EUA e Irã: Encontro crucial na Suíça é cancelado em meio a tensões no Líbano e
Ler matéria →A seleção do Irã vai apresentar uma reclamação à Fifa por restrições de viagem nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo 2026, informou o porta-voz da federação iraniana na quinta-feira (18). A seleção defende que informou com antecedência o cronograma de viagens aos organizadores, mas que enfrenta restrições, afetando os planos da comissão técnica e a preparação para o jogo contra a Bélgica. "
Apesar de ter enviado seu cronograma de preparação para o torneio com bastante antecedência, a seleção nacional do Irã voltou a enfrentar restrições impostas pelos organizadores, o que está afetando a execução dos planos da comissão técnica", disse o porta-voz. Segundo a federação, as restrições impostas à seleção impediram uma preparação adequada para a partida contra Bélgica, que ocorre neste domingo (21), às 16h (horário de Brasília). Uma parte da comissão técnica ficou sem visto para entrar nos EUA e só conseguirão chegar à Los Angeles, cidade onde ocorrerá a próxima partida, um dia antes da partida, em vez de dois dias antes, como ocorre com outras seleções.
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Essas "restrições são contrárias ao princípio de igualdade de condições para todas as seleções participantes e correm o risco de prejudicar a preparação", afirmou o dirigente em comunicado. Seleção do Irã antes da partida contra a Nova Zelândia na primeira fase da Copa.—
Foto: Daniel Cole / Reuters Após a estreia na Copa na noite de segunda-feira (15) com um empate, a equipe iraniana relatou ter recebido uma "ordem imediata" para deixar os EUA. Depois, agências de notícias do Irã afirmaram que o capitão da seleção, Mehdi Taremi, e um auxiliar da equipe foram retidos no aeroporto de Los Angeles, onde o time jogou.
➡️ A seleção iraniana empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia na estreia, que ocorreu em meio a tensões geopolíticas por conta da guerra que o país trava com os Estados Unidos no Oriente Médio (leia mais abaixo). Como a Copa do Mundo de 2026 ocorre nos EUA, no México e no Canadá, houve dúvidas sobre a participação do time do Irã, que foi classificado para a competição. Leia também: Mundo: Panorama da Semana - Copa, Diplomacia e História
Para contornar a crise, a Fifa transferiu para o México a base da seleção iraniana durante a Copa, que inicialmente ficaria nos EUA. Após a partida, o técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, afirmou que a equipe recebeu a ordem de saída imediata de autoridades dos EUA. Autoridades de imigração norte-americanas ainda não haviam se manifestado sobre a informação até a última atualização desta reportagem.
Agências de notícias estatais iranianas afirmaram ainda que o centroavante Mehdi Taremi, que é estrela da seleção iraniana, e o membro da comissão técnica Saeid Alhouei foram retidos no aeroporto de Los Angeles quando a equipe retornava para Tijuana, no México, onde está hospedada. As agências iranianas disseram que os dois enfrentaram "atraso injustificado" nos procedimentos de checagem de passaportes e vistos na imigração do aeroporto.
Eles foram liberados após as checagens, e toda a equipe já voltou ao México. Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia.—
Foto: Gary Vasquez / IMAGN IMAGES via Reuters Além da retenção temporária no aeroporto, a equipe iraniana enfrenta também outro entrave. O atacante Mehdi Torabi recebeu um visto do governo norte-americano que permite apenas uma entrada nos Estados Unidos, ao contrário do restante do grupo, que tem visto de múltiplas entradas.
Para a próxima partida, que também ocorrerá nos EUA, a seleção iraniana terá de solicitar às autoridades norte-americanas um novo visto para o atacante. Segundo as agências iranianas, a Federação Iraniana de Futebol já iniciou trâmites legais para tentar emitir uma nova autorização e garantir que o atleta possa acompanhar a equipe nos próximos jogos. As próximas partidas do Irã ocorrerão nos Estados Unidos: no sábado (21), os iranianos enfrentarão a Bélgica, em Los Angeles. Mais de mundo
A estreia do Irã da Copa ocorreu no mesmo dia em que Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio. Os dois países haviam anunciado o acordo no fim de semana, após mais de três meses de conflito, que começou quando EUA e Israel fizeram ataques conjuntos ao território iraniano em 28 de fevereiro. O Irã respondeu com uma série de ataques a países do Golfo Pérsico aliados dos EUA ou que sediam bases militares norte-americanas.
Outra frente de guerra foi aberta no Líbano, após o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado pelo Irã, lançar ataques ao vizinho Israel em retaliação. O Exército israelense vem bombardeando o território libanês desde então e enviou tropas ao sul do Líbano. O acordo firmado entre as partes prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o canal controlado pelo Irã e por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
Os EUA também retirarão navios de sua Marinha que fazem um bloqueio naval na entrada do estreito, interpelando navios que comercializam nos portos iranianos locais. O texto também estipula um cessar-fogo que está previsto para durar enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O acordo, segundo Teerã, prevê que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias. Leia também: Tiros na Times Square: Polícia de Nova York prende suspeito após correria
Equipe 'mais oprimida' da Copa Antes da estreia do Irã, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, já havia reclamado da logística de viajar logo após a partida e afirmou que sua equipe estava sendo “oprimida”. Ghalenoei, de 62 anos, disse que eles passaram por mais contratempos, já que o time esperava passar a noite de segunda-feira em Los Angeles, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México.
Ele não disse quem impôs a restrição. “Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Para ser sincero, não faço ideia do porquê.
Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo", disse. Procurados pela agência de notícias Reuters para comentar as declarações, o Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Ainda no estádio, o atacante iraniano Mehdi Taremi disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio:
“Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso.
É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz". Permanência vetada Os EUA já haviam comunicado que a seleção não poderia se manter no país durante toda a Copa.
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