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Se governo não agisse nos combustíveis, BC poderia elevar juros, diz secretária

Primeira mulher a comandar a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda, a economista Débora Freire afirma à Folha que as medidas adotadas pelo

Se governo não agisse nos combustíveis, BC poderia elevar juros, diz secretária

Primeira mulher a comandar a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda, a economista Débora Freire afirma à Folha que as medidas adotadas pelo governo Lula (PT) para evitar a alta dos combustíveis têm sido decisivas para a inflação ficar dentro da meta este ano. " São medidas importantes para buscar suavizar esse choque nas famílias [renda].

É importante o governo fazer isso, inclusive para ajudar o Banco Central", afirma. Segundo ela, sem essas ações, o BC muito provavelmente teria que aumentar a taxa de juros. A SPE subiu de 3,7% para 4,5% a estimativa do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano, no teto da meta de inflação, cujo alvo central é 3%, mas com margem de 1,5 ponto para mais ou menos.

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A projeção já considera as medidas adotadas, exceto o recém-anunciado subsídio à gasolina. Juntas, elas contribuíram para reduzir o resultado em 0,3 ponto percentual —ou seja, sem as ações, a inflação estouraria a meta. "

Dado que o Brasil está numa posição muito restritiva da taxa de juros, a gente ainda tem algum espaço aí para continuar o processo de cortes", disse. A SPE elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação deste ano. Essa alta tem influência das medidas de estímulo à economia adotadas pelo governo?

A gente estava com cenário benigno de inflação, convergindo para a meta. Depois do choque do petróleo, vemos não apenas o desvio nas projeções, mas também o [índice] realizado vindo com alguma pressão. Na nossa leitura, o IPCA tem viés de alta esse ano e em 2027 pela inércia, mas a inflação fica dentro da banda superior da meta. Leia também: Mário Frias diz ao STF que emendas para ONG não foram para ‘Dark Horse’

A nossa projeção está um pouco mais baixa do que a da Focus [pesquisa em que o BC coleta estimativas do mercado]. Mas os nossos modelos têm apontado que, embora tenha esse choque, observamos vetores baixistas nesse novo cenário: câmbio mais apreciado, taxa Selic terminal maior do que estava se esperando antes do choque, e as medidas de mitigação que temos adotado.

Qual é a estimativa do governo para o impacto das medidas? Nossa última estimativa é de 0,3 ponto percentual para baixo na inflação, não considerando a medida da gasolina [subvenção] ainda. E com a medida da gasolina?

Ainda não temos. As medidas para controlar os preços dos combustíveis estão sendo decisivas para a inflação ficar dentro da meta? Sim, com certeza.

São medidas importantes para buscar suavizar esse choque nas famílias [renda]. É importante o governo fazer isso, inclusive para ajudar o BC. Num choque de oferta, a taxa de juros não é um instrumento que tem grande efetividade.

Nesse caso, o que estamos fazendo, dentro da neutralidade fiscal e do espaço que a gente tem, é auxiliar para que não precise reverter o ciclo de taxa de juros. Qual é o risco? É o BC parar de cortar? Mais de economia

Parar ou voltar a aumentar. Estamos num cenário muito incerto, ainda não sabemos o quanto esse choque vai durar, o quanto esse conflito vai durar, qual o aprofundamento. O cenário é ainda muito dependente de dados.

O BC está tomando essa posição de observar o cenário. Mas até o momento, dado que o Brasil está numa posição muito restritiva da taxa de juros, a gente ainda tem algum espaço aí para continuar o processo de cortes. A discussão é qual o ritmo.

Mais acelerado? Menos acelerado? E aí essa decisão é do BC. Leia também: Desenrola 2.0: No 1º dia, 1,4 milhão acessam app FGTS para quitar dívida

Mas as medidas mitigadoras, a sra. acha que elas… Elas tendem a ajudar [a fazer] com que a gente consiga manter um ritmo de corte, mas a velocidade disso é decisão do BC. Entendemos que esse é um choque conjuntural, que pode trazer inclusive impactos estruturais.

Tem que mitigar, porque a inflação é muito nociva, principalmente para as famílias mais pobres. Primeiro, porque traz prejuízo ao bem-estar. Segundo, se a gente não adota medidas mitigadoras, muito provavelmente acaba tendendo a um cenário em que o BC tem que aumentar a taxa de juros.

Para o fiscal, também é muito ruim, porque é um impacto direto de aumento na dívida. A gente entende que não é interesse do BC que o governo não use o espaço que ele tem dentro da política fiscal, com neutralidade fiscal, para auxiliar neste momento em que a taxa de juros não é o instrumento mais efetivo para mitigar o efeito desse choque. O Brasil importa uma quantia de diesel significativa, mas na gasolina é diferente, o país importa pouco.

Por que então o governo viu necessidade de também intervir nos preços? Para conseguir mitigar esse processo de aumento de preços. É uma questão de suavização do ciclo, principalmente para proteger as famílias.

Se a gente deixa a inflação [ficar] muito alta, tende a ter um efeito estrutural muito relevante. Você está mexendo na renda real das famílias. Por exemplo, elas podem ter que se endividar mais para fazer frente a esse cenário mais adverso.

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