← Economia
Economia

Setores afetados pela nova tarifa dos EUA falam em perda de competitividade

Tamara Nassif Marcos Hermanson São Paulo e Brasília Os setores afetados interpretam a decisão do governo Donald Trump de impor uma nova tarifa ao Brasil como mais um

Setores afetados pela nova tarifa dos EUA falam em perda de competitividade e
Tamara Nassif Marcos Hermanson
São Paulo e Brasília

Os setores afetados interpretam a decisão do governo Donald Trump de impor uma nova tarifa ao Brasil como mais um golpe à competitividade das exportações aos Estados Unidos, que tende a aprofundar a retração do comércio entre os dois países.

"A medida também poderá elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais", diz a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).

Leia no AINotícia: Economia: Panorama Semanal de Mercados, Empresas e Políticas

Anunciada nesta quinta-feira (23), a nova tarifa de 12,5% foi aplicada com base na Seção 301 da Lei do Comércio, em uma em uma investigação sobre supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso de trabalho forçado, e começará a ser aplicada a partir da 01h01 desta sexta-feira (horário de Brasília).

Para alguns produtos, a tarifa deve se somar às sobretaxas de 25%, chanceladas na semana passada e em vigor desde terça (21).

Nos cálculos da Amcham, a nova fase do tarifaço deve alcançar cerca de 3.000 produtos brasileiros, que correspondem a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos. Para 85,3% desses itens, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, a tarifa de 12,5% se somará à de 25%, resultando em sobretaxas de 37,5%. Leia também: Vila Mariana, em SP, vive boom imobiliário que parece não ter hora para acabar

"A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Essa também é a visão de José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). O setor foi afetado pelas duas tarifas e está sujeito a uma sobretaxa cumulativa de 37,5%.

"Isso tira ainda mais nossa competitividade contra produtos, máquinas e equipamentos fabricados nos Estados Unidos. Prevemos uma queda entre 10% e 11% nas nossas exportações para o país", afirma.

LEIA MAIS SOBRE O TARIFAÇO

  • Governo vai apoiar empresários afetados por tarifas dos EUA, diz Durigan
  • Veja lista de produtos isentos da nova tarifa de 12,5% imposta pelos EUA
  • Governo Lula rechaça nova tarifa dos EUA sobre trabalho forçado e cita falta de base legal
  • EUA respondem por parte significativa das importações de bens com risco de trabalho forçado
  • Muitos setores sofrerão dupla taxação dos EUA, de 37,5%, diz ministro da Indústria

Velloso avalia que a motivação do governo norte-americano nesta nova leva de tarifas é de cunho político. "Foi uma resposta da Suprema Corte norte-americana que, lá em fevereiro, proibiu o governo Trump de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem uma, e é o suposto trabalho forçado."

O presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Haroldo Ferreira, afirma que a medida aumentará a diferença entre as taxas cobradas do Brasil e de outros países fornecedores do produto, como Indonésia e Camboja. "Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes", afirmou em comunicado. Mais de economia

No início da semana, a indústria de calçados já havia revisado sua projeção de queda nas exportações totais, de 3,6% para 7,1%.

A Abimaq e a Amcham defendem que o governo brasileiro não adote medidas de reciprocidade, em coro a outros segmentos com quem o Executivo se reuniu no início da semana.

O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) escutaram as demandas empresariais na terça-feira e pediram estimativas de impacto do tarifaço, mas não indicaram em detalhes quais políticas de mitigação o governo adotará, tampouco que uso farão da Lei da Reciprocidade. Leia também: Vila Mariana acessível, Saúde tem morador fiel, metrô e okonomiyaki

As entidades defendem a retomada das negociações entre os dois países, visando um entendimento bilateral. "As medidas de reciprocidade apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros", diz a Amcham.

A FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) também aposta na intensificação das negociações diplomáticas como via principal para reduzir o tarifaço, mas cobra do governo Lula (PT) "atuação firme, técnica e coordenada".

"O Brasil precisa agir com firmeza, rapidez e capacidade técnica para evitar que essa nova tarifa comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional. A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos", disse a coordenadora de Negócios Internacionais da FIEMG, Verônica Winter.

Isso, segundo a federação, sem abrir mão dos instrumentos de defesa dos interesses nacionais, como a Lei da Reciprocidade. Mas a "prioridade deve ser a construção de uma solução negociada que preserve o espaço dos produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos e assegure condições mais equilibradas de competição".

A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras injustificadas aos produtos brasileiros. O texto também prevê consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores, possibilitando a resolução de conflitos de forma negociada antes da aplicação de contramedidas.

Tópicos relacionados

  • Donald Trump
  • Estados Unidos
  • Geraldo Alckmin
  • guerra comercial
  • indústria
  • Lula
  • PSB
  • Envie sua notícia
  • Erramos?
  • Ombudsman
Vila Mariana, em SP, vive boom imobiliário que parece não ter hora para acabar
Economia

Vila Mariana, em SP, vive boom imobiliário que parece não ter hora para acabar

Ler matéria →

Leia também