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Francisco Lima Neto
São Paulo
Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu, na manhã desta terça-feira (9), um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público, suspeitos de atuarem como infiltrados do PCC (Primeiro Comando da Capital), em Campinas, no interior de São Paulo.
O grupo, segundo as investigações, é suspeito de participação no plano para matar Amauri Silveira Filho, promotor de Justiça do Gaeco. O atentado foi descoberto e frustrado em 2025.
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Foram cumpridos três mandados de prisão temporária, sendo dois em Campinas e um na cidade de Cardoso, na região de São José do Rio Preto, no noroeste do estado.
De acordo com a investigação, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, que frustrou o atentado contra o promotor em 22 de agosto do ano passado, um dos principais acusados de elaborar o plano para matar o promotor de Justiça teve um encontro com o então chefe dos investigadores da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) de Campinas. O investigador deixou o órgão e, atualmente, está lotado no 1º Distrito Policial de Campinas.
No material apreendido na ocasião, há um vídeo que mostra o encontro. O Gaeco agora analisa se informações privilegiadas e sensíveis teriam sido repassadas ao criminoso, um empresário, pelo investigador de polícia. Leia também: Biografia lembra luta de Fernando Gasparian contra censura
A apuração busca entender a relação entre o ex-estagiário, o investigador e o ex-policial civil. A Promotoria quer saber se o encontro entre o ex-chefe dos investigadores e o empresário era para tratar do plano de ataque ao promotor ou se era uma nova extorsão ou vazamento de informações privilegiadas, já que o empresário seria um dos responsáveis pela lavagem de dinheiro do crime organizado.
O Gaeco também descobriu que um dos principais membros do PCC na região estava sendo vítima de extorsão por um ex-estagiário do Ministério Público. A investigação aponta que, meses antes, o suspeito teria se infiltrado premeditadamente em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas.
Gabriel Lira de Jesus ingressou no órgão já com a intenção de cometer crimes, segundo investigação da Promotoria. Ele teria cobrado R$ 500 mil de um membro do PCC para protegê-lo de investigações.
Allan Renato Cassoli, advogado do ex-estagiário, disse que enviaria nota ainda nesta terça sobre o caso, mas não se manifestou até a publicação.
Gabriel, aponta a investigação, usou bancos de dados e sistemas de pesquisa do Ministério Público para identificar criminosos de alto poder econômico para pedir dinheiro em troca de suposta proteção em investigações. Mais de politica
Marcos Tadeu Rioli, promotor do Gaeco, afirmou, em entrevista coletiva, que um traficante do PCC investigado pelo Gaeco, preso em agosto de 2025, relatou que foi coagido pelo ex-estagiário a pagar para não ser preso.
"Ele foi localizado em outro estado. Quando do cumprimento desse mandado [de prisão], esse alvo disse que dois dias antes havia recebido uma exigência de valor de R$ 500 mil para que não fosse preso. Para que o caso não fosse encaminhado para o Gaeco. Essa exigência foi feita por aplicativo WhatsApp, via mensagem de visualização única", explicou o promotor. Leia também: Custo de processos na Justiça 'gratuita' ultrapassa R$ 7.000, diz estudo
A Promotoria chegou até o estagiário após iniciar investigação para apurar a denúncia de extorsão feita pelo traficante, que continua preso.
De acordo com o promotor, o ex-estagiário não era do Gaeco e não tinha acesso às investigações da unidade, mas conseguia acessar os inquéritos em andamento na Promotoria em que trabalhava.
"Com base nesse acesso, e contando com apoio de policial penal e de policial civil fornecendo também acesso a sistemas de consulta privilegiada de órgãos do Estado, o estagiário obteve informações importantes a respeito do alvo, constatando-se que era um integrante de facção criminosa com alto poder aquisitivo e, portanto, foi seu alvo dessa extorsão, junto com outros indivíduos", explicou Rioli.
Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, para cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão, expedidos pelo Juízo de Garantias de Campinas, o Gaeco contou com o 1º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, bem como da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), especificamente para as buscas em escritório de advocacia.
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