Konishi lidera rodada com três vitórias brasileiras em Cuiabá
Ler matéria →Brasília (DF)– Campeão do torneio juvenil de Roland Garros no último sábado e novo número 1 do ranking mundial da categoria, Guto Miguel retornou ao Brasil e falou sobre a recente conquista em Paris. O goiano de 17 anos e seu treinador, Santos Dumont, receberam a imprensa nesta terça-feira em Brasília e destacaram a trajetória até o título do primeiro Grand Slam da carreira, além dos próximos passos na transição para o circuito profissional.
“Eu sempre fui um menino muito apaixonado por tênis e também muito apaixonado por ganhar. Nunca gostei de perder nem no par ou ímpar”, contou Guto aos jornalistas. “Acho que isso me ajuda até hoje, a ser competitivo dentro de quadra, não aceitar a derrota e elevar meu nível nos momentos de pressão”.
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Guto se junta a outros três brasileiros que já lideraram o ranking juvenil. O primeiro havia sido o alagoano Tiago Fernandes, em 2010, seguido pelo gaúcho Orlando Luz em 2015 e pelo carioca João Fonseca em 2023. Já entre os vencedores de Grand Slam, o goiano igualou as marcas de Fernandes, Fonseca e do paranaense Thiago Wild, mas foi a primeira vez que um juvenil brasileiro foi campeão na chave de simples de Roland Garros. Leia também: Konishi lidera rodada com três vitórias brasileiras em Cuiabá
A conquista em Paris teve um peso ainda maior por conta dos problemas físicos enfrentados nas semanas anteriores. O jovem revelou que chegou a duvidar de sua participação no torneio por causa de uma lesão no punho. “Joguei um torneio em Milão com muita dor e nem sabia se conseguiria disputar Roland Garros. Treinamos muito pouco na semana anterior, focando mais na parte física, porque eu quase não conseguia bater na bola. Era uma dor que vinha desde o challenger de Santos, quando sofri uma queda durante uma partida”.
Segundo o goiano, a força mental foi decisiva para superar as dificuldades. “Foi um torneio em que tive muita ambição de vencer, porque era um sonho que eu sempre tive. Até um documentário do Nadal me ajudou, porque ele falava sobre suportar a dor quando ela é administrável. Tentei levar isso comigo durante todo o torneio. Foi a competição em que mais senti dor na vida, mas valeu a pena”.

Apesar da repercussão do título e da chegada ao topo do ranking juvenil, o jovem tenista garante que mantém a mesma postura de antes. “Mudou um pouquinho e acho que a ficha ainda não caiu. Mas, como pessoa, continuo sendo o mesmo, com os mesmos amigos ao meu redor. Isso é o mais importante. Sempre procuro manter os pés no chão para que os resultados continuem vindo”. Guto também relembrou a mudança de Goiânia para Brasília aos 14 anos, decisão tomada para buscar o sonho de se tornar profissional. Mais de esporte
“Até hoje tenho saudade da minha terra. Foi um período muito especial da minha vida, que eu passei minha infância curtindo. Eu me divertia bastante dentro de quadra e aprendi que jogar tênis pode ser leve, posso ficar feliz em quadra, mas ao mesmo tempo levar a sério”, afirmou. “E a minha mudança para Brasília, com 14 anos, foi para que eu pudesse me tornar um tenista profissional”.
A pressão de atuar como favorito foi outro tema abordado pelo novo líder do ranking juvenil. “Todo cabeça de chave sente uma pressão maior, mas a gente treina para isso. Treina sete horas por dia, faz trabalho físico, faz tudo para chegar preparado. A pressão é um privilégio, como minha equipe sempre fala. Durante os jogos, tento lembrar de tudo o que treinamos para estar ali e fazer apenas o que sei dentro de quadra”. Leia também: Marta dispara contra arbitragem após derrota do Brasil para os Estados Unidos
Dumont destaca evolução e evita comparações
Responsável pelo trabalho com Guto nos últimos três anos e meio, Santos Dumont destacou a evolução do pupilo desde a chegada a Brasília. “O pai dele o trouxe de Goiânia já com uma base muito boa. O pai também joga e até o saque e a direita dos dois são parecidos. A partir daí, ele foi aprendendo a treinar e passamos a trabalhar muito a parte física, técnica e tática. Ele sempre leu muito bem o jogo, mas precisávamos desenvolver mais a concentração e a capacidade de disputar os pontos importantes. Os grandes atletas conseguem jogar bem nesses momentos, e o Guto tem mostrado isso”.
O treinador também ressaltou que a equipe nunca trabalhou com metas específicas de ranking ou títulos. “Nossa meta sempre foi elevar o nível. A gente nunca coloca objetivos [numéricos]. Hoje ele conquistou o mundo, isso é surreal. Mas continuamos olhando para frente”. Sobre os próximos passos, Dumont evitou comparações com outros nomes do tênis nacional. “A gente está pensando passo a passo. O João é um exemplo, mas Guto é o Guto. Assim como o Guga é o Guga, a Bia é a Bia. O Guto está no processo dele. Cada um tem o seu. Agora vamos focar quase totalmente no circuito profissional, diria que 98%. E aí sim vamos trabalhando e vendo as metas que queremos atingir. Estamos satisfeitos com o momento atual, mas queremos chegar à elite”.
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