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Ler matéria →O porta-voz da Casa Rosada afirmou nesta terça-feira (28) que "sempre houve insultos de ambos os lados" ao comentar a crise entre Argentina e Brasil após o presidente Javier Milei chamar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ladrão durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo. " Se tomarmos o caso do Brasil, é evidente que sempre houve insultos de ambos os lados.
Penso que se tratam de diferenças ideológicas e políticas, mas a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático", afirmou Adrian Ravier, porta-voz do ultraliberal. Milei está em Lima para a posse da aliada e nova presidente do Peru, Keiko Fujimori. A afirmação indica uma alfinetada às reações do governo brasileiro após o evento de Flávio, no último sábado (25).
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Estrela da cerimônia, Milei fez um discurso no qual se referiu a Lula como ladrão e presidiário, além de ter chamado o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de "lixo careca" por não deixá-lo visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. O governo Lula respondeu convocando o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e o representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Na segunda (27), o ministro Dario Durigan (Fazenda) chamou Milei de "palhaço", e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) classificou o argentino como "caricatura patética" e puxa-saco de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Leia também: Milei e os limites da diplomacia adulta
O porta-voz da Casa Rosada minimizou a crise buscando falar em "questão ideológica". " Milei é um dos principais líderes do movimento que busca promover ideias pró-mercado.
Os Bolsonaros, no Brasil, são amigos e aliados nessa ideia. Lula se opõe a essa ideia, e creio que as diferenças são claras e fazem parte de uma questão ideológica e política, mas não acreditamos que isso impactará as relações diplomáticas entre os dois países, ou pelo menos não do lado argentino", afirmou Ravier. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a suposta participação financeira de Brasil, México e o Partido Democrata, dos Estados Unidos, na onda anti-Argentina que tomou conta das redes sociais na Copa do Mundo.
A acusação foi feita sem provas por Milei no domingo (26), em entrevista a uma rádio local. " Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina?
O governo brasileiro", afirmou o ultraliberal na ocasião, sem apresentar qualquer evidência. " Vinte e cinco por cento dos recursos vieram do governo brasileiro. Mais de politica
E depois eles vêm falar em interferência. " A acusação parece fazer parte de uma estratégia do governo de tentar responsabilizar a oposição e críticos em geral pelo fenômeno —tese que o porta-voz repetiu nesta terça, embora o próprio Milei seja uma das causas da impopularidade internacional do país. Leia também: Djamila Ribeiro lança na CasaFolha curso inédito sobre o conceito de lugar
" Existe uma hipótese de que a esquerda esteja, de alguma forma, fomentando essa campanha anti-Argentina para minar a ideia de que o modelo argentino consegue tirar as pessoas da pobreza, da miséria, reduzir a inflação, gerar produção e exportações recordes, e assim por diante", afirmou o porta-voz, sem dar uma fonte das acusações do presidente, como havia solicitado o jornalista. As rusgas entre os dois líderes remontam a 2023, quando Milei ainda tentava chegar ao poder no país vizinho.
Ao longo daquele ano, ele afirmou, por exemplo, que Lula era parte de uma "casta de políticos ladrões" e se referiu ao petista como ex-presidiário, além de acusá-lo de financiar a campanha de Sergio Massa, seu adversário no pleito. Em junho de 2024, Lula sugeriu que seu homólogo pedisse desculpas, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha". Desde então, a relação entre os dois vinha sendo apenas protocolar em prol da relação bilateral.
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