosso cérebro.
E o caminho nunca é linear— há recaídas e, muitas vezes, você não vai atingir as suas expectativas (ou as dos outros). O importante é não desistir por causa desses episódios. 2.
Foco no aqui e agora Todos sabemos dos mil e um benefícios da atividade física para a saúde e a longevidade— mas as pesquisas mostram que essas vantagens não são suficientes para as pessoas aderirem aos exercícios. “Falar para as pessoas que é pela saúde não tem ajudado. Elas se convencem pouco”, avalia o educador físico Thiago Matias, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
“ Afinal, a saúde é uma consequência, e não a causa. ” Se você não consegue se motivar por razões médicas, foque nos benefícios imediatos dos exercícios.
“Movimento é expressão— de emoções, de personalidade, uma necessidade biológica. E também é recompensa, o movimento nos dá prazer“, justifica o cocriador da Teoria Unificadora da Atividade Física. “ Mais de saude
A motivação intrínseca parece ser aquela que tem o melhor resultado. As pessoas fazem exercício porque isso lhes dá prazer, elas gostam”, explica. Outra vantagem imediata é a percepção corporal e a atenção adquirida com a prática de esportes.
“ O principal componente dessa história é a atenção plena [mindfulness], ou seja, estar consciente do que você está fazendo”, afirma Elisa Harumi Kozasa, neurocientista do Einstein Hospital Israelita. + 3.
Encontre amigos Até mesmo exercícios individuais, como a corrida, podem ser praticados em grupo— e ter alguém ao seu lado pode te motivar a persistir numa rotina mais saudável. Além disso, o convívio com o outro também traz benefícios para a cognição, especialmente para os mais velhos. Leia também: Nem tudo o que você ouve sobre proteína é verdade, segundo novo estudo
4. Faça o que você gosta Escolha uma atividade que te dá prazer e procure sempre por novas práticas que te atraem, que você tenha o interesse de experimentar. Vale apostar em esportes menos conhecidos e até em diferentes ritmos de dança.
Mantenha-se curioso. 5. Conte com a colaboração do seu médico
Os profissionais de saúde devem ser instruídos a como orientar e motivar seus pacientes a mudarem hábitos de vida, que são parte fundamental de vários tratamentos. “Em vez de impor uma prática, os médicos devem ter uma escuta acolhedora e procurar entender as preferências e as dificuldades de cada paciente, ajudando a criar soluções para viabilizar a inclusão de exercícios no dia a dia”, recomenda Deslandes. 6.
Políticas públicas Saiba de quem cobrar melhorias no seu bairro e na sua cidade em relação à segurança, à iluminação e ao acesso a parques, praças e quadras. A mudança não é apenas individual.
* A repórter viajou a Porto Alegre a convite da organização do Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções (Brain Congress)
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